10 de Agosto, 21.30h – Piscinas: “Bus Stop – Paragem de Autocarro”

Bus Stop 1

Realização: Joshua Logan

Intérpretes: Arthur O Connell, Don Murray, Marilyn Monroe

EUA, 1056, 96′,  M/12

Adaptado de uma peça de William Inge por George Axelrod, “Paragem de Autocarro” é uma comédia dramática com Marilyn Monroe no papel de Cherie, cantora num clube nocturno, cujo sonho de alcançar a fama é interrompido por Bo, um ingénuo “cowboy” (Don Murray). Bo apaixona-se pela cantora e decide casar com ela, sem se preocupar em lhe perguntar a opinião. Cherie tenta escapar-lhe, mas acabam por se juntar no mesmo autocarro. Durante a viagem, quando estão num café no meio de nenhures, são obrigados a começar a comunicar.
Depois de “Como Se Conquista Um Milionário” (1953) e de “O Pecado Mora ao Lado” (1955), este foi o filme que veio comprovar o talento de Marilyn Monroe. “Paragem de Autocarro” inclui ainda a famosa interpretação de “That Old Black Magic” por Marilyn e foi o filme de estreia de Don Murray – nomeado para o Óscar de melhor actor secundário em 1957 – e de Hope Lange, com quem acabou por casar.

Após o sucesso da comédia “O Pecado Mora ao Lado” (The Seven Year Itch, 1955), de Billy Wilder, muito mudou na vida de Marilyn Monroe no ano que se seguiu. A actriz separou-se de Joe Dimaggio e mais tarde começou a sair com o escritor Arthur Miller, aproveitou para se distanciar de Hollywood, tendo ingressado no Actor’s Studio, onde teve aulas com o seu director, Lee Strasberg. Finalmente, Marilyn criou a sua própria produtora, a Marilyn Monroe Productions.

O primeiro filme a sair da sua produtora foi “Paragem de Autocarro”, onde Marilyn, agora já uma estrela que podia ditar à Fox que papéis queria para si, deixava de lado as comédias e as figuras de loura burra, para se dedicar a um drama.

Contracenando com Don Murray, numa história adaptada de uma peça de teatro de William Inge, Marilyn, dirigida por Joshua Logan, interpretava uma frágil, mas inocente cantora de saloon Chérie, que buscava uma vida em que fosse respeitada, mas que não conseguia fugir à vida nocturna de má reputação e desrespeito da parte do género masculino. A pedrada no charco dá-se com a chegada de Beauregard Decker (Don Murray), um ingénuo cowboy que nunca esteve numa cidade, e que está habituado a conseguir tudo o que quer à força do laço ou dos seus braços.

Beau é uma força da natureza, exuberante, altético, mas ingénuo quanto a relações humanas. Nessa ingenuidade, ou pureza de olhar, vê apenas beleza, onde os outros homens vêem uma cantora que exibe o corpo por dinheiro. Por isso Beau apaixona-se antes mesmo que perceba o que é a paixão. E por isso mesmo ele não compreende que Chérie não sinta o mesmo, assumindo imediatamente que estão prontos a casar. Tal mal entendido, ou teimosia de Beau, leva-o a fazer aquilo que melhor sabe, tomar o que quer à força, levando Chérie contra vontade no autocarro de regresso. Os pontos que marcara pelo respeito mostrado no momento em que conhecera Chérie perdem-se assim, quando Beau se comporta com prepotência, levando a um confronto de vontades difícil de ultrapassar.

Embora seja um drama, o filme de Joshua Logan não deixa de ter imensos momentos de humor, muito devido às personalidades de Beau e Chérie, um par de inadaptados num mundo cínico que não os compreende. Chérie vê em Beau alguém que a pode respeitar como nunca antes foi. Já ele vê nela um anjo, sem maldade. Em termos de conhecimento do mundo, e de feridas deixadas por ele, os dois personagens carregam a mesma diferença que ostentam em termos de relações anteriores. Como diz Virgil (Arthur O’Connell), a consciência de Beau, ela teve demais, ele de menos, pelo que se equilibram. É com essa lógica, também ela ingénua, que se resolve o impasse, e Chérie admite que afinal ama Beau, ao mesmo tempo que este aprende que nem tudo na vida se conquista à força de braços.

Num ambiente que lembra o Western, Joshua Logan faz uso da paisagem americana para filmar os exteriores (Idaho e Arizona), mas é nos interiores que o seu filme ganha força, e respeitando a origem teatral do argumento, é nas longas sequências de interiores (salloon e bar de Grace na paragem de autocarro) que Logan constrói os melhores e mais arrebatadores momentos do filme.

 

Do blog A Janela Encantada

https://ajanelaencantada.wordpress.com/2014/10/20/paragem-de-autocarro-1956/

 

 

 

 

 

 

 

 

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