31 de Janeiro, 19h: “Paris 13”

Fic | Fran | 2021 | M/16 | 105’
Realização: Jacques Audiard
Interpretação: Noémie Merlant , Makita Samba , Lucie Zhang

“Paris 13”, o mais recente filme de Jacques Audiard (“Ferrugem e Osso, “De Tanto Bater O Meu Coração Parou”) é um daqueles filmes que tem como protagonista um bairro, uma cidade dentro da cidade que é Paris. Les Olympiades, como assim são conhecidas, são umas torres residênciais situadas na 13ª arrondissement da cidade, desenhadas pelo arquiteto Michel Holley. Construídas na década de 1970 com o propósito de atrair jovens profissionais, nestas Olympiades tudo é espetáculo, e o olho cinematográfico de Audiard encontra nelas um sintoma do nosso próprio tempo: grande cinema este, um choque frontal entre o urbanismo fanático da organização dos Homens no espaço, e a fisicalidade táctil dos ecrãs de telemóvel, essas praças virtuais a que dedicamos a nossa atenção – mas também o nosso corpo.
O flime de Audiard, que na verdade vai beber inspiração a “Les Intrus”, uma banda desenhada com autoria de Adrian Tomine publicada em 2015, fala sobre a experiência de viver numa metrópole no século XXI. Nesta adaptação para o grande ecrã, o realizador contou também com a colaboração de argumentistas de luxo: Céline Sciamma (a realizadora de “Retratro de uma Rapariga em Chamas” e do mais recente “Petite Maman”) e Léa Mysius (realizadora de “Ava”, mas também uma colaboradora regular de Arnaud Desplechin, para quem já escreveu um par de filmes). Um trabalho polifónico sobre uma cidade hiper polifónica, “Paris 13” é focado na história de três protagonistas.

Émilie (Lucie Zhang), uma jovem com descendência taiwanesa que vive sozinha num apartamento da avó de quem está encarregue de cuidar; Camille (Makita Samba), um professor de secundário prestes a abandonar o seu emprego para se poder dedicar à sua tese de doutoramento, e que se torna inquilino de Émilie; e Nora (Noémie Merlant), uma jovem mulher que decide regressar à grande cidade para se afastar de um relacionamento abusivo na sua cidade natal, e que aproveita a situação para continuar os estudos na universidade. No filme de Audiard, filmado num preto e branco que é todo um statment, a ação narrativa inclina-se frequentemente para uma pose que apetece dizer metafórica, como se os personagens fossem peões de um Xadrez jogado fora de campo, um jogo do qual nunca parecem ter sequer verdadeira noção.
É aqui que reside a maior qualidade do flime, na forma como Audiard vai ao encontro do moderno a partir do fascínio pela abstração, num tom suficientemente ambíguo para que se possa afirmar com certeza se celebra ou se aponta o dedo a este nosso mundo, um mundo que promete a utopia da comunidade, mas que teima em fazer dos Homens ilhas. Ninguém dúvida que o trio de protagonistas possa realmente existir (claro que existem), mas por outro fica sempre a impressão que os contornos biográficos que os torna nas pessoas que são pouco importam. Mas isso não impede que haja aqui um convite ao reconhecimento: na maneira como Émilie desgasta a alma num call center, por exemplo; ou na maneira como todos procuram encontrar no sexo uma espécie de elixir da juventude, um “escape” capaz de os tornar imunes às arestas mais cortantes do mundo (ao amor, a precaridade do trabalho, às relações familiares complexas…).
De uma forma muito geral, e pela forma como cruza o destino dos protagonistas, dir-se-ia que o filme de Audiard está mais interessado numa antropologia das relações na grande cidade, que propriamente na exploração da psicologia humana na era da internet. E é por aí, por esse discurso que paira sobre o filme que tem como pretexto a internet, que o preto e branco da fotografia mais fascina. É um contraste irónico (até mesmo pela tonalidade “feia” dos cinzentos em particular), como se cinema pudesse afinal desacelerar essa vertigem da presença imediata e constante do ciberespaço, esse super 24/7 hardcore dos corpos belos responsável pelo sismo narrativo do edífcio do filme, e que coloca a história em movimento quando Nora é confundida por uma cam girl (Jehnny Beth, a vocalista dos Savages, aqui numa primeira aparição cinematográfica).

