20 de Junho, 19h: “Esta Terra é Nossa”

Realização: Lucas Belvaux

Intérpretes: Émilie Dequenne, André Dussollier, Guillaume Gouix

FRA/BEL, 2017, 117′ M/14

Pauline, uma enfermeira num distrito mineiro no Norte de França educa os seus dois filhos sozinha e cuida do pai, um operário da siderurgia reformado. Dedicada e generosa, os seus pacientes adoram-na e contam com ela.Ainda assim, ninguém se apercebe que Pauline, que enfrenta uma realidade social cada vez mais dura, lentamente começa a seguir um caminho nunca antes seguido por ninguém da sua família. Um partido nacionalista em ascensão, em busca de respeitabilidade, aproveita-se da sua popularidade, tornando-a na sua candidata às eleições locais…

 

A Frente Nacional e Marine Le Pen apontaram o dedo a “Esta Terra É Nossa” ainda antes de este ser exibido, o que é uma óptima razão para ir ver o filme e gostar.

A Frente Nacional e Marine Le Pen apontaram o dedo a Esta Terra É Nossa ainda antes de este ser exibido, o que é uma óptima razão para ir ver o filme e gostar (mas não a única).

Acusaram-no de “propaganda anti-FN”, ainda por cima em ano de presidenciais que ameaçam tombar a frágil balança europeia. E Lucas Belvaux, que é belga, sabe bem que a polémica oferece uma dimensão extra ao filme: Pauline é uma jovem enfermeira com dois filhos de um pai ausente convidada para cabeça-de-lista nas eleições autárquicas pelo Bloco Patriótico, liderado por Agnès Dorgelle, uma populista com um discurso xenófobo com uma capa de nacionalismo (como habitual).

É um interessante olhar sobre a realidade política e social francesa, onde o momento mais assustador é quando uma multidão canta A Marselhesa e percebemos como há ódios tão ancestrais que se tornaram tradição: “Marchemos! Marchemos; que um sangue impuro fertilize as nossas terras (Marchons, marchons; qu’un sang impure abreuve nos sillons)”

Mas Belvaux esforça-se demasiado para que Pauline seja apenas uma pessoa comum num mundo que não compreende – tornando-a demasiado ingénua, a ponto de não reconhecer uma enorme tatuagem fascista que o namorado tem nas costas. E o final é demasiado fraco para uma situação tão explosiva.

Crítica de Tiago R. Santos, in Sábado

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