13 de Dezembro, 19h: “Love is Strange”

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Realização: Ira Sachs

Intérpretes: John Lithgow, Alfred Molina, Marisa Tomei, Tatyana Zbirovskaya

EUA/FRA, 2014, 94′  M/12

Após 39 anos juntos, Ben e George decidem dar o nó numa conservatória do registo civil em Manhattan, na sequência da aprovação da lei que permite o casamento entre homossexuais. No regresso da lua-de-mel, Ben é despedido do seu emprego de longa data como maestro de coro numa escola católica mista, por causa dos votos de casamento. Sem economias, o casal percebe que não tem condições para continuar a pagar o seu pequeno apartamento em Chelsea. Poucos dias depois de se juntarem para celebrar as núpcias, família e amigos têm agora de se reunir para descobrir como ajudar os dois amigos.

Love Is Strange é uma pequena obra-prima de câmara

A verdade é que é para desvendar pequenas jóias que nos quebram o coração sem estarmos à espera, e às quais não chegaríamos de outro modo, que os festivais (também) servem. E Love Is Strange (na secção paralela Panorama), do americano Ira Sachs, é um desses filmes, que antes de ser visto corre o risco de ser enfiado na gaveta do “problema social”, do “cinema queer” ou do “filme gay“, mas que precisa apenas de nos sentar à frente do ecrã para nos comover com a sua história.

Sim, os seus “heróis” são um casal gay na casa dos 60/70, que partilham a vida há 40 anos e se casaram finalmente – mas não é o casamento nem a homossexualidade que interessam a Ira Sachs. Antes a velhice, a idade, o amor. Porque, de repente, Ben e George precisam de vender o apartamento nova-iorquino onde fizeram a sua vida e, enquanto não encontram outro, vêem-se obrigados a viver com amigos e família – e cada um para seu lado, que o preço das rendas em Nova Iorque não é barato e o espaço não abunda.

Nesse movimento, Love Is Strange torna-se num melodrama de sublime contenção sobre o envelhecimento, ao som dos nocturnos de Chopin, com a câmara sempre focada nos seus maravilhosos actores. Que o casal seja interpretado por John Lithgow e Alfred Molina é a primeira mais-valia (Lithgow, então, tem aqui o papel de uma vida); que junto a eles esteja a demasiado rara Marisa Tomei, como uma sobrinha com problemas familiares, apenas sublinha que Sachs está mais interessado em trabalhar a humanidade e a emoção de gente normal que percebe de repente como o tempo passou.

Mas Love Is Strange, apesar de ser uma pequena obra-prima de câmara, é o tipo de filme de que o “mercado” (português, mas não só) pouco quer saber. Que, provavelmente, só vamos poder ver em festivais (como o anterior filme de Sachs, Keep the Lights On, que venceu o Queer Lisboa em 2012), mas que merecia melhor sorte.

JORGE MOURINHA em Berlim (8 de Fevereiro de 2014)

 

 

 

 

 

 

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