Feitas as contas, é um belo regresso de Audiard.

Escrito para C7nema.net.

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17 de Janeiro, 19h: “Panreal, um edifício de Nadir Afonso”

– Realização: José Paulo Santos

Sinopse

Em 1965 foi construído na cidade de Vila Real em Portugal um edifício modernista pela mão do arquiteto Nadir Afonso. São muitas as memórias vividas numa panificadora que chegou a produzir 80.000 pães por dia. As entidades competentes viraram as costas à Panreal ao inverso de inúmeros teimosos populares. A condenação e a controvérsia de mãos separadas.

Trailer

Entrevista RTP

Esta sessão contará com a presença do Realizador e de alguns intervenientes no filme e resulta de uma parceria entre o Plano Extraordinário – Cineclube de Tomar e as Unidades de I&D TECHN&ART, CGEO e Cátedra UNESCO de Humanidades e Gestão Integrada do Território

6 de Dezembro, 19h: “A Chiara”

Fic | Franc. Ita. | 2021 | M/12 | 121’

Realização: Jonas Carpignano

Interpretação: Swamy Rotolo, Claudio Rotolo, Grecia Rotolo

“A Chiara” marca o último capítulo de uma trilogia temática e geográfica de Jonas Carpignano. Antes de chegar aos cinemas portugueses com distribuição da Leopardo Filmes, a obra passou por Cannes, onde ganhou um galardão na Quinzena dos Realizadores. Mais tarde, durante a temporada de prémios da indústria, “A Chiara” foi nomeado em três categorias dos Film Independent Spirit Awards – Melhor Montagem, Melhor Fotografia e Melhor Filme.

Em 2015, Jonas Carpignano, realizador italo-americano que cresceu entre Roma e Nova Iorque, assinou a sua primeira longa-metragem. “Mediterrânea” seguiu a viagem de dois homens que emigram de África para a Europa, chegando ao fim do seu caminho em Calábria. A obra serviu como retrato da experiência do refugiado, usando não-atores para alcançar uma espécie de Neorrealismo Italiano transplantado do pós-guerra para o novo milénio. Esse foi somente o início de uma jornada cinematográfica pela qual Carpignano se propôs a capturar a essência da região.

Para sua segunda longa-metragem, o cineasta alterou a direção do seu olhar, passando de uma comunidade marginalizada para outra que sofre preconceitos diferentes. Ao invés de refugiados africanos, “A Ciambra” é um estudo de personagem sobre juventude Romani, acompanhando o amadurecimento de um rapaz forçado a lidar com expetativas comunitárias, pressões sociais e tradições masculinas. Alguns dos atores amadores de “Mediterrânea” aparecem como personagens secundárias, fixando um cordão umbilical entre os dois filmes.

Semelhantes ligações se fazem entre “A Ciambra” e “A Chiara,” com algumas das crianças Romani a aparecerem neste novo filme. Aqui, Calabriano, Jonas Carpignano salta dos marginalizados para aqueles com poder, apesar de se manter num paradigma que vive nas sombras da sociedade mainstream. Desta vez é a máfia que lhe chama a atenção, mas mesmo aqui o realizador aborda o milieu por uma via inesperada. Conhecemos a família Guerrasio em cena festiva, quase que em paródia do prelúdio nupcial de “O Padrinho,” mais famoso filme sobre gangsters italianos na História do Cinema.

