Category Archives: Cinema ao Ar Livre

30 de Agosto, 21.30h – Piscinas: “Jackie”

Realização: Pablo Larraín

Intérpretes: Natalie PortmanPeter SarsgaardGreta Gerwig

ALE/Índia, 2015, 115′ M/12

Jacqueline Kennedy tinha apenas 34 anos quando o seu marido foi eleito presidente dos Estados Unidos. Elegante, chique e inescrutável, tornou-se instantaneamente num ícone, uma das mulheres mais famosas do mundo, com o seu gosto pela moda, decoração e artes amplamente admirado. Mas a 22 de Novembro de 1963, durante uma viagem de campanha a Dallas, John F. Kennedy é assassinado – e o fato cor-de-rosa de Jackie é manchado com o sangue do marido. Ao embarcar no Air Force One de volta a Washington, o mundo de Jackie – incluindo a sua fé – está completamente destruído. Traumatizada e transtornada, enfrenta na semana seguinte o inimaginável: consolar os seus dois filhos, desocupar a casa que tinha cuidadosamente restaurado, e planear o funeral do marido. Jackie rapidamente percebe que os próximos sete dias determinarão como a história irá definir o legado de seu marido – e como ela própria será lembrada. JACKIE é um retrato intransigente duma mulher tanto icónica quanto misteriosa, bem como uma reflexão sobre fé, história, mitologia e perda.

 

Filmando a tragédia de Jacqueline Kennedy

“Jackie”, de Pablo Larraín, é um prodigioso retrato da intimidade de uma mulher e do seu destino trágico.

De que falamos quando falamos de Jacqueline Kennedy? A pergunta justifica-se, entre outras razões, porque pressentimos que, de uma maneira ou de outra, a sua representação (nomeadamente em ficções televisivas) tem surgido quase sempre, não como uma personagem autónoma, mas “a reboque” da do Presidente John F. Kennedy. Compreendemos que assim seja, já que JFK é uma referência central no imaginário político americano — mas era tempo de dar, aliás, devolver uma vida própria à personagem.

Assim faz Pablo Larraín neste filme prodigioso que é “Jackie”. E não deixa de envolver alguma amarga ironia que tal aconteça, inevitavelmente, a partir de JFK — e, mais concretamente, do seu assassinato, em Dallas, no dia 22 de Novembro de 1963. De que se trata? Uma evocação/reconstituição à maneira dos convencionais telefilmes “históricos”? Nada disso: antes um vibrante e comovente reencontro com Jacqueline Kennedy, quer dizer, com um ser humano finalmente encenado a partir das convulsões da sua identidade.

O que Larraín propõe não é, por isso, uma narrativa linear, antes uma colagem (admiravelmente elaborada) em que uma entrevista dada poucos dias depois da morte de JFK nos conduz ao cerne de uma personalidade fragmentada. Jackie foi, afinal, o símbolo de um ideal conjugal, familiar e político, consagrado nas lendárias referências à mitologia do Rei Artur e de Camelot (e também ao musical homónimo da Broadway). Através da entrevista, ela aponta o cerne da questão. A saber: os contrastes vividos entre a celebração de uma miragem utópica e as verdades mais básicas da existência na Casa Branca.

Num certo sentido, Pablo Larraín, cineasta chileno, retoma aqui algumas das obsessões que já marcavam os seus filmes sobre a ditadura de Augusto Pinochet, em especial “Post Mortem” (2010), no qual se evoca o golpe que pôs fim ao governo de Salvador Allende. O confronto com a evidência indizível da morte acaba por funcionar como um radical desafio para Jackie — como lidar com o absurdo de uma existência subitamente despojada de todas as suas projecções imaginárias?

Através de um espantoso ziguezague de lugares e situações, integrando de forma admirável alguns documentos audiovisuais da época, Larraín faz um verdadeiro filme-de-luto em que a definição da personagem de Jackie é, necessariamente, central. Por isso mesmo, dizer que Natalie Portman (nomeada para o Oscar) começa por conseguir uma impressionante “duplicação” de Jacqueline Kennedy é francamente insuficiente: acima de tudo, ela sabe expor a ambivalência de uma mulher invulgar, oscilando sempre entre a figura idealizada e as componentes muito reais da sua condição de mãe e símbolo cultural — este é, em última instância, um filme que nos volta a ensinar a difícil arte de lidar com a complexidade dos seres humanos e das suas tragédias mais íntimas.

