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11 de Setembro, 19h: “Colo”

 

Colo

Realização: Teresa Villaverde

Intérpretes: João Pedro Vaz, Alice Albergaria Borges, Beatriz Batarda

Port, 2017, 136’, M/16

 

Colo: estamos todos a precisar do colinho de Teresa Villaverde

Estreia finalmente em Portugal o novo filme de Teresa Villaverde, mais de um ano depois da sua estreia mundial no festival de Berlim, na edição de 2017, onde foi um dos filmes mais marcantes da Competição Oficial. Talvez este Colo necessite de alguma precisão, tal como a crise vivida por uma família de classe média lisboeta careça de ajuda para perceber o que se passou. É a vergonha escondida do desemprego paterno, o trabalho a dobrar materno e também às dores de crescimento da filha adolescente, bem como da sua amiga. No meio disso tudo, temos o cinema pausado e observador de Teresa Villaverde, e do que sucede neste momento de realismo social nacional.

 

 

Algures nos andares cimeiros de um prédio no bairro dos Olivais, o pai (João Pedro Vaz) já vai denotando os indícios de perturbações mentais que uma permanência forçada em casa vai facilitando, isto enquanto a mãe (Beatriz Batarda) procura manter a cabeça organizada ao mesmo tempo que mantém dois trabalhos. No meio de tudo isto, a jovem Marta (Alice Albergaria Borges) vive na bolha dos desafios naturais permitidos pelos seus 17 anos. É com a amiga Julia (Clara Jost) que sente mais empatia, ela que por sua vez enfrenta os primeiros meses de uma gravidez inesperada, e ainda com o namorado (Tomás Gomes que interpreta e assina a banda sonora do filme), musico numa banda.

 

“Eu não tenho a resposta exata sobre a necessidade de colo no filme”, procurou precisar a cineasta à nossa pergunta. Mas lá foi garantindo que “estamos todos num momento confuso em que não sei se todos precisamos de alguma coisa que não sei se sabemos exatamente o que é.” Talvez seja mesmo colo, um conforto necessário para apaziguar a alma daqueles que não sabem o que fazer ao tempo. Algo que, de resto, Teresa admite partilhar com as suas personagens.

Por essa errância e por essa falta de rumo passaram de resto várias das suas personagens que atravessam uma filmografia coerente, ainda que esparsa, com sete filmes em 26 anos, desde A Idade Maior (1991), passando por Três Irmãos (1994)  ou Os Mutantes (1998), mas também com o lado mais pesado da vida de Transe (2006). O seu trabalho anterior, Cisne (2011) pertencerá a uma outra aresta, a das atrizes que sempre dominam os seus filmes. Aí a coerência é total.

 

Também aqui são elas que dominam a nossa atenção. Marta e Julia reclamam essa vertigem da adolescência, a experimentação e a liberdade. Algo que acaba por ser também transversal ao cinema português de autor. De resto, Colo começa com uma imagem que nos parece remeter para o clássico Os Verdes Anos, de Paulo Rocha, de 1963, com aqueles vestígios de aldeia enfiados dentro e Lisboa e a mirada do monte a olhar para os prédios da Avenida de Roma. Há aqui a Avenida de Roma, mas também o campo, ali mesmo, no Vale do Silêncio, nos Olivais. Foi de resto esse bairro que João Salaviza habitou em Montanha (2015), com personagens também a precisar de colinho. E há ainda uma cabana onde se conseguirá encontrar parte dessa liberdade impossível.

 

Teresa Villaverde filma tudo isso – excelente a fotografia de Acácio de Almeida e excelente o som de Vasco Pimentel, de certa forma os olhos e o ouvido do cinema português – bem como as assoalhadas e os corpos que parecem querer sair dos seus donos. Seja o passarito de Marta, o corpo de Julia habitado por um novo corpo que já parece sentir, mas é também esse corpo, o seu, o corpo de grupo, que chegará a aproximar do precipício.