Ao invés de um casamento, contudo, temos festa de anos. A filha mais velha de Claudio e Carmela celebra o 18º aniversário numa ocasião marcada pela união familiar e inocência adolescente. Movem-nos pelo espaço não numa afiliação com os adultos, mas sempre com os jovens. Nomeadamente, a câmara segue Chiara, irmã mais nova da aniversariante e menina dos olhos de ouro para seu pai. A atmosfera assim se desenvolve numa graciosa mistura de caos e ordem, realismo europeu de câmara ao ombro e o melodrama sem rumo da protagonista.

Não que haja muito melodrama nessa noite. Carpignano usa o festejo para introduzir as personagens, mas pouco avança o parco enredo da fita. Esse começa a desenrolar-se no dia seguinte, quando o patriarca desaparece sem deixar rasto. De repente, a subjetividade da câmara assume-se enquanto prisão do espetador. Estamos tão perto de Chiara que partilhamos a sua miopia e, ao seu lado, entendemos que existem muitos segredos entre o clã Guerrasio. Só gradualmente é que “A Chiara” se manifesta enquanto retrato da máfia em Calábria.

O esclarecimento do espetador é feito ao mesmo ritmo que a personagem titular o experiencia, dando novo contexto o trabalho de câmara como uma ferramenta central da história visual ao invés de uma mera convenção de género. Também a montagem e o som sublinham as frustrações de Chiara, sua vontade por saber mais, de ouvir as conversas que se calam cada vez que ela entra na sala. A perda de inocência é inevitável e dá estrutura a um exercício que poderia facilmente cair na amorfia da observação passiva.

Acima de tudo, trata-se de uma tragédia do conhecimento. Enquanto vivia na sua santa ignorância, Chiara era uma princesa feliz em seu reino cheio de festa e fartura. Cada verdade que descobre é um novo transtorno, uma nova razão para odiar aquilo que outrora lhe definia a felicidade, aqueles que outrora eram seus heróis. O niilismo cresce no seu coração, a certeza de que nada importa num cosmos definido pela violência. O texto jamais resvala em moralismos desnudos, mas é difícil não sentir no peito a viagem sentimental da heroína.

Apesar de a duração de duas horas ser um tanto excessiva, este é o trabalho mais polido no repertório de Jonas Carpignano. Essa polidez significa que alguma crueza foi sacrificada, mas também indica uma rica evolução enquanto artista. O seu trabalho com os intérpretes merece especial aplauso. Como sempre, ele empregou amadores, focando-se no seio da família Rotolo, aqui rebatizada como Guerrasio. Os laços de sangue fazem-se sentir na sua semelhança, mas também na intimidade como coexistem no espaço. Tal autenticidade intensifica o jogo narrativo e faz com o que espetador se sinta quase como um voyeur – Neorrealismo com ares de cinéma vérité.

Escrito por Cláudio Alves para Magazine-hd

22 de Novembro, 19h: “Embargo”

Fic | Port | 2010 | M/12 | 80′

Realização: António Ferreira

Interpretação: Filipe Costa, Cláudia Carvalho, Pedro Diogo

«Embargo» – O Mundo Absurdo de Saramago

Andava António Ferreira na escola de cinema em Lisboa, quando começou a filmar “Embargo”, baseado no conto como mesmo título da obra “Objecto Quase” de José Saramago. Na altura o projecto acabou por ficar guardado na gaveta, já lá vão mais de vinte anos. Foi durante a última grande greve dos camionistas em Portugal que lhe surgiu a ideia de voltar a filmar “Embargo”. Inicialmente previu realizar uma curta-metragem, tendo recebido um subsídio de 43000€ do ICA. No entanto, o projecto acabou por se tornar numa longa-metragem, produzida pela produtora do próprio realizador, Persona Non Grata Pictures e contou ainda com a co-produção de Vaca Films (Espanha), Diler e Associados(Brasil) e Sofá Filmes (Portugal). Depois da antestreia no Fantasporto em Março deste ano, onde recebeu uma Menção Honrosa do Júri Internacional, o filme estreou agora nas salas nacionais, com boas críticas, sendo que é considerado como uma “história negra e absurda de que os irmãos Coen se lembrariam”.

