Category Archives: Sessões Infantis

20 de Janeiro, 15.30h: “O Gangue do Parque”

Realização: Peter Lepeniotis

Versão dobrada em português

CAN/EUA/Coreia do Sul, 2014, 85′  M/6

Flecha é um esquilo que se tornou célebre pela sua personalidade enérgica e, mais ainda, pela sua infinita capacidade de se meter em sarilhos. Depois de uma situação que deixa a comunidade onde vive sem provisões para a próxima estação, Flecha é expulso. Desanimado e bastante infeliz, abandona o parque onde nasceu e segue em direcção à cidade grande, repleta de mistérios e onde os perigos espreitam a cada esquina. Lá chegado, e contra todas as probabilidades, depara-se com um lugar que sempre julgou existir apenas em contos de fadas: a mítica “Cidade Perdida de Avelândia”, onde os humanos se abastecem durante todo o ano dos mais variados tipos de frutos secos, desde os saborosos amendoins, avelãs e amêndoas até aos magníficos cajus fritos de que toda a vida ouviu falar. Mas esta loja, para grande infelicidade dos roedores da zona, não está propriamente ao abandono… Decidido a ultrapassar esse pequeno detalhe, Flecha tem de reunir um grupo de corajosos e elaborar um plano de assalto para chegar à comida que lhes irá garantir a sobrevivência para o Inverno que se prevê rigoroso… e que não tarda a chegar.
O GANGUE DO PARQUE conta com um impressionante elenco de personagens às quais dão voz Manuel Marques, Mila Belo, Pedro Granger, Sónia Tavares, Clara de Sousa, José Jorge Duarte, Bruno Ferreira, Marta Gil, Tiago Teotónio Pereira, José Nobre, Ricardo Monteiro e José Campos e Sousa.

 

 

 

 

 

 

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16 de Dezembro, 15.30h: “O Feiticeiro de OZ”

Realização: Victor Fleming

IntérpretesJudy Garland

Versão legendadaa em português

EUA, 1939, 102′  M/6

A 12 de Agosto de 1939, o filme de Victor Fleming estreou numa pequena cidade de Wisconsin, chegando a Portugal no ano seguinte, chegando a Portugal no ano seguinte.

Este autêntico conto de fadas de 1939 é baseado nas histórias de L. Frank Baum e fala sobre a jovem Dorothy, interpretada e imortalizada por Judy Garland, e o seu cão Toto, que são apanhados num tornado e catapultados para a terra de OZ. Aí, ela conhece três companheiros – um homem de lata, um espantalho e um leão cobarde – que a vão ajudar a encontrar o feiticeiro de OZ, que dizem ser capaz de a ajudar a regressar a casa.

Conhecido por músicas como “Over The Rainbow” ou “Follow The Yellow Brick Road”, o filme é um musical, adaptado por Noel Langley, cuja orquestração ficou ao cargo de George Bassman.

A estreia oficial, a 12 de Agosto de 1939, foi em Oconomowoc, uma pequena cidade do estado de Wisconsin. A estreia comercial numa escala nacional apenas aconteceu no dia 25 de Agosto desse ano. Na altura, as receitas de bilheteira estiveram perto de não cobrir os custos de produção e distribuição do filme, a rondar os dois milhões de euros. Hoje em dia, é aclamado não só a nível nacional, nos Estados Unidos, como em todo o mundo. Para o “American Institute Film”, este é o melhor filme de fantasia de todos os tempos, ranking atribuído o ano passado (2008).

