2 de Julho, 19h: “A Casa Junto ao Mar”

Realização: Robert Guédiguian

Intérpretes: Ariane Ascaride, Jean-Pierre Darroussin, Gérard Meylan, Jacques Boudet, Anaïs Demoustier, Robinson Stévenin, Yann Trégouët, Geneviève Mnich, Fred Ulysse, Dioucounda Koma

FRA, 2017, 107′  M/12

Numa pequena baía perto de Marselha fica uma pitoresca “villa” detida por um velho senhor. Os seus três filhos juntam-se na aldeia para os últimos dias do pai: Angela, uma actriz a viver em Paris, Joseph que se apaixonou por uma mulher com metade da sua idade e Armand o único que nunca saiu de Marselha e que gere o pequeno restaurante da família. É tempo de aferir o que cada um herdou dos ideais do pai e do espírito de comunidade que o mesmo criou neste lugar mágico. A chegada de um grupo de refugiados ao largo irá transformar estes momentos de reflexão num turbilhão de emoções.

 

«La Villa» (A Casa Junto ao Mar) por Jorge Pereira

http://www.c7nema.net/critica/item/49261-la-villa-a-casa-junto-ao-mar-por-jorge-pereira.html

Há três elementos destacáveis na cinematografia de Robert Guédiguian: as suas personagens mostram sempre as suas convicções e exalam as suas ideias de forma afincada, mas sempre com naturalidade, introspecção e um sentido intelectual no debate; a sua postura e ideais de “esquerda” frequentemente levam-no a um cinema denso com temas sociais abordados e organizados por camadas (mesmo nas incursões históricas de época), sempre com um grande sentimento, familiaridade e humanismo, provavelmente fruto de inspiração biográfica, já que é filho da “classe trabalhadora”; ao recorrer tantas vezes aos seus atores fetiche – Ariane Ascaride e Jean-Pierre Darroussin. – cria uma forte consistência na sua obra e verdadeiras marcas de autor..

Neste A Casa Junto ao Mar, Guéguidan leva-nos novamente às suas raízes ao mostrar a região das calanques de Marselha, onde após um velho homem ter um enfarte, é visitado pelos familiares. De um lado temos a filha, Angèle (Ariane Ascaride), uma atriz que após a morte da sua própria filha há 20 anos – quando ela estava ao cuidado do seu pai – levou ao seu distanciamento. Do outro temos Joseph (Jean-Pierre Darroussin), um homem que surge com a namorada muito mais nova, Béràngere (Anaïs Demoustier). Há ainda um outro filho, que nunca abandonou a região que outrora estava sempre cheia de vida e que agora se transformou num pouso turístico sazonal, onde apenas alguns ainda vão, tendo uma vida na pesca, ou então em pequenos estabelecimentos.

Este é um filme sobre o sarar de feridas, não só familiares, mas sociais, de laços de amizade e até de relacionamentos amorosos tardios, tudo marinado sobre uma grande dose de nostalgia sem esquematismos, sendo pelo meio debatidos temas como a desertificação humana, a pressão turística sobre os habitantes que restam, a pressão dos bancos, o racismo, a xenofobia e derradeiramente até mesmo questões contemporâneas que assolam a Europa. E Guéguidan faz tudo isso de forma apaixonante e introspetiva, com uma boa dose de cabeça e coração, não se quedando na superficialidade dos temas, embora nunca os explore exaustivamente.

O resultado final é um filme aparentemente simples, de revisitar o passado e repensar o futuro, mas existe uma complexidade em cada personagem, nos temas e na própria localidade (que o realizador diz que lhe lembra um palco teatral) que gera um apaixonante e esperançoso drama de reflexão.

 

 

 

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