“Embargo” conta a história de Nuno, um homem que trabalha numa roulotte de bifanas, inventou uma máquina que promete revolucionar a indústria do calçado – um digitalizador de pés. A acção passa-se durante um embargo petrolífero em que Nuno tenta obcecadamente vender a máquina, ofuscado por um sucesso que o fará descuidar-se de algumas coisas importantes da sua vida, como a família. Quando Nuno fica estranhamente preso no seu próprio carro e perde uma oportunidade única de finalmente produzir o seu invento, vê inesperadamente a sua vida embargada.

Esta é a terceira adaptação de José Saramago ao cinema, depois de “Jangada de Pedra”, de Georges Sluizer (2000), e “Ensaio Sobre a Cegueira” (2008 ), de Fernando Meirelles. Embora as obras de Saramago sejam muito cinematográficas, muito visuais, não são fáceis de se adaptar. Tal como em todas as obras de Saramago, esta não deixa de ser de cariz social, fazendo uma crítica aos monopólios petrolíferos. O conto “Embargo” é muito curto, é uma anedota absurda e de humor negro. Tiago Sousa escreveu um fantástico argumento, que consegue ser ainda melhor que o conto original de Saramago. Nesta história onde tudo é possível, onde o mundo do absurdo impera, nada nos é justificado. O que de certa forma é bom. A conclusão a que podemos chegar é que há coisas na vida que são difíceis de explicar. Por outro lado, elas não acontecem por acaso.

A realização de António Ferreira é de destacar com nota máxima. O filme está muito bem realizado, com movimentos de câmara excelentes, que marcam o ritmo do filme. A fotografia, da autoria de Paulo Castilho, é outra característica positiva do filme, com tons acastanhados, consegue criar um mundo, por vezes onírico. Também a Banda Sonora, da autoria de Luís Pedro Madeira, é adequada para o género de filme. O elenco apesar de pequeno é grandioso. Filipe Costa, o protagonista, é sem dúvida um actor promissor. No elenco figuram ainda Cláudia Carvalho, Pedro Diogo, José Raposo e Fernando Taborda.

“Embargo” é o reflexo do novo cinema português e talvez um dos melhores filmes portugueses deste ano. Penso que não será um filme bem aceite pelo público em geral, pela dificuldade na compreensão da história, que apesar de simples, é complexa na medida em que nada é, aparentemente, justificado. Assim é Saramago!

Escrito em 2010 por Tiago Resende para cinema7arte

8 de Novembro, 19h: “Alma Viva”

Fic | Port. Fran. Bél | 2022 | M/14 | 86’

Realização: Cristèle Alves Meira

Interpretação: Lua Michel, Ana Padrão, Jacqueline Corado

“Alma Viva”, de Cristèle Alves Meira: a assombração do cinema na casa das bruxas

Alma Viva, a primeira longa metragem de Cristèle Alves Meira e o filme escolhido pela Academia Portuguesa de Cinema para candidato nacional aos Óscares deste ano, chega finalmente aos cinemas, no próximo dia 3, em mais de 30 salas em todo o país. Com antestreias em Vimioso (concelho em que o filme foi rodado), Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Viana do Castelo e Porto.

Em Alma Viva, Cristèle Alves Meia propõe-nos a evocação de uma memória situada onde ficaram cristalizados elementos da sua própria identidade. Algo que nos descreve, na nossa entrevista, com a singeleza de um cinema encantado e simples nos seus processos. É isto um filme feito com alma, com vida. Depois da apresentação no passado festival de Cannes, na Semana da Crítica, alem de diversos outros certames, como recentemente, o festival Seminci, em Vailladolid, chegou a hora de desfrutar Alma Viva também nos nossos cinemas.

