10 de Janeiro, 19h: “O Que Está por Vir”

 

lavenir-blogRealização: Mia Hansen-Løve

Intérpretes: Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka, Edith Scob

ALE/FRA, 2016, 100′  M/12

Nathalie Chazeaux é professora de Filosofia num instituto de Paris (França), onde vive com o marido e os dois filhos. A sua grande paixão é o ensino, ajudando cada um dos seus alunos a pensar e a encontrar o seu lugar no mundo. Tudo lhe parece perfeito até ao dia em que o marido lhe pede o divórcio. Apesar do inevitável choque inicial, ela percebe que este pode ser o momento por que tanto esperava. Com 55 anos e uma enorme vontade de se renovar, Nathalie aproveita aquela sensação de liberdade para recomeçar, dando início a uma nova forma de existência.
Com realização e argumento de Mia Hansen-Løve (“O Pai das Minhas Filhas”, “Um Amor de Juventude”), um filme sobre recomeços que conta com Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka e Edith Scob, entre outros. PÚBLICO

Filosofia & melodrama

Mia Hansen-Løve volta a interessar-se pelas convulsões do espaço familiar — em “O Que Está por Vir”, ela filma a saga de uma professora de filosofia assombrada pelos seus problemas pessoais, além do mais proporcionando a Isabelle Huppert uma composição a todos os títulos excepcional.

Os tempos não estão fáceis para filmes com gente viva — e, já agora, actores que não sejam digitais. Basta observar o modo como as convulsões do mercado são geridas por campanhas gigantescas que agitam tudo e todos quando chega mais um super-herói ou algum desenho animado (“bom” ou “mau”, não é isso que está em causa). O efeito prático de tal conjuntura é óbvio: títulos como “O Que Está por Vir”, de Mia Hansen-Løve, surgem desamparados, por vezes experimentando sérias dificuldades para encontrar o seu público potencial.

O mínimo que se pode dizer de “O Que Está por Vir” é que coloca em cena personagens que estão longe de corresponder a clichés correntes (e nada têm a ver com a triste “psicologia” de telenovelas e afins). Esta é a história de uma professora de filosofia, interpretada por Isabelle Huppert, subitamente confrontada com o desabar do seu mundo privado — a doença da mãe e a traição do marido vão obrigá-la a refazer muitos e decisivos aspectos da sua existência…

Apetece dizer que estamos perante um melodrama filosófico. Não por qualquer pretensiosismo intelectual, mas por motivos visceralmente… intelectuais. Dito de outro modo: a protagonista é levada repensar toda a sua filosofia de vida, num processo que Mia Hansen-Løve filma através de uma espantosa e subtil agilidade. Em última instância, somos levados a confrontar o peso das opções individuais com as imposições decorrentes dos valores sociais dominantes — esta é, de facto, a história de alguém que procura o seu lugar no mundo.

O Que Está por Vir” inscreve-se, assim, na mais nobre tradição (melo)dramática da produção cinematográfica francesa, essa a que pertencem nomes incontornáveis como Jean Renoir, François Truffaut ou André Téchiné. Sem esquecer, claro, que a energia de tal tradição tem nos actores um trunfo sempre fundamental — será preciso acrescentar que Huppert é genial?

Crítica de João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

 

 

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