15 de Janeiro, 19h: “Gilda”

Realização: Charles Vidor

Intérpretes: George Macready, Glenn Ford, Joseph Calleia, Rita Hayworth, Steven Geray

EUA/ARG, 1946, 105′

Ballin Mundson, um homem sinistro, com uma enorme cicatriz no rosto, é proprietário de um casino ilegal, em Buenos Aires. Um dia conhece Johnny Farrel, jogador em maré de azar, e salva-o de ser roubado e assassinado na rua. Farrel torna-se o braço-direito de Mundson, servindo-o com absoluta lealdade. A entrada em cena de Gilda, uma mulher sensual e exuberante com quem Mundson casou durante uma das suas frequentes viagens, vai dar início a um triângulo amoroso bizarro, marcado pelo sado-masoquismo e pela misoginia.. Hayworth, que trabalhou num cabaret antes de se tornar actriz, submeteu-se às exigências dos estúdios de Hollywood e mudou completamente o seu aspecto físico, desfazendo-se das características latinas para se transformar no protótipo da “mulher-fatal”. Não foi preciso mais do que a sua participação em “Gilda” e a sequência do “strip-tease” para sugir o mito Hayworth, que se colou à actriz como uma segunda pele, e de que nunca mais conseguiu libertar-se.
——————————————————————————————————————————–

Após a Grande Depressão nos E.U.A. muitos filmes policiais, repletos de intrigas e suspense, foram feitos. Inspirados nos filmes de terror dos anos 30 e no Expressionismo Alemão, eles se tornaram um imenso sucesso de crítica e público. Esses foram os chamados filmes Noir. E Gilda (Gilda, EUA , 1946), de Charles Vidor foi um dos filmes de maior destaque nessa época.

Estrelando Rita Hayworth, como a sedutora protagonista, temos uma das primeiras películas a explorar a sensualidade feminina sem cair na vulgaridade. Johnny Farrell (Glenn Ford) é um vigarista e em um jogo de cartas se envolve em problemas. Sua vida é salva por Ballin Mundson (George Macready), dono de um famoso clube noturno na cidade de Buenos Aires. A amizade deles é abalada quando Mundson retorna de uma viagem com a nova esposa Gilda, que havia sido namorada de Farrell no passado.

A Segunda Guerra Mundial teve seu fim em 1945, esse fato influenciou diretamente no filme. Finalmente, o mundo respirava um pouco de paz após tantos anos de caos, os bon vivants começaram a dar as caras e os cassinos se tornaram um refúgio. A mulher começa a conquistar alguns de seus direitos e sua voz ecoa no cinema. Ela deixa de ser vista como um ser passivo e se torna centro de atenções e discussões.

O diretor Charles Vidor conseguiu mesclar com maestria todo o clima de suspense com a sensualidade de Gilda. Rita Hayworth se tornou mundialmente famosa por causa de sua personagem, que foi considerada uma das primeiras femme fatales do cinema. Uma cena memorável é a que ela canta Put the blame on Mame no cassino, ao retirar as luvas enquanto dança. A canção foi criada justamente para o filme e até hoje é listada como um dos momentos mais sensuais do cinema.

Gilda é um clássico porque conseguiu reunir todas as características do bom cinema: sensualidade sem vulgaridade, intrigas e um bom suspense. Comparado com o cinema atual, ele pode ser considerado um filme inocente. O simples ato de tirar as luvas era considerado obsceno, o que dizer das tentativas cinematográficas de hoje, que mostram atrizes nuas sem motivo aparente, que exploram a sensualidade da mulher de forma vulgar? São questões como essas que tornam Gilda um filme eterno, um verdadeiro clássico do cinema.

http://interrogacao.com.br/2010/07/critica-gilda/

ENTRADA LIVRE

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.