10 de Maio, 19h: “Quarteto”

 

quarteto (2)

Realização: Dustin Hoffman

Intérpretes:  Maggie Smith, Tom CourtenayBilly ConnollyMichael Gambon

GB, 2012, 98′, M/12

“Beecham House”, um lar para músicos aposentados, está numa verdadeira azáfama. Corre pelos seus corredores um rumor que está para breve a chegada de um novo residente e que se trata de uma grande estrela. Para Reginald Paget (Tom Courtenay), Wilfred Bond (Billy Connolly) e Cecily Robson (Pauline Collins), este tipo de conversa é habitual, sendo mais um mexerico da casa. Mas eles têm uma surpresa especial quando descobrem que o novo inquilino é a sua antiga parceira de canto, Jean Horton (Maggie Smith). A carreira de solista de Jean, e o seu grandioso ego, acabaram por dividir a longa amizade entre os quatro e levar ao fim do casamento de Jean com Reggie, que não aceita da melhor forma a sua chegada à casa. Pode o tempo curar feridas antigas? E será que este quarteto famoso vai ser capaz de superar as suas diferenças a tempo da Gala de beneficência de “Beecham House”? Beecham House é uma comédia comovente realizada por Dustin Hoffman e passada no campestre e bucólico interior britânico.

A arte de envelhecer (com música)

Dustin Hoffman é o primeiro nome em destaque na ficha de “Quarteto”, mas não como actor: na sua (quase) estreia como realizador, filma as atribulações no interior de uma casa de repouso para antigas glórias do canto lírico…

Rezam as crónicas que, há várias décadas, Dustin Hoffman experimentou a realização. Foi em “Straight Time/Beco sem Saída” (1978), thrillerem que o próprio contracenava com Theresa Russell. O certo é que desentendimentos vários entre Hoffman e o estúdio produtor levaram o actor a sugerir que fosse chamado Ulu Grosbard para concluir o projecto. E é, de facto, o nome de Grosbard que, no genérico, se segue ao “directed by”.

Mais de trinta anos passados sobre esse percalço, aí está Hoffman a “estrear-se” a dirigir um filme, tendo como ponto de partida uma peça de Ronald Harwood sobre as divertidas atribulações de uma casa de repouso para antigas glórias do canto lírico. E não será de admirar se dissermos que o trunfo maior de “Quarteto” está no respectivo elenco: Maggie Smith, Tom Courtenay, Billy Connolly, Pauline Collins, Michael Gambon, Trevor Peacock, etc.
Que é como quem diz: uma colecção de excelentes profissionais do cinema e teatro britânicos, emprestando a “Quarteto” a agilidade e a alegria de uma galeria de personagens que enfrenta a difícil arte de envelhecer, inevitavelmente fazendo apelo à música e aos seus prazeres. Tudo acontece, aliás, a partir da preparação de um espectáculo interno para celebrar o aniversário de Verdi…
É bem verdade que o trabalho de Hoffman nunca ultrapassa os parâmetros mais rudimentares de um telefilme mais ou menos britânico (a produção é da BBC). O certo é que consegue fazê-lo, pelo menos, com um carinho especial pelas personagens (e seus intérpretes) que o faz escapar a muitos clichés dramáticos sobre os mais velhos. Para a história, vale a pena registar que, aos 75 anos, “Quarteto” valeu a Hoffman o “prémio revelação” (como realizador) atribuído no Hollywood Film Festival.
Crítica de João Lopes

 

 

 

 

 

 

 

 

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