25 de Outubro, 19h: “Francofonia”

francofonia-2

Realização: Aleksandr Sokurov

Intérpretes: Louis-Do de Lencquesaing, Benjamin Utzerath, Vincent Nemeth

HOL/ALE/FRA, 2015, 88′ M/12

1940. As tropas Nazis tomam conta da cidade de Paris (França). Jacques Jaujard (Louis-Do De Lencquesaing), director do Museu do Louvre, e o Comandante Franz Wolff-Metternich (Benjamin Utzerath), chefe da comissão alemã para a protecção das obras de arte em França, vêem-se obrigados a colocar as suas diferenças de parte e aliam-se para preservar os tesouros do museu. Assim, ao mesmo tempo que os exércitos arrasam a cidade, eles fazem o que podem para proteger algumas das mais importantes criações da Humanidade.
Com realização do aclamado realizador Aleksandr Sokurov (“A Arca Russa”, “Pai e Filho”, “Alexandra”, “Fausto”), um filme sobre um período negro da História europeia, onde se reflecte sobre a arte, o poder e a cultura e a importância dos museus na preservação da identidade humana. PÚBLICO
A história já não é o que era

Correspondendo a uma encomenda do Louvre, Aleksandr Sokurov filma o lendário museu de Paris — o resultado é um filme capaz de transcender as regras tradicionais de documentário e ficção.

É verdade — fazer filmes sobre a história, contar histórias da história da humanidade, não é o mesmo que acumular adereços “de época” e colocar os actores a fazer pose fingindo que estão a viver muitos séculos atrás. O cinema é, afinal, a arte de problematizar a própria encenação da história.

No limite, Napoleão pode ser representado por um actor contemporâneo, a deambular pelo Museu do Louvre, deslumbrando-se com os seus próprios retratos…

Esta hipótese “napoleónica” não é delírio do crítico, podem crer (aliás, o mesmo se poderá dizer em relação à possibilidade de representar Marianne, símbolo da República Francesa). Assim acontece no maravilhoso “Francofonia”, filme com que o russo Aleksandr Sokurov corresponde a uma encomenda do Louvre para fazer um filme sobre o… Louvre.

Através de um calculado misto de reflexão histórica e distanciação irónica, esta é uma viagem em que a pontuação documental serve para sustentar uma elaborada visão do património artístico — e também das complicações que a sua defesa pode envolver.

Sokurov aborda, em particular, os tempos da Segunda Guerra Mundial e, mais concretamente, o período da ocupação alemã, com o Louvre a ser co-dirigido por uma improvável aliança: de um lado, o director do museu, Jacques Jaujard (Louis-Do de Lencquesaing), do outro Franz Wolff-Metternich (Benjamin Utzerath), o oficial nazi designado para a gestão do património. Os dois protagonizam, afinal, um drama muito antigo: como garantir a sobrevivência das produções artísticas da humanidade? Mais do que isso: como construir memória(s) a partir do seu conhecimento?

Com a agilidade de um verdadeiro experimentador, Sokurov combina materiais de arquivo com sofisticados mecanismos de encenação, no limite levando-nos a questionar o que somos através da própria arte que contemplamos. Tal interrogação envolve inevitavelmente os valores da nossa identidade europeia — afinal, percorrer os espaços do Louvre é também deparar com as convulsões dessa identidade.

P.S. – Isto sem esquecer, claro, que o mesmo Sokurov já filmou o Museu do Hermitage, em São Petersburgo, nesse filme magnífico que é “A Arca Russa” (2002).

Crítica de João Lopes

 

 

 

 

 

 

 

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