7 de Março, 19h: “Correspondências”

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Argumento e Realização: Rita Azevedo Gomes

Fotografia: Acácio de Almeida | Jorge Quintela

Montagem: Rita Azevedo Gomes | Patricia Saramago

ActoresEva Truffaut, Pierre Léon, Rita Durão, Luís Miguel Cintra

ProduçãoC.R.I.M. (http://crim-productions.com/)

POR, documentário, 2016, 145′

O filme inspirou-se nas cartas trocadas entre dois poetas portugueses, Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena, que testemunham a sua demanda de liberdade durante um período em que o regime fascista português esteve sob pressão crescente.

 

«Correspondences» (Correspondências) por Hugo Gomes

Há uma mistura de teores que percorre todas estas palavras, desde o poético ao lírico passando pelo simplesmente político, até à preocupação da nossa língua (essa nossa identidade), como a preservação dos nossos ideais culturais e sociais – “devemos ser mais como o gregos” – tal como é referido em determinado ponto. Rita Azevedo Gomes (A Vingança de uma Mulher) encontrou a sua matriz, a correspondência trocada entre dois poetas, Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andersen, durante o exílio do primeiro no Brasil e, posteriormente, nos EUA, de forma a “fugir” ao regime fascista que se vivia em Portugal. Porém, para Breyner, a sua escrita remete à recordação de cada palavra como a saudade do seu mais íntimo amigo. Uma amizade separada por quilómetros de distância, mas reforçada pelas estrofes, pelas frases que substituem horas e horas de conversa.

Belos textos temos aqui! E a realizadora bem o sabe, aliás, até demais. Correspondências vem reforçar a ideia de uma vaga que vai brotando no nosso seio cinematográfico – um cinema cada vez mais lírico, empurrado pelos textos de uma correspondência antiga – que servem, não só de guião, assim como puro alicerce de uma eventual intriga. Será a saudade vencida por este prolongado método de comunicação, agora perdido pela distância de um clique das novas tecnologias em cumplicidade com as redes sociais que nos atingem, que nos faz invocar referido formato? Será a preocupação com o texto impresso, a degustação de cada palavra, cada acento, cada parágrafo e até a grafia no seu mais extremo nível, que nos afronta espiritualmente?

A verdade, é que temos aqui um português falado e escrito à beira da extinção, que nos dias de hoje se vê atropelado pela globalização e nesta redução da distância de contacto entre os mais diferentes pontos geográficos. Será que esta aproximação nos torna menos cuidadosos? Assim sendo, Correspondências vem ao auxílio de Cartas da Guerra, de Ivo Ferreira, a prioridade do texto-legado, da literatura salientada nas suas imagens. Mas, Ferreira soube construir uma narrativa visual que pudesse emancipar-se do próprio texto; em Correspondências tal não acontece, tudo é recorrido à forma de cautela. A nossa realizadora parece ter medo de superar o mencionado texto, focando-se nele e aceitando a aleatoriedade das imagens.

O melhor – O texto

O pior – as imagens não conseguem proclamar independência da matéria escrita

– See more at: http://www.c7nema.net/critica/item/45717-correspondences-correspondencias-por-hugo-gomes.html#sthash.S2Wm4nMZ.dpuf

 

 

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