8 de Novembro, 19h: “Trumbo”

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Realização: Jay Roach

Intérpretes: Bryan Cranston, Diane Lane, Helen Mirren, Michael Stuhlbarg

EUA, 2016, 124′ M/14

Nos anos 40, a carreira de sucesso do argumentista Dalton Trumbo (Bryan Cranston) chega a um fim quando ele e outras figuras de Hollywood entram na lista negra pelas suas convicções políticas. TRUMBO (realizado por Jay Roach) conta a história da sua luta contra o governo norte-americano e os patrões dos Estúdios, numa guerra pelas palavras e a liberdade, que envolveu todos em Hollywood, desde Hedda Hopper (Helen Mirren) e John Wayne, até Kirk Douglas e Otto Preminger. Um filme com um fantástico elenco onde, para além de Bryan Cranston e Helen Mirren, encontramos Diane Lane e John Goodman.
Revisitando a história de Hollywood

Grande argumentista do classicismo de Hollywood, Dalton Trumbo foi uma das personalidades perseguidas e marginalizadas durante a época “maccartista” — o filme de “Trumbo”, com Bryan Cranston no papel central, revisita as memórias de um tempo de muitas clivagens.

 

Como fazer a história de Hollywood, um território inevitavelmente marcado pelas grandezas e misérias do star system? Pois bem, recordando que nem só de estrelas se faz a história do cinema americano. “Trumbo”, uma realização de Jay Roach, é um filme que sabe ver Hollywood para lá das suas imagens mais gloriosas ou espectaculares. Como? Relançando o valor essencial da memória.

Memória de Dalton Trumbo (1905-1976), entenda-se, notável argumentista duas vezes distinguido com o Oscar: primeiro com “Férias em Roma” (1953), de William Wyler, depois com “O Rapaz e o Touro” (1956), de Irving Rapper. Acontece que o nome de Trumbo não surgia nos respectivos genéricos: no primeiro, a autoria do argumento era atribuída a outro escritor, Ian McLellan Hunter; no segundo, surgia o pseudónimo de Robert Rich…

Na verdade, Trumbo (interpretado por Bryan Cranston, nomeado para o Oscar de melhor actor) foi um dos profissionais de Hollywood que, no período do “maccartismo”, se viu marginalizado por ser membro do Partido Comunista dos EUA. A chamada “caça às bruxas”, desencadeada no início da Guerra Fria com o bloco soviético, colocou-o na Lista Negra de Hollywood, impedindo-o de trabalhar (ou, pelo menos, de utilizar o seu nome nos trabalhos que foi escrevendo).

Escusado será dizer que a complexidade de tal história se traduziu em muitas clivagens internas, com figuras célebres como o actor John Wayne (David James Elliott) ou a cronista de “escândalos” Hedda Hopper (Helen Mirren) a apoiarem a marginalização dos chamados “Dez de Hollywood” (na qual estava incluído o nome de Trumbo). Mais do que isso: a situação só foi ultrapassada no começo dos anos 60, durante a presidência de John F. Kennedy, quando Kirk Douglas, actor e produtor de “Spartacus” (Stanley Kubrick, 1960), assumiu publicamente que Dalton Trumbo era o autor do respectivo argumento.

Sem ser um filme formalmente inovador, “Trumbo” possui a enorme vantagem de respeitar os labirintos desta teia histórica, acima de tudo procurando fazer o retrato de uma indústria cinematográfica que, por assim dizer, reproduziu os conflitos ideológicos que marcavam a cena política americana e internacional. É um filme com personagens de carne e osso que, além do mais, aconselha a compreender Hollywood muito para além da sua descrição beata como “fábrica de efeitos especiais”…

Crítica de João Lopes

 

 

 

 

 

 

 

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