20 de Dezembro, 19h: “Florence – Uma Diva fora de Tom”

 

florenceRealização: Stephen Frears

Intérpretes: Meryl Streep, Hugh Grant, Simon Helberg, John Kavanagh

GB, 2016, 110′  M/12

Passado na Nova Iorque dos anos ‘40, FLORENCE, UMA DIVA FORA DE TOM conta a história verídica da lendária Florence Foster Jenkins (Meryl Streep), uma socialite e herdeira nova iorquina que perseguiu de forma obsessiva o seu sonho de se tornar uma grande cantora lírica. Se quando cantava, a voz que ouvia na sua cabeça era bonita, para todos os outros tratava-se de uma experiência horrível, mas hilariante. O seu “marido” e agente, St. Clair Bayfield (Hugh Grant), um aristocrático actor inglês, conseguiu sempre proteger a sua amada Florence da cruel verdade, mas quando esta decide dar um concerto público no Carnegie Hall, St. Clair sabe que está prestes a enfrentar o seu maior desafio.

Alegria e comoção, drama e comédia

Com assinatura de Stephen Frears e uma notável composição de Meryl Streep, eis uma biografia que está para além dos clichés de muitos filmes biográficos — esta é Florence Foster Jenkins, a cantora que… não sabia cantar.

Florence Foster Jenkins (1868-1944) cantava, de facto, muito mal. A acção do seu marido, mobilizando espectadores mais ou menos coniventes, permitiu que ela cumprisse uma “carreira” de aparente consistência, chegando ao ponto de dar um recital no Carnegie Hall, de Nova Iorque…

É a história de uma impostura? Não exactamente. É antes a história de um ser humano marcado por dramas muito particulares que Stephen Frears filma com especial dedicação e irresistível ironia. Pode mesmo dizer-se que “Florence, uma Diva Fora de Tom” consegue a proeza de cruzar a comédia mais saborosa com uma perturbação emocional sempre à flor da pele.

Quase apetece dizer que Frears se tem vindo a especializar em abordagens biográficas — recorde-se que ele é também o realizador de “A Rainha” (2006), sobre Isabel II, ou “Vencer a Qualquer Preço” (2015), centrado no ciclista Lance Armstrong. Em qualquer caso, não é tanto um “estilo” que ele procura, antes a construção de narrativas capazes de dar conta da surpreendente complexidade das relações humanas.

Escusado será sublinhar que “Florence” fica a dever muito da sua energia, alegria e comoção à performance de Meryl Streep, subtil e envolvente, resistindo sempre a reduzir a sua personagem a uma banal caricatura. Em todo o caso, não esqueçamos Hugh Grant no papel de St. Clair Bayfield, o marido: a sua graça genuína, aliada a uma elaborada riqueza psicológica, é também uma das maravilhas deste filme tão clássico quanto surpreendente.

Crítica de João Lopes

 

 

 

 

 

 

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