Crítica de João Lopes

publicado in CineMax, 08 fevereiro ’17

 

 

 

 

 

 

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23 de Agosto, 21.30h – Piscinas: “Hidden Figures – Elementos Secretos”

Realização: Theodore Melfi

Intérpretes: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst

EUA, 2016, 127′ M/12

Início da década de 1960. Os EUA e a União Soviética encontram-se em plena Guerra Fria. A disputa pela corrida espacial entre as duas potências é uma evidência e nenhum dos países está disposto a perder a oportunidade de colocar o primeiro homem no espaço. Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson são três mulheres afro-americanas cujos cérebros brilhantes lhes valeram cargos na NASA, apesar da segregação racial e sexual ser uma realidade. Numa época em que os computadores eram ainda muito rudimentares, foram as suas extraordinárias capacidades de cálculo matemático que definiram as complexas trajectórias que tornaram possível colocar na órbita da Terra o astronauta John Glenn, no dia 20 de Fevereiro de 1962. Tornou-se assim o primeiro norte-americano a fazê-lo (o soviético Yuri Alekseyevich Gagarin, a bordo da nave Vostok 1, já o tinha conseguido em Abril do ano anterior).
Com realização de Theodore Melfi (“Um Santo Vizinho”), segundo um argumento seu e de Allison Schroeder, um filme que se inspira na obra biográfica “Hidden Figures – The American Dream and the Untold Story of the Black Women Mathematicians Who Helped Win the Space Race”, em que a escritora de Margot Lee Shetterly relata a história das três visionárias que tiveram de lutar contra o preconceito numa época em que ser mulher e negra era ainda um grande entrave ao sucesso. Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Jim Parsons, Glen Powell e Mahershala Ali dão vida às personagens. PÚBLICO

 

 

 

 

 

16 de Agosto, 21.30h – Piscinas: “Hell or High Water – Custe o Que Custar!”

Realização: David Mackenzie

Intérpretes: Dale Dickey, Ben Foster, Chris Pine, Jeff Bridges

:EUA, 2016, 102′ M/16

Dois irmãos ameaçados de expropriação estão determinados a salvar a casa de família: Toby é um pai solteiro que faz os possíveis para assegurar o sustento dos seus filhos; Tanner, por seu lado, é um ex-presidiário com um sentido de justiça muito próprio. Para conseguirem a quantia necessária para conservar a propriedade, resolvem assaltar as várias sucursais do banco que os ameaça com a penhora. Tudo acontece de um modo relativamente pacífico até se cruzarem com Marcus Hamilton, um ranger do Texas à beira da reforma, conhecido pela inteligência e pelas capacidades de observação. Hamilton traça assim o perfil e as motivações dos dois assaltantes, antecipando os seus golpes e perseguindo-os por todo o território norte-americano até que um deles cometa um erro fatal…
Com realização de David Mackenzie (“Young Adam”, “Playboy Americano”, “O Sentido do Amor”) e argumento de Taylor Sheridan (que escreveu “Sicário – Infiltrado”), um “western” que conta com a participação de Chris Pine, Ben Foster, Jeff Bridges, Dale Dickey e Gil Birmingham, entre outros. PÚBLICO

Nas paisagens do “western”

O “western” continua vivo no interior da produção americana, servindo, neste caso, para encenar um drama muito contemporâneo: “Custe o que Custar” é um “thriller” dos nossos dias que exibe as marcas temáticas e simbólicas de algumas aventuras do velho Oeste

Se nos lembrarmos de um filme como “The Getaway/Tiro de Escape” (1972), de Sam Peckinpah, com Ali MacGraw e Steve McQueen, podemos começar por caracterizar a longa (por vezes, fascinante) agonia temática e simbólica do “western”. Que é como quem diz: o “western” deixou de ser a epopeia de conquista do Oeste americano, para passar a existir como matriz para outros dramas, agora situados no nosso presente.

“Custe o que Custar” (título original: “Hell or High Water”) é um descendente directo dessa lógica. Curiosamente realizado por um escocês, David Mackenzie, trata-se de uma narrativa que se desenvolve como um “thriller” de investigação e perseguição, embora conservando as paisagens, físicas e metafóricas, do “western”.

Os dois ladrões (Chris Pine e Ben Foster) perseguidos pelo xerife (Jeff Bridges), devidamente apoiado pelo seu ajudante de ascendência índia (Gil Birmingham), surgem, assim, como figuras de um presente permanentemente assombrado pelos valores e códigos das aventuras do velho Oeste — e tanto mais quanto, paradoxalmente, nestes austeros cenários do Texas, detectamos as marcas de muitas formas de decomposição social e económica.

Combinando um elaborado sentido de contemplação com a arte de sugerir as ambiguidades dos comportamentos, eis um filme que sabe situar-se face a um património riquíssimo, sem cair em qualquer facilidade meramente copista. Não será, por certo, através de “Custe o que Custar” que o “western” voltará a ser um género florescente no interior da máquina de Hollywood — o certo é que face a alguns super-heróis enredados nos seus artifícios digitais, é salutar encontrar este gosto pelas pessoas e pelos seus lugares.