ENTRADA LIVRE

 

 

 

 

 

 

21 de Outubro, 16.30h: “Ozzy”

Realização: Alberto Rodríguez

Versão dobrada em português

ESP/CAN, 2016, 90′ M/6

Ozzy é um jovem beagle que sempre viveu feliz com a sua família humana. Quando recebem a notícia de que ganharam uma viagem ao Japão, os humanos não cabem em si de contentes. O problema surge no momento em que percebem que nessa viagem não são permitidos cães. Decididos a deixar o seu grande amigo em boas mãos, optam por inscrevê-lo no Blue Creek, um spa para cães que se assemelha ao paraíso (canino, claro). Mas o que ele descobre assim que os donos viram costas é aterrador: afinal, Blue Creek é uma prisão gerida pelo terrível Sr. Silva, onde impera a lei do mais forte, a mais injusta e arbitrária regra alguma vez criada. Agora, para conseguir sobreviver até ao regresso da família, o que o inexperiente Ozzy tem de fazer é manter-se longe de sarilhos e perceber em quem confiar…
Um filme de animação que marca a estreia na realização de Alberto Rodríguez e Nacho La Casa. Na versão dobrada em português, as vozes são de Tiago Teotónio Pereira, Filipa Areosa, José Mata e Diogo Valsassina. PÚBLICO

 

 

 

 

 

 

15 de Julho, 15.30h: “A Canção do Mar”

Realização: Tomm Moore

Versão dobrada em português

DIN/BEL/IRL/LUX/FRA, 2014, 93′, M/6

Desde a trágica morte da sua mãe que Ben e Saoirse (vozes de David Rawle e Lucy O’Connell, respectivamente), de dez e seis anos, vivem num grande farol junto ao mar com o pai, um homem triste e amargurado. Um dia, Ben descobre que a irmã é uma fada que se pode transformar em foca e depois retornar à condição humana. E quando ela toca uma flauta feita de concha que pertencia à progenitora, consegue libertar seres mágicos presos numa terrível maldição. Agora, para que todas as criaturas encantadas possam recuperar os seus poderes e voltar a ser livres, os dois irmãos embarcam numa aventura onde terão de enfrentar os seus medos mais profundos…
Inspirado em vários mitos do folclore irlandês, “A Canção do Mar” conta com a realização de Tomm Moore que, com este filme, se viu nomeado pela segunda vez para o Óscar de Melhor Filme de Animação em 2015, depois de já o ter sido em 2010 com “The Secret of Kells” (2009), a sua estreia em cinema.

 

A magia das lendas na animação

Uma das grandes maravilhas do cinema de animação é o encontro com o mito, essa inspiração que primeiro tocou o universo literário, e só depois deu origem a filmes tão inesquecíveis como A Pequena Sereia (1989) ou, ainda recentemente, O Conto da Princesa Kaguya (2013). É nessa mesma fonte que vamos descobrir A Canção do Mar, de Tomm Moore, que respira a mitologia celta das terras irlandesas, convocando a lenda das Selkies: mulheres-focas que podiam viver com os humanos, quando despidas da sua pele animal. Moore, fiel às origens, situa a história numa remota ilha irlandesa, onde um faroleiro vive com os seus dois filhos – um rapaz irritadiço, Ben, e um menina mais nova, Saoirse, que parece ter guardado da mãe (desaparecida) a serenidade marítima. Os dois irmãos, levados pela avó paterna para a cidade, lançam-se numa aventura de retorno a casa que vai pôr em risco a vida da pequena Soirse, uma menina-foca.
Nomeado para o Óscar de animação em 2015, este conto familiar é de uma imensa subtileza, inteligência e sensibilidade, tanto na criação visual como narrativa. Um verdadeiro encanto.

