15 de Outubro, 15.30h: “Memórias de Marnie”

marnie

Realização: Hiromasa Yonebayashi

Intérpretes: Sara Takatsuki (Voz), Kasumi Arimura (Voz), Nanako Matsushima (Voz)

Japão, 2014, 103′

Anna, de 12 anos, vive em Sapporo (Japão) com os pais adoptivos. A relação entre os três é distante, o que faz de Anna uma menina insegura e muito introvertida. Um dia, por razões de saúde, é enviada para passar o Verão numa pequena aldeia perto da praia, em casa de uns parentes. Lá, durante um dos seus passeios solitários, descobre uma mansão aparentemente abandonada, mas estranhamente familiar, onde vive uma rapariga da sua idade chamada Marnie. Ao conhecerem-se, um elo inexplicável surge entre elas e Marnie acaba por se tornar a sua primeira grande amiga. Mas a descoberta desta amizade vai trazer revelações que transformação a vida de Anna para sempre…
Com realização do japonês Hiromasa Yonebayashi (O Mundo Secreto de Arrietty), um filme de animação que se baseia na novela “When Marnie Was There” do escritor inglês Joan G.Robinson (1910-1988).
Nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação, “Memórias de Marnie” foi o vencedor do Grande Prémio Monstra na edição de 2016 do Festival de Animação de Lisboa. PÚBLICO

 

“Memórias de Marnie”, de Hiromasa Yonebayashi
por RUI ALVES DE SOUSA

O novo (e anunciado como o derradeiro) filme dos estúdios Ghibli, do realizador d’ O Mundo Secreto de Arriety, estreou-se na Monstra e de lá saiu com o Grande Prémio da competição de longas-metragens. Tem uma história lindíssima sobre a memória e a amizade, em que os fantasmas e as mágoas da existência têm um papel fulcral. Voltamos a um sentimentalismo que, de certa forma, tem algo de telenovela na sua estrutura, algo que tem sido comum em certos filmes mais recentes do estúdio, como A Colina das Papoilas. No entanto, com tanto material comovente incluído nas imagens, na música e nas vozes, é impossível que alguém consiga ficar indiferente a Memórias de Marnie. São emoções que não causam feridas, mas marcas profundas que permanecerão na memória dos espectadores.

A animação é excepcional, com a qualidade que os estúdios Ghibli nos foram habituando ao longo das décadas. Yonebayashi mostra, mais uma vez, como é um nome relevante para o panorama atual da animação japonesa. Um cineasta da sensibilidade, com um espírito comovente ímpar, que lida com histórias que, por mais fantasia e surrealismo que possam conter, lidam com o que de mais humano existe no cinema: as relações familiares, os traumas, as recordações, a capacidade de perdoar e recuperar o que parece ter sido extinto das nossas vidas. Memórias de Marnie ganha porque, apesar da sua narrativa andar entre altos e baixos mais ou menos constantes (e a revelação da intriga não precisava de ser tão extensivamente analisada), nunca se perde nem deixa de querer alcançar um objetivo muito preciso: um retrato fascinante e apaixonante das ligações entre passado e presente, e do constante conflito entre gerações, comum a todas as épocas históricas.

do blog https://maquinadeescrever.org/

 

 

 

 

 

 

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