31 de Janeiro, 19h: “Taklub”

taklub-blog

RealizaçãoBrillante Ma Mendoza

IntérpretesNora AunorJulio DiazAaron Rivera

Filipinas, 2015, 97′ M/12

A passagem do supertufão Haiyan passou por Tacloban, na região central das Filipinas, deixou um rasto de morte e destruição. Com ventos a atingir os 379 km/h e ondas de 15 metros de altura, foi um dos tufões com mais intensidade alguma vez registados – classificado na categoria cinco, a mais elevada na escala de Saffir-Simpson. Nesse cenário de devastação, várias personagens vão ver as suas vidas entrecruzar-se: Bebeth tenta identificar três dos seus filhos através de análise ao ADN dos corpos sepultados em valas comuns; Larry, que perdeu a mulher, encontra consolo ao aderir a um grupo de católicos devotos que carregam uma cruz pelas ruas da cidade; Erwin procura esconder da irmã mais nova a morte de ambos os pais. Ao mesmo tempo que tentam lidar com a perda, cada um vai ter de enfrentar uma série de acontecimentos que constantemente põem à prova a sua fé e ameaçam fazer desaparecer, para sempre, a esperança no futuro.
Um filme dramático realizado por Brillante Ma Mendoza (“Kinatay”, “Lola”, “Cativos”) segundo um argumento de Honeylyn Joy Alipio, que tem como cenário o rasto do supertufão Haiyan, que devastou as Filipinas em Novembro de 2013. PÚBLICO

Entre documentário e ficção

Brillante Mendoza continua a filmar os dramas do seu país, Filipinas, desta vez evocando a destruição gerada por um tufão: “Taklub” é um exemplo modelar de inscrição dos actores numa narrativa com muitas componentes documentais

Através de títulos como “Kinatay” ou “Lola” (ambos de 2009), o filipino Brillante Mendoza tem colocado o seu país no mapa internacional do cinema, nomeadamente através de emblemáticas presenças em grandes festivais — “Kinatay”, por exemplo, valeu-lhe o prémio de melhor realizador em Cannes.

Agora, podemos reencontrar o seu trabalho, sempre a meio caminho entre documentário e ficção, através de “Taklub”, uma realização de 2015 que dá conta da devastação gerada pela passagem do tufão Haiyan, em 2013.

O filme estava para ser, precisamente, um documentário puro, dando conta da destruição de vidas e habitações — e, em particular, da resistência dos sobreviventes. O certo é que Mendoza preferiu criar uma teia narrativa de calculada ambiguidade, em que a constatação dos estragos vai a par de uma ficção construída com actores.

Nora Aunor, a intérprete principal, assume a personagem de uma mulher que, através de análises de ADN, tenta perceber se os seus filhos estão, ou não, entre os muitos cadáveres. O resultado é um filme que surpreende pela crueza do testemunho, tanto quanto pela vibração emocional das relações humanas — um bom exemplo da vitalidade contemporânea do(s) realismo(s).

Crítica de João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

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