Há ainda decisões algo insólitas que se irão tomar, mas essas são coisas que só Teresa poderá explicar. Ainda assim, Colo é essa sugestão de um país que deixou tantas pessoas perdidas numa crise que não consegue explicar e para a qual elas não estavam preparadas. É por isso mesmo um filme que continua.

Escrito por Paulo Portugal para a Insider.

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Festa do Cinema Italiano – Programação

À semelhança dos dois últimos dois anos, o Cineclube de Tomar apresenta na próxima semana uma extensão da Festa do Cinema Italiano, com filmes inéditos em Portugal, e que provavelmente não terão distribuição comercial no nosso país.

A programação será a seguinte:

15/05Fortunata, de Sergio Castellitto (ITA, 2017, 103′) – 19h

Fortunata (Jasmine Trinca) é uma mãe adolescente vivendo numa situação extremamente complicada e assombrada por um casamento fracassado. Como forma de mudar de vida, precisa lutar diariamente por seu sonho: abrir um salão de cabeleireiro desafiando seu próprio destino, numa tentativa de emancipar-se e adquirir sua independência e o direito à felicidade.

16/05Botticelli – Inferno, documentário de Ralph Loop (ITA/ALE, 2016, 86′)      http://www.botticelli-inferno.de/19h

17/05In Guerra per Amore, de Pif (ITA, 2016, 99′)  – 19h http://bogiecinema.blogspot.pt/2017/04/resenha-critica-in-guerra-per-amore-2016.html

19/05Pipi, Pupù Rosmarina e il Mistero delle Note Rapite, de Enzo D’Alò (ITA/FRA, 2017, 81′)  – filme de animação para crianças – 15.30h

Gatta Cenerentola, de Ivan Cappiello | Marino Guarnieri | Alessandro Rak | Dario Sansone (ITA, 2017, 86′) – filme de animação para maiores de 12 anos – 21.30h

https://bogiecinema.blogspot.pt/2018/04/critica-gatta-cenerentola-2017.html

 

 

08 de Maio, 19h: “Gatos”

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Realização: Ceyda Torun

Turquia, 2016, Cores, 79’, M/6

 

Um documentário que, mais do que ser sobre bichos fotogénicos, é sobre a identidade de uma cidade vista pelos olhos dos gatos.

A internet, como todos sabemos, foi feita para os gatos, bichos fotogénicos por excelência e com personalidades muito específicas que parecem saber quando uma câmara os está a filmar (não temos nada contra os cães, mas estamos a falar de um filme sobre gatos). Convirá por isso desde já deitar abaixo a ideia que o filme da turca Ceyda Torun, radicada nos EUA, é uma simples colagem de felinos a serem felinos, fazerem tropelias, perfeita para a estética dos clips partilhados nas redes sociais, porque não é na verdade nada disso. Gatos é, isso sim, uma exploração do quotidiano “real” de Istambul por meio dos gatos vadios que povoam a cidade, e do sentido de comunidade que estes animais ora altivos ora afectuosos ora brincalhões ajudam a cimentar.

Sem perder de vista a fotogenia inerente à capital turca, Torun evita ao mais possível o postal turístico e o lugar-comum exótico para se concentrar nos bairros populares, nos bazares e cafés e mercados e restaurantes que servem também de ponto de encontro de bairros ou comunidades. Os gatos funcionam aqui como “guias turísticos” que nos levam de zona em zona, mas também como “âncoras” da comunidade que todos alimentam, respeitam e tratam, numa simpatia natural e numa coabitação pacífica e mutuamente enriquecedora. É por isso que a chave do filme está, por exemplo, no pescador que toma conta de uma ninhada abandonada, ou nos vendedores de um mercado que sobrevive pelo meio das construções modernas, questionando o que acontecerá quando a ganância do imobiliário levar à destruição dos bairros mais antigos e pitorescos. Perguntam eles: o que será dos gatos quando isso acontecer?

