9 de Agosto, 19h: “O Senhor Juiz”

O Senhor Juiz 4

Realização: Christian Vincent

Intérpretes: Fabrice Luchini, Sidse Babett Knudsen, Eva Lallier

FRA, 2015, 98 ‘  M/12

Michel Racine (Fabrice Luchini), um juiz com muitos anos de experiência, é conhecido pela honradez das suas decisões, mas também pela intransigência no que diz respeito à lei e ordem. Todos sabem que, com ele, nenhum criminoso apanha menos de dez anos de prisão. Quando, durante o julgamento de um caso de homicídio particularmente violento, Racine descobre o nome de uma antiga paixão (Sidse Babett Knudsen) na lista dos membros do júri, fica sem saber o que fazer. Anos antes, viveram uma intensa história de amor mas, devido a uma série de equívocos, perderam o rasto um do outro. Este reencontro vai mudar, em muito, a forma como ele olha o mundo…
Com argumento e realização de Christian Vincent (“Quatro Estrelas”, “Haute Cuisine – Os Sabores do Palácio”), o filme foi apresentado em competição no Festival de Cinema de Veneza, onde recebeu os prémios de Melhor Argumento (Vincent) e Melhor Actor (Luchini). PÚBLICO

O renascimento do magistrado

Fabrice Luchini, antigo “regular” de Eric Rohmer, faz com que este filme valha a pena.

O tema não é original: a história do homem envelhecido e severo, um pouco amargo, a abrir brechas na sua carapaça, a tornar-se mais tolerante para com os outros e para com a vida em geral. E se Christian Vincent é pouco mais do que competente no seu realismo doseado de um pouco de artificialidade e teatralidade (sobretudo paras as cenas, que são muitas, num ambiente de tribunal, esse palco tradicional para a grande comédia ou o grande drama da justiça), O Senhor Juiz tem um trunfo de peso, Fabrice Luchini, antigo “regular” de Eric Rohmer e actor inclassificável. É por ele, ainda por cima em pleno domínio da gravitas, ora aparentemente concentrada ora aparentemente mais “despassarada”, que a idade lhe trouxe, que vale a pena ver O Senhor Juiz, história de um juiz temível pela intransigência – os colegas chamam-lhe “um vento gelado” – que ao reencontrar inesperadamente, enquanto jurada de um caso bastante violento, uma antiga amante (a dinamarquesa Sidse Babett Knudsen), se vai pacificando com uma parte adormecida da sua alma.

Os factos, o courtroom drama, tudo se vai tornando secundário – o que conta é assistir à hipótese de renascimento daquele homem que se dava perdido para as emoções. Luchini, sempre discreto, num registo “silencioso” e interior, dá esse processo de maneira impecável, e Christian Vincent tem a inteligência bastante para perceber que o filme “é” Luchini, e para não o trair.

LUÍS MIGUEL OLIVEIRA , in Cinecartaz

 

 

 

 

 

 

 

 

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