16 de Agosto, 19h: “Mustang”

mustang

Realização: Deniz Gamze Ergüven

Intérpretes: Günes Sensoy, Doga Zeynep Doguslu, Elit Iscan

FRA/Qatar/ALE/Turquia, 2015, 97 ‘  M/12

É Verão na Turquia. Lale e as suas quatro irmãs vivem numa pequena aldeia com a avó e o tio. Um dia, depois do fim das aulas, são apanhadas a brincar na praia com alguns colegas de escola. A brincadeira, apesar de inocente, é mal interpretada pelos familiares, que a consideram inapropriada. O castigo não tarda e as cinco raparigas são fechadas em casa, proibidas de qualquer contacto com o mundo exterior. A casa da família transforma-se lentamente numa prisão e os seus casamentos começam a ser planeados. Porém, incapazes de se deixarem dominar, elas encontram as suas próprias formas de contornar as regras que lhes são impostas.
Estreia na realização de longa-metragem de Deniz Gamze Ergüven, “Mustang” esteve nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro (representando a França). PÚBLICO

Uma história de repressão e resistência

Esteve na corrida aos Oscars, representando a França na categoria de Melhor Filme Estrangeiro — em todo o caso, “Mustang” é um objecto genuinamente turco, encenando um contexto hiper-conservador em que as raparigas são as principais visadas.

No panorama das nomeações ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2016, “Mustang” é, sem dúvida, o objecto mais paradoxal. Trata-se, de facto, de uma produção francesa — desse modo, representando oficialmente a França —, embora seja um objecto genuinamente turco, observando um contexto muito específico da Turquia.

Em termos muito básicos, digamos que esta é uma história de repressão e resistência. Tudo se passa numa pequena povoação do norte da Turquia, perto da cidade de Kastamonu, em torno de um grupo de cinco irmãs — o simples facto de terem andado a brincar, à beira-mar, com um grupo de rapazes vai fazer com que seja enclausuradas em sua casa (literalmente, com grades), num regime de vida cujo único desenlace possível parecem ser os casamentos resultantes de acordos entre famílias…
Frequentemente comparado a “As Virgens Suicidas” (1999), de Sofia Coppola, “Mustang” partilha, de facto, um dado curioso com essa referência: esta é também a longa-metragem de estreia de uma cineasta, de seu nome Deniz Fazme Ergüven (nascida na Turquia, em 1978, e educada em França). Em qualquer caso, o assombramento poético que percorre o filme de Coppola transfigura-se, aqui, em crónica social muito crua e desencantada.
Sem simbolismos fáceis, nem infantilismos panfletários, Ergüven expõe a existência dramática das suas personagens principais, num processo em que a manutenção de tradições anquilosadas se traduz no bloqueamento das mais básicas relações humanas. Provavelmente não ganhará o Oscar (“O Filho de Saul”, representando a Hungria, é o grande favorito), mas a sua internacionalização corresponde a um triunfo especial para um objecto tão lúcido e libertador.

Crítica de João Lopes

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s