E nessa preocupação com o futuro dos gatos está também uma preocupação com aquilo que caracteriza uma cidade e lhe dá a sua personalidade, aquilo que a faz viver e sentir. No filme de Ceyda Torun, os gatos — desde a “psicopata” ciumenta e asocial à “laranjinha” que não tem problemas em fazer-se à rua para dar de comer aos filhos, passando pelo “cavalheiro” que nunca entra no café mas fica à espera que o venham servir — são o sangue que dá vida a Istanbul. É certo que são um sangue fotogénico, fofinho, encantador, divertido — mas são parte integrante de uma identidade urbana que, como um pouco por todo o mundo, está em riscos de se diluir.

Escrito por Jorge Mourinha para Público.

Cinema ao Ar Livre 2017 – Programação

 

À semelhança dos últimos anos, o Cineclube de Tomar vai realizar sessões de Cinema ao Ar Livre nas Piscinas Vasco Jacob (ao lado do ex-Parque de Campismo), nas 4ªs feiras de Julho e Agosto.

A programação será a seguinte:

12/07 – La La Land, de Damien Chazelle

19/07 – Top Hat (Chapéu Alto), de Mark Sandrich, com Fred Astaire e Ginger Rogers

26/07 – Lion – A Longa Estrada para Casa, de Garth Davis

2/08 – Deusas em Fúria, de Pan Nalin

9/08 – Políticos não se Confessam, de Roberto Andò

16/08 – Hell or High Water – Custe o que Custar!, de David Mackenzie, com Jeff Bridges

23/08 – Hidden Figures (Elementos Secretos), de Theodore Melfi

30/08 – Jackie, de Pablo Larraín, com Natalie Portman

Crianças e Sócios – 1 €

Adultos – 2€

 

28 de Junho, 19h: Três filmes de Manuel Mozos

28 de Junho 19h | “Cinzas e Brasas”

                               “A Glória de Fazer Cinema em Portugal”

                                  “Ruínas”

Realização: Manuel Mozos

“Cinzas e Brasas”

 

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Intérpretes: Ana Ribeiro, Gustavo Sumpta, Isabel Ruth

Portugal 2015 | Ficção | 21’ | M/12

Dulce (Isabel Ruth) é uma escritora que vive isolada no campo. Algures no tempo Dulce (Ana Ribeiro) conheceu Rui (Gustavo Sumpta), detido por um qualquer crime e sobre quem quis escrever um romance.

Agora, largos anos depois de terem perdido contacto Rui, já em liberdade, volta para encontrar Dulce… por quem ainda tem uma tórrida atracção.

O argumento de Luís Lopes leva o espectador a uma estranha viagem sobre a solidão, o desejo, a beleza, a loucura e os excessos. A “Dulce” interpretada por Ana Ribeiro aparenta ser uma mulher ambiciosa, alguém capaz e disposta a tudo para que os seus objectivos mais primários sejam satisfeitos e, no seu caso, estes prendem-se com a vontade extrema em alcançar fama e sucesso. Por sua vez a mesma “Dulce”, agora interpretada por Isabel Ruth, é uma mulher por quem o tempo passou, alguém que nunca conseguiu – ou quis – estabelecer qualquer tipo de relação mais pessoal e que passou pela vida sem realmente a viver apenas cumprindo objectivos de interesses concretos.

Agora que a vida parece dissipar-se muito rapidamente, “Dulce” regista uma solidão incomparável; vive só e não contacta com ninguém até que “Rui” surge novamente na sua vida, mas enquanto que os anos claramente passaram por ela e o envelhecimento seja notório, “Rui” é um homem com o mesmo olhar intenso pelo qual os anos não parecem ter surtido qualquer tipo de efeito.

Entre as brasas – o desejo ardente – e as cinzas – o apagar de uma vida – “Dulce” vive nas margens de uma lagoa como que numa espera de uma vida que não tem e de uma morte que será incerta, qual purgatório.