Este é um filme onde a cineasta parece voltar à morada de onde nunca saiu. Pois, apesar de viver em França, a cineasta luso-francesa regressou regularmente com a família a Junqueira, a terra da mãe, uma aldeia de Trás-os-Montes, no concelho de Vimioso. Uma viagem concretizada agora com a sua primeira longa metragem, ainda que, de certa forma, já esboçada nos ensaios das curtas anteriores, Campo de Víboras (2016) e Sol Branco (2015), provavelmente já com a mira neste projecto maior, em que a sua própria memória parece ser filtrada pelo olhar de Salomé/Lua Michel, uma menina de 10 anos, sua filha, que seguramente importa reminiscências do seu próprio passado.

Sim, é uma história que evoca não só a interioridade de Portugal, a emigração, mas também a bruxaria, as festas locais, as máscaras, crenças religiosas ancestrais e até temas que podem transformar os adultos em monstros por questões financeiras e heranças. Inesperadamente, um tema adequado até ao espírito de Halloween, com Trás-os-Montes a revelar-se bem mais talhado que muitas produções milionárias de Hollywood. Nesse aspecto, assume relevo a fotografia discreta e sempre tão próxima de Rui Poças ao criar ambientes e desenhos de luz que nos remetem para algo que se torna muito familiar como as nossas recordações.

A menina Salomé (Lua Michel) chega à aldeia, vinda de França, com os pais, e logo assume um território que conhece os seus passos, os locais, os animais, os segredos, o sotaque particular. Ali mesmo onde as mulheres parecem ter a fibra que falta aos poucos homens que ainda não partiram. Sobretudo Salome que terá um “corpo aberto”, como lhe recorda a avó, qualquer coisa presa no ADN, mas que é o suficiente para sobressaltar aquela pequena comunidade.

Em redor desta simplicidade juvenil, e profundamente feminina, ausculta a realizadora memórias muito familiares, invocando um certo realismo bucólico (ou mágico!) e familiar, ainda que paredes meias com um universo de uma carga de crenças mais profundas. Como aquelas que a avó (tremenda Ester Catalão) evoca nas lengalengas, rezas e preces aos santos, suficientes para acordar entidades lendárias que desafiam os incrédulos. Sempre com a robustez e franqueza transmontana com que a avó ou Fátima (Ana Padrão) advertem a pequena Salomé com um carinhoso “tem muito cuidado minha filha”.

Central é, de resto, a cena da morte da avó, ocorrida em circunstâncias traumáticas, não só por libertar na pequena Salomé todas as crenças que partilhava, mas também por expor de uma forma crua os interesses mais mesquinhos da família, que logo ultrapassa o corpo da defunta para privilegiar interesses pessoais.

É um pouco este registo em que o universo infantil se joga com os enigmas, mais ou menos compreensíveis, mais ou menos funestos, dos adultos, com a espantosa Lua Michel a adquire um papel decisivo. Na verdade, ela transporta o filme (e nós com ele) pelo seu olhar peculiar diante as coisas, os objectos e os seres. Tal como Ana Padrão, de alguma forma invocando um prolongamento da sua presença de Campo de Víboras, em mais uma avassaladora entrega de corpo e alma.

Será até nessa possibilidade de vermos mais o filme através da perspectiva de Salomé do que pelos adultos que toda essa dimensão surreal, onírica e terrífica adquira contornos singulares. Como se os seus pensamentos acentuassem os comportamentos desajustados dos adultos. Porque será que este filme nos convocou a memória de algumas referências fílmicas? Como as pequenas descobertas da vida pelas personagens de Aniki Bobó, a primeira ficção de Manoel de Oliveira, ou os segredos e o ambiente arrepiante de Night of the Hunter, o único filme de Charles Laughton. Ou até a proposta de uma elevação de alma que nos fez pensar na singeleza de A Palavra, de Dreyer. É claro que não são as referências que importam, pois o que nos propõe este filme habitado por algo que não dominamos é talvez essa liberdade de olhar e descobrir.

Escrito por Paulo Portugal para “Comunidade Cultura e Arte”