29 de Janeiro, 19h: “Praça Paris”

Realização: Lúcia Murat

Intérpretes: Grace Passô, Joana de Verona, Marco Antonio Caponi, Alex Brasil, Babu Santana

POR/BRA/ARG, 2017, 110′  M/14

Camila é uma psicóloga portuguesa que chegou ao centro de terapia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, com o objectivo de estudar casos de violência. Glória trabalha como ascensorista na mesma universidade. A primeira é uma mulher privilegiada, proveniente de boas famílias; a segunda, pelo contrário, tem uma história de vida difícil: foi abusada sexualmente pelo pai desde pequena e apenas o irmão Jonas, um criminoso cadastrado, lhe serve como ponto de apoio. Camila tenta ajudar Glória com os seus problemas em sessões de terapia. À medida que o tempo avança e a terapeuta começa a notar o ambiente que rodeia Glória, vê-se dominada pelo medo. Por seu lado, Glória parece cada vez mais dependente das sessões…

Um “thriller” sobre violência, medo e desigualdades sociais, realizado pela brasileira Lúcia Murat – “A Memória Que me Contam” (2012) e “Maré, Nossa História de Amor” (2007). No elenco, participam Grace Passô, Alex Brasil, Marco Antonio Caponi, Digão Ribeiro, Babu Santana, ngelo Flavio e também a portuguesa Joana de Verona. PÚBLICO

 

O filme “Praça Paris” é um olhar certeiro sobre o Brasil contemporâneo
Uma produção luso-brasileira, espelho dos traumas da sociedade brasileira, com o talento de Joana de Verona.

Pode-se-lhe colocar o rótulo de thriller psicológico, entre a urbe e a favela, na problemática cidade do Rio de Janeiro. Mas Praça Paris é sobretudo uma subtil metáfora sobre a incapacidade de comunicação entre mundos, na radicalmente assimétrica sociedade brasileira contemporânea. E sobre o socalco que existe entre a teoria e a prática.
De um lado, temos Camila (Joana de Verona), uma jovem psicóloga portuguesa, cheia de boas intenções, com ganas de melhorar o mundo em redor. Parte de uma posição de superioridade. Ela tem os conhecimentos técnicos e científicos, o domínio psicológico. Vive do lado de cima da sociedade, do lado das oportunidades. Contudo, é generosa e empenhada, com a frescura académica.
Do outro lado, aparece Glória (Grace Passô), sua paciente, irmã de um temível criminoso, que Camila tenta resgatar do submundo. É pobre, vivida, com a escola da favela e todos os seus dramas. A argumentação empenhada de Camila, por vezes com grande veemência, vai, lentamente, alcançando frutos, mexendo sobretudo com a confiança e a esperança.

Glória, ao princípio renitente, acaba por agarrar a mão que a puxa e a ajuda a querer mudar de vida. Só que, no momento em que tenta fazê-lo, a mão começa a esquivar-se. Camila não aguenta o embate com a realidade e cede ao medo e à paranoia. Como que se invertem os papéis: a superioridade psicológica passa para o outro lado. Onde havia coragem há cobardia, e vice-versa. Glória não se torna propriamente uma stalker, mas Camila age como se ela o fosse. Até ao mais aterrador desespero. No fundo do túnel, afinal, não há uma luz e as balas resvalam sempre para o mesmo lado.

Manuel Halpern, in Visão Sete

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