Isabel Ruth é, para quem ainda tinha dúvida, uma força. A confiança com que agarra as suas personagens não tem limites e desde o primeiro instante percebemos que aquela mulher que interpreta é maior do que a própria vida – independentemente de concordarmos ou não com a forma como a vive. Despojada – ao que percebemos – voluntariamente de qualquer tipo e laços e ligações em nome de um sucesso obtido graças ao(s) seu(s) romance(s), a sua “Dulce” é uma mulher que vive numa margem entre o desejo e a amargura. Alguém que pode eventualmente ter sentido a necessidade de partilhar a sua vida com alguém mas que, ao mesmo tempo, percebe que ao fazê-lo iria “condenar” a sua total liberdade e objectivos. Intensa e sedutora, a curta-metragem Cinzas e Brasas é um firme e criativo regresso de Manuel Mozos à direcção de uma obra de ficção e mais um excelente marco representativo de uma diva do cinema nacional como o é Isabel Ruth.

Excerto do texto publicado por Paulo Peralta no dia 29 de Abril de 2015 no sítio Cineuphoria. (http://cineuphoria09.blogspot.pt/)

 

“A Glória de Fazer Cinema em Portugal”

 

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Intérpretes: António Salgueiro, Cidália Moreira, Filipe Lito, Filomena Filipe, João Pontes, José Nobre, Maria Adelaide Maio, Maria das Dores Arteiro, Pedro Cardoso, Ricardo Leite, Samuel Mira, Sérgio Costa

Portugal 2015 | Ficção | 16’ | M/12

O título é todo um programa: A Glória de Fazer Cinema em Portugal.

Vem de uma carta endereçada pelo escritor José Régio ao seu amigo Alberto de Serpa, e define também a mais recente curta-metragem de Manuel Mozos, na forma de uma investigação sobre a origem de uma misteriosa bobina de filme mudo descoberta em casa de um habitante de Vila do Conde. Essa bobina corresponderia à estreia por trás da câmara de Régio, que manifestara na tal carta a intenção de fundar um grupo de cinéfilos dispostos a introduzir em Portugal o cinema artístico. A bobina, cuja existência nunca teria sido confirmada, teria sido o único resultado prático dessa ambição, visto que daí para a frente o escritor apenas surgiria ligado ao cinema através da crítica que escrevia na lendária revista Presença, ou em adaptações cinematográficas de obras suas – várias delas (como O Meu CasoBenilde ou a Virgem Mãe) assinadas por um grande amigo e companheiro seu de tertúlia chamado Manoel de Oliveira.

Duas semanas após a estreia de Glória de Fazer Cinema em Portugal no Curtas Vila do Conde, que produziu o filme, Manuel Mozos, sentado numa pastelaria lisboeta, ri-se ao recordar a reacção de uma espectadora à saída da sala. “Uma rapariga, lá de Vila do Conde, disse-me: ‘você a mim não me engana! Eu compro peixe todos os dias a uma daquelas senhoras!'”

A reacção da espectadora confirma a definição que Mozos faz desta curta-metragem encomendada pelo festival, que é, na verdade, uma invenção à volta de factos e pessoas reais. “É um divertimento,” explica, “e foi essa a intenção que tivemos.” O projecto inicial era muito mais documental, centrado na ligação do escritor ao cinema. “Fizemos uma investigação, junto de pessoas ligadas ao Régio e ao Oliveira, e deparámos no Centro de Memória de Vila do Conde com a carta, que existe realmente. A ideia de não nos cingirmos a uma coisa exclusivamente documental partiu do Miguel Dias”, um dos directores do Curtas e produtor do filme. E com a entrada em cena do investigador e artista vimaranense Eduardo Brito, que trabalhou o argumento, o filme descolou “cada vez mais em direcção à ficção”. “Mas sempre com a intenção de deixar uma coisa um pouco dúbia: até que ponto seria uma ficção ou se haveria aqui um lado verídico…”

É em parte isso que explica as constantes piscadelas de olho cinéfilas, cúmplices, de A Glória de Fazer Cinema em Portugal, que é dedicado a Manoel de Oliveira, e a outro dos elementos da tertúlia regular de Régio, o padre João Marques (1929-2015), que foi director do Centro de Estudos Regianos. Mozos reconhece a presença tutelar de Oliveira, embora o lendário cineasta portuense não tenha estado envolvido no projecto: “A Glória acaba por ter a ver com um certo humor do Manoel, particularmente em alguns filmes mais próximos da memória dele e da sua relação com o norte do país. Mas não foi uma coisa pensada. O filme foi delineado em 2014, ainda ele era vivo, mas a questão de se falar com ele durante o processo de produção estava um bocadinho posta de parte, devido ao seu estado de saúde.”