Crítica de João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

 

 

9 de Agosto, 21.30h – Políticos não se Confessam”

Realização: Roberto Andò

Intérpretes: Toni ServilloDaniel AuteuilPierfrancesco Favino

ITA/FRA, 2016, 108′ M/12

Preparado para fazer importantes mudanças no panorama económico mundial, Daniel Roché (Daniel Auteuil), director do Fundo Monetário Internacional, dirige-se a uma convenção do G8, na Alemanha, onde se vai reunir com os ministros da Economia de todos os países envolvidos. A acompanhá-lo está Roberto Salus (Toni Servillo), um monge italiano que ali está para cumprir uma incumbência particularmente insólita: servir de confessor ao fim daquele dia. Na manhã seguinte, Roché é encontrado morto…
Escrito e realizado por Roberto Andò (autor de “Viva a Liberdade”, que também teve Servillo como protagonista), “Políticos Não se Confessam” conta ainda com a participação de Connie Nielsen, Pierfrancesco Favino, Marie-Josée Croze, Moritz Bleibtreu, Lambert Wilson e Daniel Auteuil. PÚBLICO

 

 

 

 

 

2 de Agosto, 21.30h – Piscinas: “Deusas em Fúria”

Realização: Pan Nalin

Intérpretes: Tannishtha ChatterjeeAnuj ChoudhryRajshri Deshpande

ALE/Índia, 2015, 115′ M/12

Frieda, uma conhecida fotógrafa de moda, resolve organizar a sua festa de casamento e convida para uma semana em Goa, Índia, na casa da sua família, algumas das melhores amigas. De idades e mundos diferentes, encontram-se em momentos muito específicos das suas vidas. Estes dias servirão para celebrar a amizade, a união e a liberdade possíveis numa sociedade marcadamente patriarcal. Porém, esta festa de despedida será também o palco de revelações inesperadas, onde as alegrias se vão misturar com tristezas, desgostos e alguns desenganos.
Apresentado no Festival de Cinema de Toronto (Canadá), um filme sobre a amizade feminina, numa cultura onde elas ainda lutam pela igualdade de direitos. O argumento e realização fica a cargo de Pan Nalin (“Samsara”, “Valley of Flowers”). O elenco conta com Sandhya Mridul, Tannishtha Chatterjee, Sarah-Jane Dias, Anushka Manchanda, Amrit Maghera, Rajshri Deshpande, Pavleen Gujra e Adil Hussain. PÚBLICO

 

 

 

 

 

26 de Julho, 21.30h – Piscinas: “Lion – A Longa Estrada para Casa”

Realização: Garth Davis

Intérpretes: Rooney MaraNicole KidmanDev Patel

EUA/Austrália/GB, 2016, 120′

Em 1986, Saroo, de cinco anos, perdeu-se do irmão perto de uma estação de comboios. Quando se refugiou numa das carruagens para descansar, acabou por ser levado para Calcutá (Índia), por onde vagueou sozinho durante semanas, sem saber que estava a 1500 quilómetros de casa. Apesar de todas as dificuldades, conseguiu sobreviver até ser encontrado por um centro de crianças abandonadas e posteriormente adoptado por Sue e John Brierley, um casal australiano. Agora, 25 anos passados, e a viver na Tasmânia com a família adoptiva, Saroo começa a ter algumas reminiscências do que se terá passado no dia em que se perdeu da família. Desolado, mas com uma necessidade imensa de descobrir as suas verdadeiras origens, estuda a linha de caminho-de-ferro através do Google Maps. Com algumas informações somadas a pressentimentos sobre lugares e pessoas, Saroo viaja até à Índia, na esperança de encontrar algo que lhe indique novamente o caminho para casa…
Um filme dramático realizado por Garth Davis segundo um argumento de Luke Davies. A história baseia-se na obra autobiográfica “A Long Way Home”, de Saroo Brierley. Dev Patel, Nicole Kidman, Rooney Mara, David Wenham e Sunny Pawar dão vida às personagens. PÚBLICO

 

 

 

 

 

31 de Agosto, 21.30h – Piscinas: “Sabrina”

 

Sabrina 1

Realização: Billy Wilder

Intérpretes: Audrey Hepburn, Humphrey Bogart, William Holden

EUA, 1954, 113′

“Sabrina” é um dos filmes mais conhecidos de Billy Wilder e uma das suas melhores comédias. O cineasta parte da adaptação de uma peça teatral de Samuel Taylor para apresentar um conto de fadas moderno que tem por base a história da Cinderela. Audrey Hepburn faz uma das suas melhores interpretações no papel de Sabrina, a filha de um motorista que regressa de Paris transformada numa mulher elegante e deslumbrante.

Sabrina está apaixonada por David Larrabee (William Holden), o simpático e inconsequente filho de uma família da alta sociedade. Apesar de ser a filha do motorista dos Larrabee, Sabrina nunca sentiu que não pertencia àquele mundo de riqueza. Agora, David dá-lhe toda a atenção e acaba por se apaixonar por ela. Mas Linus (Humphrey Bogart), o irmão mais velho de David, quer que ele case com a filha de um importante industrial e vai tentar conquistar Sabrina para pôr fim ao romance.

O filme recebeu seis nomeações da Academia de Hollywood e um Óscar para Edith Head na categoria de melhor figurino.