17 de Junho, 15.30h: “A Minha Vida de Courgette”

 

Realização: Claude Barras

Versão dobrada em português

SUI/FRA, 2016, 66′, M/6

Courgette é a alcunha de Ícaro, um rapazinho de nove anos que, após a morte da mãe, é enviado para um orfanato. Apesar das circunstâncias trágicas que o levaram até ali, é exactamente nesse lugar que o pequeno vai encontrar o seu lugar no mundo. Ao seu lado terá Raymond, o polícia encarregue do seu caso que se tornou um grande amigo, assim como Simon e Camile, dois órfãos que, tal como ele, se viram subitamente sós e com quem vai partilhar os mesmos sentimentos de luto, tristeza e raiva, mas também a alegria das brincadeiras e a esperança de encontrar um novo lar…
Primeira longa-metragem do suíço Claude Barras, um filme de animação em “stop motion” que adapta a obra “Autobiographie d’Une Courgette” (2002) da autoria do escritor francês Gilles Paris. Estreado na edição de 2016 do Festival de Cinema de Cannes, “A Minha Vida de Courgette”, foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação 2017. PÚBLICO

 

Bonequinhos muito humanos

Distinguido com muitos prémios internacionais, “A Minha Vida de Courgette” é, no domínio da animação, uma das mais notáveis proezas dos últimos anos — a técnica usada envolve figurinhas filmadas pelo processo de “stop motion”.

Icare é uma criança que vive com a mãe alcoólica uma existência infeliz. Quase sempre sozinho no seu quarto, tem como passatempo a criação de construções com as latas de cerveja que a mãe consome em grande quantidade — ela chama-lhe “Courgette” e ele gosta disso. Um dia, de forma acidental, Icare provoca a morte da mãe, acabando por ser colocado numa instituição para órfãos…

Poderia ser a sinopse de um drama pungente, servido por interpretações em que sentimos a pele e o sangue das personagens. E é-o, num certo sentido, com uma pequena e sugestiva diferença: “A Minha Vida de Courgette” é um filme com bonequinhos animados (pela técnica stop motion), consagrado internacionalmente com muitas distinções, incluindo a de melhor longa-metragem de animação nos Prémios de Cinema Europeu — nos Oscars, nessa mesma categoria, esteve entre os nomeados mas não ganhou.

Filme perceptível apenas pelos adultos? Solução de compromisso entre a visão dos mais velhos e as sensibilidades dos mais novos? Em boa verdade, não creio que seja muito interessante “rotular” um objecto tão original a partir de especulações sobre o “seu” público — estamos, afinal, perante uma narrativa com elementos susceptíveis de mobilizar a atenção de qualquer espectador, de qualquer faixa etária.

Realizado pelo suíço Claude Barras, “A Minha Vida de Courgette” distingue-se pelo rigor das suas composições — nomeadamente no tratamento de gestos e olhares —, mas também pela precisão da sua narrativa. Confirma-se, aliás, uma velha máxima desta área de produção: independentemente das técnicas utilizadas, o trabalho de argumento é vital para a criação de um ambiente capaz de mobilizar o nosso olhar. Por isso, aqueles bonequinhos de movimentos sincopados são maravilhosamente humanos.

Crítica de João Lopes

 

 

 

 

 

 

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