13 de Setembro, 19h: “A Juventude”

a-juventude

Realização: Paolo Sorrentino

Intérpretes: Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Jane Fonda, Paul Dano

ITA/FRA/SUI/GB, 2015, 118′  M/12

Fred e Mick são dois amigos quase octogenários a gozar um merecido descanso num luxuoso hotel no sopé dos Alpes Suíços. O primeiro é um maestro e compositor conceituado que há muito abandonou a carreira musical; o segundo, por seu lado, é um realizador ainda no activo que se prepara para realizar uma última obra que, segundo diz, será o seu “testamento”. Naquele lugar paradisíaco, cientes da proximidade do fim, e rodeados de pessoas de todas as idades, os dois recordam o passado, fazem planos para o futuro ao mesmo tempo que reflectem sobre a juventude e o elevado preço do envelhecimento…
Com realização e argumento do italiano Paolo Sorrentino (“Este é o Meu Lugar”, “A Grande Beleza”), conta com Michael Caine e Harvey Keitel nos papéis protagonistas a que se juntam Rachel Weisz, Paul Dano e Jane Fonda, entre outros.

Um cineasta italiano que valoriza os actores

Depois da consagração nos Oscars com “A Grande Beleza”, o italiano Paolo Sorrentino propõe um retrato íntimo da difícil arte de envelhecer — e consegue magníficas interpretações de Michael Caine, Harvey Keitel e Jane Fonda.

Será que existe um cinema italiano realmente digno da imensa herança que vem do seu património, em particular do trabalho de nomes emblemáticos como Michelangelo Antonioni e Federico Fellini, mas também Luigi Comencini, Mario Monicelli ou Ettore Scola?

A resposta parece ser claramente afirmativa, mesmo se é verdade que convém evitar alguns paralelismos automáticos, e mais ou menos simplistas. Paolo Sorrentino, por exemplo, consagrado em 2014 com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para o seu “A Grande Beleza” — um discípulo de Fellini, como então se disse?

Em boa verdade, o novo filme de Sorretino, “A Juventude” (apresentado na competição de Cannes/2015) mostra o simplismo da sua eventual colagem a uma inspiração obrigatória, “felliniana” ou não. Este é um filme liberto de qualquer dependência esquemática (desde logo, em relação a “A Grande Beleza“), procurando observar um processo que o título sugere de forma bizarra e paradoxal. A saber: o envelhecimento.

Esta é, de facto, a saga intimista de duas personagens envelhecidas, um maestro retirado e um cineasta que procura ainda montar um novo projecto (Michael Caine e Harvey Keitel, respectivamente). No cenário paradisíaco de uma estância dos Alpes suíços, a sua demanda de uma “nova” juventude envolve, afinal, um insólito desafio ao silêncio obstinado da morte.
Acima de tudo, Sorrentino é um cineasta que, ao interessar-se pelas personagens, se interessa também pelo trabalho específico dos actores. Sem dúvida por isso, uma vez mais, a riqueza emocional das interpretações continua a ser um trunfo decisivo no interior da sua visão do mundo.
Para além de Caine e Keitel, importa destacar a presença breve, mas fulgurante, de Jane Fonda, no papel de uma actriz veterana que não abdica da sua condição de estrela. Curiosamente, a sua imagem nem sequer fazia parte das promoções do filme (nomeadamente em Cannes).

João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s