Inês Lourenço, in DN Artes

 

 

 

 

 

 

17 de Junho, 15.30h: “A Minha Vida de Courgette”

 

Realização: Claude Barras

Versão dobrada em português

SUI/FRA, 2016, 66′, M/6

Courgette é a alcunha de Ícaro, um rapazinho de nove anos que, após a morte da mãe, é enviado para um orfanato. Apesar das circunstâncias trágicas que o levaram até ali, é exactamente nesse lugar que o pequeno vai encontrar o seu lugar no mundo. Ao seu lado terá Raymond, o polícia encarregue do seu caso que se tornou um grande amigo, assim como Simon e Camile, dois órfãos que, tal como ele, se viram subitamente sós e com quem vai partilhar os mesmos sentimentos de luto, tristeza e raiva, mas também a alegria das brincadeiras e a esperança de encontrar um novo lar…
Primeira longa-metragem do suíço Claude Barras, um filme de animação em “stop motion” que adapta a obra “Autobiographie d’Une Courgette” (2002) da autoria do escritor francês Gilles Paris. Estreado na edição de 2016 do Festival de Cinema de Cannes, “A Minha Vida de Courgette”, foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação 2017. PÚBLICO

 

Bonequinhos muito humanos

Distinguido com muitos prémios internacionais, “A Minha Vida de Courgette” é, no domínio da animação, uma das mais notáveis proezas dos últimos anos — a técnica usada envolve figurinhas filmadas pelo processo de “stop motion”.

Icare é uma criança que vive com a mãe alcoólica uma existência infeliz. Quase sempre sozinho no seu quarto, tem como passatempo a criação de construções com as latas de cerveja que a mãe consome em grande quantidade — ela chama-lhe “Courgette” e ele gosta disso. Um dia, de forma acidental, Icare provoca a morte da mãe, acabando por ser colocado numa instituição para órfãos…

Poderia ser a sinopse de um drama pungente, servido por interpretações em que sentimos a pele e o sangue das personagens. E é-o, num certo sentido, com uma pequena e sugestiva diferença: “A Minha Vida de Courgette” é um filme com bonequinhos animados (pela técnica stop motion), consagrado internacionalmente com muitas distinções, incluindo a de melhor longa-metragem de animação nos Prémios de Cinema Europeu — nos Oscars, nessa mesma categoria, esteve entre os nomeados mas não ganhou.

Filme perceptível apenas pelos adultos? Solução de compromisso entre a visão dos mais velhos e as sensibilidades dos mais novos? Em boa verdade, não creio que seja muito interessante “rotular” um objecto tão original a partir de especulações sobre o “seu” público — estamos, afinal, perante uma narrativa com elementos susceptíveis de mobilizar a atenção de qualquer espectador, de qualquer faixa etária.

Realizado pelo suíço Claude Barras, “A Minha Vida de Courgette” distingue-se pelo rigor das suas composições — nomeadamente no tratamento de gestos e olhares —, mas também pela precisão da sua narrativa. Confirma-se, aliás, uma velha máxima desta área de produção: independentemente das técnicas utilizadas, o trabalho de argumento é vital para a criação de um ambiente capaz de mobilizar o nosso olhar. Por isso, aqueles bonequinhos de movimentos sincopados são maravilhosamente humanos.

Crítica de João Lopes

 

 

 

 

 

 

11 de Março, 17.00h: “O Menino e o Mundo”

o-menino-e-o-mundo-847494l-1600x1200-n-c81d3d3eRealização: Alê Abreu

IntérpretesVinicius Garcia (Voz), Marco Aurélio Campos (Voz), Lu Horta (Voz)

Brasil, 2013, 80′, M/6

Um menino abandona a sua aldeia para procurar o pai, descobrindo um mundo dominado por seres estranhos e fantásticos.
Uma animação extraordinária, com várias técnicas artísticas (lápis de cor, giz de cera, colagem e aguarela), que retrata as questões do mundo moderno através do olhar de uma criança.
A realização é do brasileiro Alê Abreu que, com este filme, se viu nomeado para um Óscar da Academia (2016), na categoria de Melhor Filme de Animação. 

