11 de Dezembro, 19h: “Fim de Semana no Ascensor”

Realização: Louis Malle

Intérpretes: Jeanne Moreau, Maurice Ronet, Lino Ventura

FRA, 1958, 91′ M/12

Louis Malle foi assistente de Bresson em 1956 (“Un Condamné a mort s’est echappé”) e estreia-se em 1958 com “Ascenseur pour l’échafaud / Fim-de-semana no Ascensor”, galardoado com o Prémio Louis Delluc para o melhor filme francês do ano. Este thriller policial com música de Miles Davis e uma fotografia desinibida e cheia de frescura, interpretado por uma actriz que viria a ser um dos rostos do cinema da Nouvelle Vague, Jeanne Moreau, antevia já o memorável ano de 59, o ano de “Os Quatrocentos Golpes”, de Truffaut, de “O Acossado”, de Godard, de “Hiroshima, Meu Amor”, de Resnais, e foi por muitos visto como uma das influências para o “novo cinema” que estava a chegar;

 

O filme de Louis Malle, com Jeanne Moreau e Maurice Ronet, possui uma dimensão mítica que não pode ser dissociada da sua banda sonora — a música de “Fim de Semana no Ascensor” tem assinatura de Miles Davis.

Miles Davis em Paris? É verdade. No final dos anos 50, começo da década de 60, o genial trompetista foi presença regular na capital francesa, a ponto de se envolver no filme “Fim de Semana no Ascensor” (1958), um projecto de Louis Malle — este é mais um dos títulos na série de reposições de clássicos do cinema francês que constitui um dos grandes acontecimentos da nossa temporada cinéfila de Verão.

Esta é uma história passional que se cruza com componentes de uma intriga policial. Ou seja: com a cumplicidade do seu amante Julien, Florence decide assassinar o marido… Em boa verdade, estamos perante uma “inversão” da clássica investigação “quem, como, onde?”. Afinal, desde o começo temos a chave do mistério: o verdadeiro tema é a resistência dos laços amorosos no interior de uma tão conturbada conjuntura moral.

Fotografado a preto e branco pelo grande Herin Decaë, “Fim de Semana no Ascensor” decorre, afinal, de um subtil trabalho de síntese entre uma certa tradição melodramática francesa e as referências, mais ou menos “expressionistas”, do cinema “noir” de Hollywood. Hábil gestor de tais influências, Malle é também um excelente director de actores — e o par Jeanne Moreau/Maurice Ronet funciona admiravelmente num registo de muitas e delicadas sugestões eróticas.

Impõe-se, além do mais, uma precisão histórica. É bem certo que, não poucas vezes, situamos o arranque simbólico da Nova Vaga francesa nesse ano mágico de 1959 em que surgiram “O Acossado”, “Os 400 Golpes” e “Hiroshima, Meu Amor”, respectivamente de Jean-Luc Godard, François Truffaut e Alain Resnais. Pois bem, importa alargar o calendário e lembrar que, um ano antes, Malle era também um criador apostado em encontrar novas sínteses entre o clássico e o moderno — aliás, ainda em 1958, ele assinou ainda o magnífico “Os Amantes”, também com Jeanne Moreau.

Crítica de João Lopes

 

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