Jorge Mourinha 

“Ruínas”

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Portugal 2009| Documentário | 60’ | M/12

O cineasta Manuel Mozos filmou edifícios em decadência e ofereceu-lhes histórias. Nesse cruzamento de imagens e de textos fala-se, em “Ruínas”, de um país mais de misérias do que de grandezas. Isto é Portugal. “De grandes esperanças mas, ao mesmo tempo, de uma certa mesquinhez, uma coisa de remediado”. Belíssimo.

Há quanto tempo ninguém andava por aqui? Quem se lembra ainda do que aqui se passou?
Manuel Mozos tem por hábito ir anotando num caderno coisas destas: lugares, uma notícia que leu numa revista, uma referência de um texto. O que queria fazer em “Ruínas” – o filme, uma produção de O Som e a Fúria – era cruzar essas coisas. Queria filmar os espaços vazios, sim, mas queria povoá-los, dar-lhes vozes, sons, fazê-los habitar por fantasmas que, se calhar, não eram os fantasmas desses espaços – eram outros, que obrigaram os primeiros a chegar-se para o lado e a deixá-los instalar-se também.

“Ruínas” é uma sucessão de imagens de espaços que o país deixou para trás, que esqueceu, mas que não desapareceram. Muitos permanecem, de pé, numa dignidade silenciosa, abandonados mas não vencidos. Ninguém passa por eles, mas eles ainda ali estão.
“O que me interessa, quer nos espaços quer nos outros materiais que utilizo no filme, é serem coisas que acho interessantes e que se diluem, se perdem. Achava importante dar-lhes alguma vida, tentar que não desaparecessem completamente”, diz o realizador. Não se trata de um olhar nostálgico ou saudosista, sublinha. “Mas são sítios que têm um lado poético, de coisas que existiram, que fizeram parte de histórias deste país.”

Inicialmente pensou usar excertos de filmes antigos, postais, ou até encontrar pessoas que pudessem contar histórias sobre aqueles sítios. Pensou, inclusivamente, em alargar o filme a outras coisas que estavam a desaparecer, “profissões, jardins, matas, falar da transformação de certas coisas, da construção de campos de golfe ou do efeito das auto-estradas nos percursos dos animais”, não numa perspectiva sociológica mas apenas como uma constatação de que é assim. Mas à medida que ia filmando foi abandonando essa ideia. O filme foi-se tornando cada vez mais depurado até chegar ao essencial: espaços vazios e sons.

Alexandra Prado Coelho (Jornal Público)

 Manuel Mozos nasceu em Lisboa, em 1959. Tem o Diploma da Escola Superior de Teatro e Cinema, especialização em Montagem, área principal em que desenvolveu a sua actividade enquanto técnico. Trabalha no ANIM – Cinemateca Portuguesa, Museu do Cinema.

Filmografia resumida, enquanto realizador: Cinzas e Brasas [2015] • A Glória de Fazer Cinema em Portugal [2015] • João Benard Da Costa – Outros Amarão As Coisas Que Eu Amei [2014] • Ruínas [2009] • 4 Copas [2008] • Aldina Duarte: Princesa Prometida [2008] • Xavier [1991-2002] • …QuandoTroveja [1998] • Cinema Português…? Diálogos Com João Benard Da Costa [1996] • Lisboa No Cinema – Um Ponto De Vista [1994] •

Um Passo, Outro Passo E Depois… [1990]

Cinema ao Ar Livre – Programação

SPOTLIGHT, l-r: Rachel McAdams, Michael Keaton, Mark Ruffalo, Liev Schreiber, Brian D'arcy James, 2015. ©Open Road Pictures

À semelhança dos dois últimos anos, o Cineclube de Tomar vai realizar sessões de Cinema ao Ar Livre nas Piscinas Vasco Jacob (ao lado do Parque de Campismo), todas as 4ªs feiras de Julho e Agosto.

