16 de Agosto, 21.30h – Piscinas: “Hell or High Water – Custe o Que Custar!”

Realização: David Mackenzie

Intérpretes: Dale Dickey, Ben Foster, Chris Pine, Jeff Bridges

:EUA, 2016, 102′ M/16

Dois irmãos ameaçados de expropriação estão determinados a salvar a casa de família: Toby é um pai solteiro que faz os possíveis para assegurar o sustento dos seus filhos; Tanner, por seu lado, é um ex-presidiário com um sentido de justiça muito próprio. Para conseguirem a quantia necessária para conservar a propriedade, resolvem assaltar as várias sucursais do banco que os ameaça com a penhora. Tudo acontece de um modo relativamente pacífico até se cruzarem com Marcus Hamilton, um ranger do Texas à beira da reforma, conhecido pela inteligência e pelas capacidades de observação. Hamilton traça assim o perfil e as motivações dos dois assaltantes, antecipando os seus golpes e perseguindo-os por todo o território norte-americano até que um deles cometa um erro fatal…
Com realização de David Mackenzie (“Young Adam”, “Playboy Americano”, “O Sentido do Amor”) e argumento de Taylor Sheridan (que escreveu “Sicário – Infiltrado”), um “western” que conta com a participação de Chris Pine, Ben Foster, Jeff Bridges, Dale Dickey e Gil Birmingham, entre outros. PÚBLICO

Nas paisagens do “western”

O “western” continua vivo no interior da produção americana, servindo, neste caso, para encenar um drama muito contemporâneo: “Custe o que Custar” é um “thriller” dos nossos dias que exibe as marcas temáticas e simbólicas de algumas aventuras do velho Oeste

Se nos lembrarmos de um filme como “The Getaway/Tiro de Escape” (1972), de Sam Peckinpah, com Ali MacGraw e Steve McQueen, podemos começar por caracterizar a longa (por vezes, fascinante) agonia temática e simbólica do “western”. Que é como quem diz: o “western” deixou de ser a epopeia de conquista do Oeste americano, para passar a existir como matriz para outros dramas, agora situados no nosso presente.

“Custe o que Custar” (título original: “Hell or High Water”) é um descendente directo dessa lógica. Curiosamente realizado por um escocês, David Mackenzie, trata-se de uma narrativa que se desenvolve como um “thriller” de investigação e perseguição, embora conservando as paisagens, físicas e metafóricas, do “western”.

Os dois ladrões (Chris Pine e Ben Foster) perseguidos pelo xerife (Jeff Bridges), devidamente apoiado pelo seu ajudante de ascendência índia (Gil Birmingham), surgem, assim, como figuras de um presente permanentemente assombrado pelos valores e códigos das aventuras do velho Oeste — e tanto mais quanto, paradoxalmente, nestes austeros cenários do Texas, detectamos as marcas de muitas formas de decomposição social e económica.

Combinando um elaborado sentido de contemplação com a arte de sugerir as ambiguidades dos comportamentos, eis um filme que sabe situar-se face a um património riquíssimo, sem cair em qualquer facilidade meramente copista. Não será, por certo, através de “Custe o que Custar” que o “western” voltará a ser um género florescente no interior da máquina de Hollywood — o certo é que face a alguns super-heróis enredados nos seus artifícios digitais, é salutar encontrar este gosto pelas pessoas e pelos seus lugares.

Crítica de João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

 

 

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