22 de Novembro, 19h: “Virgem Prometida”

virgem-prometidaRealização: Laura Bispuri

Intérpretes:Alba Rohrwacher, Emily Ferratello, Lars Eidinger

ITA/ALE/SUI/FRA/Albânia/Kosovo, 2015, 84′  M/12

Quando Hana (Alba Rohrwacher) era ainda bastante jovem, para evitar um casamento indesejado, invocou um antigo costume albanês, a lei de Kanun, e jurou ficar eternamente virgem. Em troca, teria de renunciar a tudo o que de alguma forma representasse a sua feminilidade. Assim, assumindo-se como Mark, a sua identidade masculina, rejeitou qualquer forma de amor ou intimidade. Depois de dez anos a viver nas montanhas, suportando a solidão, a fome e o frio, percebe que é chegado o momento de recusar os preceitos impostos por uma sociedade com que não se identifica e mudar. Para isso, abandona tudo o que até aí viveu e segue até Milão (Itália), onde reencontra uma prima, que há muito fugiu da Albânia, e a sua filha adolescente. Com elas, e num mundo completamente diferente daquele a que se acostumara, tentará reencontrar a mulher de que foi obrigada a abdicar mas que talvez ainda exista no fundo de si mesma.
Em competição na 65.ª edição do Festival de Cinema de Berlim, um filme dramático realizado pela italiana Laura Bispuri (que aqui se estreia em longa-metragem), que adapta a obra da escritora, realizadora e argumentista Elvira Dones sobre a antiga tradição albanesa – ainda hoje praticada – das “virgens prometidas”. PÚBLICO

História de uma máscara
De Itália, chega um filme tão inesperado como perturbante: centrado numa magnífica interpretação de Alba Rohrwacher, “Virgem Prometida” é um drama em que o mundo moderno se confronta com tradições ancestrais.

Imaginemos este perturbante cenário: uma mulher resiste à tradição que a obriga a casar- se com um determinado homem; em nome dessa tradição, é então obrigada a assumir um voto de eterna virgindade; mais do que isso: deve mudar de nome (de Hana para Mark) e passar a viver de acordo com as regras e comportamentos dos homens…

Não é uma fábula mais ou menos delirante de um mundo alternativo. Nada disso: estamos perante uma história dos nossos dias situada num lugar remoto, esquecido no meio das montanhas, algures na Albânia — o filme, “Virgem Prometida”, tem realização de Laura Bispuri e provém do mais austero e realista cinema italiano.

A história de Hana/Mark vai sofrer uma inevitável convulsão quando, dez anos mais tarde, ela acaba por sair do seu país, instalando-se em Itália (em casa de uma prima com quem partilhara a adolescência). Para ela, não se trata apenas de lidar com uma conjuntura social e moral em que as relações mulheres/homens se encontram enquadradas por outros valores. Há também uma interrogação que se instala: que energia sobreviveu naquele corpo que foi compelido a existir através de uma máscara?

Alba Rohrwacher é magnífica no papel central, sabendo evitar qualquer facilidade “simbólica” ou “panfletária” na definição da personagem. Em boa verdade, tudo isso decorre da postura e visão de Bispuri que recusa extrapolações fáceis: “Virgem Prometida” apresenta-se, afinal, como uma crónica crua e desencantada, mas também serenamente optimista, sobre um destino individual a que foi roubada a sua verdade mais íntima — estamos perante um subtil “supense” emocional.

Crítica de João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

 

 

 

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