17 de Dezembro, 15.30h: “O Principezinho”

 

o-principezinho-blogRealização: Mark Osborne

Intérpretes: SarPaul Rudd (Voz), Rachel McAdams (Voz), Mackenzie Foy (Voz), James Franco (Voz), Marion Cotillard (Voz), Benicio Del Toro (Voz), Jeff Bridges (Voz), Paul Giamatti (Voz), Vincent Cassel (Voz), Ricky Gervais (Voz)

Versão dobrada em português: Rita Blanco, Paulo Pires, Joana Ribeiro, Rui Mendes e Francisco Monteiro

FRA, 2015, 108′

Uma menina vive com a sua mãe, uma mulher de tal modo obcecada com o futuro da filha que tem tudo delineado para cada hora de vida da criança. Os testes de admissão para um colégio muito conceituado são a grande preocupação do momento e nada, nem ninguém, parece demovê-la dos planos. Para ela, nada pode ser deixado ao acaso. Um certo dia, a pequena conhece o vizinho da casa ao lado, que lhe envia um desenho num pequeno avião de papel. Esse homem, que em tempos fora aviador, conta-lhe histórias das suas viagens e de como conheceu, em pleno deserto, um principezinho louro que lhe disse viver no asteróide B612. Com este novo amigo, a menina vai conhecer uma história de amizade que a mudará para sempre…
Produzido pela Onyx Films, um filme de animação realizado por Mark Osborne (“O Panda do Kung Fu”). O argumento, da responsabilidade de Irena Brignull e Bob Persichetti, baseia-se numa das mais importantes obras infantis de todos os tempos, escrita pelo ilustrador e piloto francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) e publicada, pela primeira vez, em 1943.
Na versão inglesa as vozes são emprestadas pelos actores Jeff Bridges, Rachel McAdams, Riley Osborne, Paul Rudd, Marion Cotillard, James Franco, Benicio del Toro, Ricky Gervais, Bud Cort, Paul Giamatti, Albert Brooks e Mackenzie Foy. Na versão dobrada em português, as vozes são de Rita Blanco, Paulo Pires, Joana Ribeiro, Rui Mendes e Francisco Monteiro, entre outros. PÚBLICO

 

Uma bela recriação da herança de Saint-Exupéry

No panorama natalício do cinema, “O Principezinho”, de Mark Osborne, constitui uma magnífica excepção — uma recriação da obra de Saint-Exupéry que combina, de forma original e inventiva, duas técnicas de animação.

No panorama global dos desenhos animados, sabemos do muito talento (e também do enorme poder económico) que está envolvido em marcas como a Disney ou Pixar, Apesar disso, ou precisamente por causa disso, vale a pena mantermos o olhar disponível e reconhecer que o campo da animação está longe de se esgotar nos títulos que ostentam aquelas chancelas (pertencendo a Pixar, desde 2006, ao império Disney).

A nova versão de “O Principezinho” (apresentada extra-competição em Cannes/2015) surge como um belíssimo exemplo de um modelo animação que, embora integrando o digital, propõe um desvio pleno de consequências narrativas e dramáticas.

Em boa verdade, este é um objecto “dividido” em dois registos de animação — um mais corrente, digital, precisamente, para figurar a vida da menina que ocupa o centro da história; outro assumidamente primitivo, valorizando o desenho tradicional e as técnicas do stop-motion.

Quer isto dizer que a herança temática e simbólica do livro encantado de Antoine de Saint-Exupéry (cuja primeira edição data de 1943) se apresenta recriada através de um dispositivo que não se esgota em qualquer atitude banalmente “ilustrativa”. Trata-se, afinal, de definir uma experiência em que a monotonia de um quotidiano gerido por regras pouco humanas se desagrega face à alegria criativa do mundo das aventuras e fábulas.

Produção de origem francesa, originalmente concebida em duas versões (francesa e inglesa), o filme realizado por Mark Osborne (americano que dirigiu, por exemplo, “O Panda do Kung Fu”, em 2008) distingue-se como um evento realmente invulgar nesta quadra natalícia — pelas suas qualidades intrínsecas, e também porque nos leva a relativizar, repensar e reavaliar os padrões dominantes do cinema de animação.

Crítica de João Lopes