11 de Julho, 19h: “O Grande Fúsi”

Realização: Dagur Kári

Intérpretes: Gunnar JónssonIlmur KristjánsdóttirSigurjón KjartanssonMargrét Helga Jóhannsdóttir

Islândia/DIN, 2015, 94′ M/12

Fúsi é um quarentão pacato e introvertido que chegou à idade adulta sem nunca ter amadurecido verdadeiramente. A morar em casa da mãe, sente consolo nas pequenas rotinas da sua vida, que pouco ou nada mudaram ao longo dos anos. Um dia, ao tentar a sua primeira aula de dança, conhece Sjöfn, uma mulher que, apesar de perturbada, o vai obrigar a quebrar velhos hábitos, alterando, para sempre, a monotonia em que tem vivido
Estreado na 65.ª edição do Festival de Cinema de Berlim, esteve também em competição no Festival de Tribeca (EUA), onde arrecadou os prémios para melhor filme, actor e argumento. A realização e argumento são da responsabilidade de Dagur Kári (“Nói, o Albino”, “O Bom Coração”). A dar vida às personagens estão actores como Gunnar Jónsson, Ilmur Kristjánsdóttir ou Sigurjón Kjartansson.

 

Gigante de bom coração

Há momentos em Desajustados (O Grande Fúsi ) que dá vontade de dar um chacoalhão no protagonista, Fúsi, tamanha sua apatia diante de injustiças, a grande maioria delas contra a sua pessoa. Mas não adiantaria nada e, na verdade, essa passividade serve como uma espécie de manto protetor para esse moço tão sereno. O desejo que o espectador sente de vê-lo revidar, por exemplo, o ataque dos bullies que o atormentam no trabalho, é típico de quem assiste a filmes americanos. A reação clichê para a situação vexatória que ele passa em um vestiário só poderia ser um surto de fúria. Mas essa é uma coprodução entre Dinamarca e Islândia e o que se vê na tela jamais cai na mesmice.

Como o leitor pode perceber nas imagens, Fúsi é imenso, forte, mas seu tamanho é proporcional à sua timidez. Aos 43 anos, ele ainda vive com a mãe a parece uma criança gigante. Seus passatempos são brincar com a garotinha que é sua vizinha ou se debruçar sobre a incrível recriação em miniatura de um combate da Segunda Guerra, hobby que compartilha com um amigo que também coleciona soldadinhos e tanques. A virgindade entra no pacote, obviamente, mas Fúsi não tem nenhum problema mental e sim um profundo acanhamento social. A solidão reflete em seu olhar de cachorro abandonado. É um personagem cativante, daqueles que estimulam o instinto maternal.

Sua monótona rotina tem inúmeras adversidades, mas ele não se queixa, vai levando. A chance da virada se insinua quando o namorado da mãe lhe presenteia com a matrícula de um curso de dança. E ali Fúsi conhece uma moça que vai tirá-lo do marasmo. Quem conta essa história é Dagur Kári, diretor de O Bom Coração (2009), em que Paul Dano faz um sem-teto abrigado pelo dono de bar vivido por Brian Cox. A mesma ternura impera em Desajustados, e o plural do título é uma dica de quem tem mais gente precisando de ajuda em cena.

O curioso nos créditos é a assinatura de Baltasar Kormákur como produtor. O diretor dos filmes de ação Dose Dupla (2013) e Evereste (2015) parece querer se reciclar nesse projeto independente que investe nas relações humanas. Desajustados é uma obra comovente que desvia das soluções fáceis, mas nem por isso perde a esperança. A produção foi bem no circuito de prêmios, com destaque no Festival de Tribeca de 2015, em que venceu como melhor narrativa, ator (Gunnar Jónsson) e roteiro.

http://revistapreview.com.br/critica/desajustados-gigante-de-bom-coracao/

 

 

 

 

 

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