13 de Junho, 19h: “Paraíso”

Realização: Andrei Konchalovski

Intérpretes: Peter Kurth, Yuliya Vysotskaya, Viktor Sukhorukov

RUS/ALE, 2016, 130′, M/12

Durante a Segunda Grande Guerra, cruzam-se uma aristocrata russa emigrada em França e que colabora com a Resistência, um francês que trabalha com os nazis e um oficial alemão de alta patente das SS. Vencedor do Leão de Prata no Festival de Veneza (Melhor Realização), este drama do veterano Andrei Konchalovsky foi o candidato russo aos Óscares 2016.

 

Rostos e vozes da guerra

É um dos grandes acontecimentos do momento e ficará, por certo, como um título fundamental de todo o ano de estreias: “Paraíso”, do russo Andrei Konchalovsky, reencena as memórias trágicas da Segunda Guerra Mundial.

É bem provável que para muitos espectadores — sobretudo os que construíram a sua percepção através de um mercado dominado por “blockbusters” (“bons” ou “maus”, não é isso que está em causa) — Andrei Konchalovsky não passe de um nome sem significado. E, no entanto, estamos perante um dos autores essenciais da história do cinema soviético e russo (europeu, enfim) do último meio século.

O seu título mais recente, “Paraíso” — distinguido com um Leão de Prata (melhor realização) em Veneza —, constitui uma das mais espantosas abordagens do Holocausto produzidas em anos recentes. Nesta perspectiva, e para além das diferenças de estilos e contextos, este é um filme que não podemos deixar de aproximar de “O Filho de Saul”, de László Nemes (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro referente a 2015), voltando a sublinhar a vontade de refazer, sobretudo para as novas audiências, as memórias da Segunda Guerra Mundial.

Colocando-se muito para além de qualquer noção rudimentar de “reconstituição” histórica, Konchalovsky cria uma teia de factos e memórias que passa pela evocação da vida de três personagens: um colaboracionista francês, funcionário do governo de Vichy (Philippe Duquesne); uma condessa russa que ajuda a Resistência (Yuliya Vysotskaya);  e um oficial das SS alemãs encarregado de fiscalizar o funcionamento dos campos de extermínio (Christian Clauss).

Arquitectando um puzzle de rostos e vozes (sustentado por “entrevistas” cujo enigma temporal acompanhará todo o filme), Konchalovsky encena, em última instância, a tensão brutal que se estabelece entre os destinos individuais e as forças colectivas. Mais do que um típico “filme-de-guerra”, “Paraíso” desenvolve-se como uma perturbante viagem através da consciência das suas personagens — um fresco histórico elaborado como um ensaio sobre a dimensão mais íntima da experiência humana.

Crítica de João Lopes

 

 

 

 

 

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