A programação será a seguinte:

06/07 – O Caso Spotlight, de Tom McCarthy (Óscar de Melhor Filme do Ano) Adiado para dia 21 de Julho, à mesma hora (21.30h)

13/07 – Truman, de Cesc Gay

20/07 – O Físico, de Philipp Stölzl

27/07 – Brigadoon: A Lenda dos Beijos Perdidos, de Vincent Minnelli

03/08 – Shun Li e o Poeta, de Andrea Segre

10/08 – Bus Stop, de Joshua Logan (com Marilyn Monroe)

17/08 – Sideways, de Alexander Payne

24/08 – Ruth & Alex, de Richard Loncraine (com Morgan Freeman e Diane Keaton)

31/08 – Sabrina, de Billy Wilder (com Audrey Hepburn e  Humphrey Bogart)

PREÇO ÚNICO – 1 €

 

21 de Junho, 19h: “A Casa das Mães”

 

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Realização: Philippe Constantini

Portugal 2015 | 131’ | M/12

 

Numa das minhas frequentes estadias em Lisboa conheci por acaso a Casa de Santo António e confesso que este lugar e o seu objectivo me fascinaram logo: uma casa que recebe adolescentes grávidas ou jovens mães, pré- ou recém-mamãs, e as tenta preparar para o futuro. Nos meus filmes procuro o encontro e testemunho de uma relação de confiança estabelecida ao longo do tempo e sobretudo uma cumplicidade com as pessoas filmadas. Durante dois anos, partilhei a vida destas jovens mães em plena adolescência, algumas só com 14 anos, assolada por conflitos pessoais e familiares decorrentes da sua nova situação. A regra que estabeleci para mim mesmo ao longo destas filmagens foi apenas a de acompanhar ao longo do tempo um grupo de pessoas, observar sem preconceitos os seus comportamentos para tentar entender a lenta e subtil transformação do seu ser. No vai e vem entre a aprendizagem individual do “tornar-se mãe” e a participação numa forma de vida colectiva surge uma transformação radical do comportamento e sobretudo da visão do mundo. É certo que nem tudo pode ser cor-de-rosa neste universo fechado, e inúmeras tensões e rivalidades surgem inevitavelmente. Como é que uma jovem mãe (ou futura mãe) enfrenta este novo estado com o qual é subitamente confrontada? Acabadas de sair da adolescência, estas jovens têm de bruscamente tornar-se adultas, mesmo antes de terem alcançado uma certa maturidade. Trata-se de enfrentar o maior desafio com a maior das responsabilidades: assegurar o bemestar e a segurança de uma criança. Como é que se instala essa noção de responsabilidade maternal e de amor por uma criança que, na maioria dos casos, não foi desejada? Como é que, ao longo de alguns meses, se adquire os valores ensinados pelos responsáveis que as rodeiam? Como é que se projeta o futuro?

Philippe Constantini

 

Philippe Costantini é um realizador francês especialmente ligado a Portugal, país onde viveu vários anos. Conheceu e trabalhou com alguns cineastas e técnicos portugueses (entre os quais António Reis, Fernando Matos Silva, Rui Simões, Alberto Seixas Santos, Acácio de Almeida…) e realizou vários documentários (uma trilogia sobre a aldeia de Vilar de Perdizes, rodada entre 1976 e 1988, com os filmes: Terra de Abril, Os Primos da América e Pedras da Saudade). Actualmente, regressa a Portugal várias vezes, onde permanece algum tempo. Philippe Costantini trabalhou muitos anos como director de fotografia nomeadamente nos filmes de Jean Rouch