21 de Junho, 19h: “A Casa das Mães”

 

casadasmaes

Realização: Philippe Constantini

Portugal 2015 | 131’ | M/12

 

Numa das minhas frequentes estadias em Lisboa conheci por acaso a Casa de Santo António e confesso que este lugar e o seu objectivo me fascinaram logo: uma casa que recebe adolescentes grávidas ou jovens mães, pré- ou recém-mamãs, e as tenta preparar para o futuro. Nos meus filmes procuro o encontro e testemunho de uma relação de confiança estabelecida ao longo do tempo e sobretudo uma cumplicidade com as pessoas filmadas. Durante dois anos, partilhei a vida destas jovens mães em plena adolescência, algumas só com 14 anos, assolada por conflitos pessoais e familiares decorrentes da sua nova situação. A regra que estabeleci para mim mesmo ao longo destas filmagens foi apenas a de acompanhar ao longo do tempo um grupo de pessoas, observar sem preconceitos os seus comportamentos para tentar entender a lenta e subtil transformação do seu ser. No vai e vem entre a aprendizagem individual do “tornar-se mãe” e a participação numa forma de vida colectiva surge uma transformação radical do comportamento e sobretudo da visão do mundo. É certo que nem tudo pode ser cor-de-rosa neste universo fechado, e inúmeras tensões e rivalidades surgem inevitavelmente. Como é que uma jovem mãe (ou futura mãe) enfrenta este novo estado com o qual é subitamente confrontada? Acabadas de sair da adolescência, estas jovens têm de bruscamente tornar-se adultas, mesmo antes de terem alcançado uma certa maturidade. Trata-se de enfrentar o maior desafio com a maior das responsabilidades: assegurar o bemestar e a segurança de uma criança. Como é que se instala essa noção de responsabilidade maternal e de amor por uma criança que, na maioria dos casos, não foi desejada? Como é que, ao longo de alguns meses, se adquire os valores ensinados pelos responsáveis que as rodeiam? Como é que se projeta o futuro?

Philippe Constantini

 

Philippe Costantini é um realizador francês especialmente ligado a Portugal, país onde viveu vários anos. Conheceu e trabalhou com alguns cineastas e técnicos portugueses (entre os quais António Reis, Fernando Matos Silva, Rui Simões, Alberto Seixas Santos, Acácio de Almeida…) e realizou vários documentários (uma trilogia sobre a aldeia de Vilar de Perdizes, rodada entre 1976 e 1988, com os filmes: Terra de Abril, Os Primos da América e Pedras da Saudade). Actualmente, regressa a Portugal várias vezes, onde permanece algum tempo. Philippe Costantini trabalhou muitos anos como director de fotografia nomeadamente nos filmes de Jean Rouch

 

 

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