6 de Junho, 19h: “Stefan Zweig – Adeus Europa”

Realização: Maria Schrader

Intérpretes: Josef HaderBarbara SukowaKenne SchwarzJoão LagartoVirgílio Castelo

AUS/ALE/FRA 2016, 106′

Os anos do exílio na vida de Stefan Zweig, um dos escritores de língua alemã mais lidos do seu tempo, entre Buenos Aires, Nova Iorque e Brasil. Enquanto intelectual judeu, Zweig tenta encontrar a atitude correcta face aos acontecimentos na Alemanha nazi, ao mesmo tempo que vai em busca de um lar no novo mundo.

 

O filme “Stefan Zweig — Adeus, Europa” retrata o exílio de um dos escritores mais lidos do século XX, revelando um homem angustiado, que nunca se resignou com a destruição da Europa pelo nazismo e acabou por se suicidar.

“A ideia de filme é a ideia de exílio, estávamos focados em tudo o que lemos sobre o exílio e é interessante porque primeiro nunca pensámos no que aconteceu às pessoas que puderam sair da Europa e em fazer um filme passado naquela época, lidando com a Europa mas sem mostrar a Europa”, explicou, em entrevista à Lusa, a realizadora, Maria Schrader, quando o filme se antestreou em Lisboa.

Escritor e pacifista judeu austríaco, Stefan Zweig previu o declínio da Europa precocemente e abandonou o seu país natal, em 1934, tentando encontrar a atitude correta face aos acontecimentos na Alemanha nazi, e um lar no novo mundo.

Apesar da hospitalidade e enorme reconhecimento com que foi recebido e tratado no Brasil, o autor não conseguiu um substituto para a sua pátria e nunca se conformou com o caminho de intolerância e autoritarismo que a Europa estava a seguir.

“Stefan Zweig era um dos melhores escritores de língua alemã, um dos mais lidos, juntamente com Thomas Mann, e era provavelmente o mais conhecido europeu no exílio. Teve o privilégio de poder escapar da Europa, de poder continuar a publicar, poder estabelecer-se num sítio tão bonito, no norte do Rio de Janeiro, rodeado pelo paraíso, e ainda assim suicidou-se, em 1942”.

Para Maria Schrader, “isto é algo de misterioso”, que levanta várias questões: o que significa estar no exílio, o que significa “casa”, o que significa ser um estrangeiro e querer reconstruir um novo lar, o que significa ser artista?

Estruturado como se fosse um romance, o filme está dividido por prólogo, epílogo e quatro episódios específicos do período de exílio de Stefan Zweig: a sua primeira estada no Brasil, a participação no Congresso P.E.N. em Buenos Aires, em 1936, visita ao Estado brasileiro da Baía (1941), a visita a Nova Iorque, em 1941, e a morte em Petrópolis, no ano seguinte.

A opção por este formato é explicada pelo coargumentista Jan Schomburg como uma forma de fugir ao modelo dos “filmes biográficos” e tentar colocar a vida do escritor numa estrutura dramática, para lhe dar mais intensidade.

Quanto aos episódios escolhidos, tratou-se de “espremer” os grandes momentos de um período tão limitado da sua vida (cinco anos), tentando ao mesmo tempo servir a visão que o próprio Stefan Zweig tinha da História, que era “muito complexa”, escolhendo momentos que permitiram a Maria Schrader e Jan Schomburg a olhar para essa mesma História de vários ângulos.

Um desses momentos foi o Congresso do P.E.N., em Buenos Aires, quando foi proferido um poderoso discurso contra o nazismo alemão, que entusiasmou toda a plateia.

A própria realizadora confessa que se impressionou e arrepiou com o discurso, mas que, ao ler os diários de Stefan Zweig, percebeu que o escritor não partilhava do mesmo sentimento.

No filme teve a preocupação de manter essa “complexidade”, mostrando o discurso de forma a impressionar, e mostrar depois uma outra pessoa que se sente totalmente desconfortável, por ser pacifista e recusar-se a usar as palavras com ódio.

Ao longo de todo o filme é clara esta dicotomia entre a esperança e o desespero, entre o bem-estar físico no Brasil, onde passou a viver e onde era bem tratado e acarinhado, e a angústia mental por não conseguir alcançar um sentimento de pertença àquele país e querer regressar a um lugar que sabia estar a morrer e ao qual não poderia voltar.

São frequentes as frases de enaltecimento e reconhecimento da grandeza do Brasil – “país do futuro” – face à realidade que se vive na Europa, mas o avançar da depressão é visível, de capítulo para capítulo, com a personagem (interpretada por Josef Hader) a passar de um estado de distanciamento, para um estado de revolta e tristeza profunda, que contrasta com o seu discurso.

Já em Petrópolis, Stefan Zweig afirma que vive “no melhor lugar possível” e que não tem “razão de queixa”, mas o seu olhar denuncia angústia e sofrimento, e com o desespero a ganhar terreno até ao limite do suportável, acaba por cometer suicídio com a mulher, Lotte (Aenne Schwarz), tomando uma dose letal de barbitúricos.

A carta que deixa escrita em alemão traduz exatamente esse sentimento antagónico que o acompanhou durante os anos de exílio, de gratidão para com o “maravilhoso país” que o acolheu, numa altura em que o mundo da sua língua estava “perdido” e o seu “lar espiritual, a Europa, autodestruído”, uma realidade que nunca conseguiu ultrapassar e que o levou a partir antes, demasiado “impaciente” para esperar pela “aurora daquela grande noite”.

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s