26 de Abril, 19h: “Amy”

 

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Realização: Asif Kapadia 

Documentário (Óscar do Melhor Documentário 2016)

GB, 2015, 128′, M/12

A 23 de Julho de 2011, o mundo da música recebia a notícia da morte de Amy Jade Winehouse. Tinha 27 anos, a mesma idade de outros “mártires” da pop quando desapareceram (Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain…), o que veio alimentar a glorificação da sua figura. Nascida em 1983, Amy cresceu no bairro londrino de Southgate. Viria a tornar-se uma das mais celebradas cantoras soul. A projecção para a fama planetária – essa fama que sempre disse nunca ter desejado – deu-se com o álbum “Back to Black” (2006), que incluía temas como “Rehab”, “You know I’m no good” ou “Tears dry on their own”. Mais de 12 milhões de cópias foram vendidas em todo o mundo. Os Grammys também se lhe renderam: conquistou cinco galardões. Houve quem lhe atribuísse até a inauguração de uma “escola” musical feita de ensinamentos da soul e de uma certa nostalgia musical à medida do século XXI. A voz, associada aos exageros de “eyeliner” e cabelo, compunham toda uma “persona” que não falhava em agitar o meio. Fez manchetes pelo vozeirão, mas também pelos escândalos e pseudo-escândalos associados à dependência de álcool e drogas, a um estilo de vida irregular e a uma vida pessoal conturbada. Amy viu-se perante a dificuldade em lidar não só com esses problemas, mas também com a voraz curiosidade da comunicação social. Esse desequilíbrio continua a ser apontado como o factor determinante para o seu final trágico. Chegou a subir aos palcos em Portugal, no festival Rock In Rio Lisboa 2008. Quem a viu recorda o momento constrangedor de encontrar uma mulher trôpega, disfuncional e incapaz de se manter em pé – quanto mais cantar. A rota de decadência continuou. Em 2011, chegou a ter concerto marcado para o festival Sudoeste, na Zambujeira do Mar, em Agosto, mas a actuação acabou por ser cancelada por alegados problemas de saúde. Amy não sobreviveria a esse Verão.
Estreado em Cannes, tendo como pano de fundo a polémica da não-aprovação da sua família mais próxima, “Amy” tem a assinatura do inglês Asif Kapadia, que já tinha sido responsável por “Senna” (2010), o premiado “biopic” sobre o piloto brasileiro de Fórmula 1 Ayrton Senna. Combina imagens de arquivo (muitas inéditas) recolhidas pelo realizador e reflecte o conteúdo de mais de uma centena de entrevistas que fez a familiares – incluindo o ex-marido, Blake Fielder-Civil –, amigos e elementos da indústria musical. O documentário, que chegou aos cinemas no dia do quarto aniversário da morte da cantora, traça um retrato comovente de alguém que, apesar da forte personalidade artística, era a fragilidade em pessoa. Tendo como fio condutor as letras das suas canções, Amy é recordada como uma vítima do próprio sucesso.
PÚBLICO

Foi um dos grandes acontecimentos do último Festival de Cannes: o documentário “Amy”, de Asif Kapadia, revisita os altos e baixos de uma vida trágica marcada por um invulgar talento musical.

Uma das maiores crueldades de alguma comunicação “social” contemporânea consiste em tratar as vidas dos seus protagonistas como se fossem relatos mais ou menos pitorescos de alegrias e sofrimentos que parecem ter acontecido apenas para ser espectáculo… A genial Amy Winehouse foi uma dessas figuras compulsivas e o menos que se pode dizer de um documentário como “Amy” é que a resgata dos lugares-comuns jornalísticos, para repor a complexidade do seu ser.

O filme assinado por Asif Kapadia (que, em 2010, realizara “Senna”, sobre Ayrton Senna) começa por recusar encerrar Winehouse em qualquer formato, seja ele psicológico ou mediático, artístico ou simbólico. Através de materiais de arquivo francamente invulgares, Kapadia consegue traçar o caminho labiríntico e trágico de uma jovem (morreu a 23 de Julho de 2011, contava 27 anos) marcada pela dependência do álcool e outras drogas, senhora de uma paisagem criativa absolutamente fora de série.

Nesta perspectiva, importa destacar a pluralidade dos elementos que Kapadia reuniu numa montagem especialmente subtil. Por um lado, deparamos com registos de performances muito pouco vistas ou que conhecíamos de forma incompleta (observem-se, por exemplo, os tocantes momentos antes da gravação com Tony Bennett); por outro lado, as fotos e reportagens televisivas que foram utilizadas de forma especulativa e “voyeurista” pelo jornalismo mais irresponsável surgem, agora, no seu devido contexto, mostrando que não se trata apenas das imagens e sons que se escolhem, mas do modo de os tratar.

Estreado no Festival de Cannes (extra-competição), “Amy” é também um belo exemplo da evolução de um modelo documental que, afinal, possui uma longuíssima tradição: trata-se de revisitar a biografia de alguém através dos mais diversos materiais que, em vez de gerarem um retrato determinista, sublinham a dimensão humana, demasiado humana, de alguém que morreu sem cumprir todas as potencialidades do seu imenso talento — é também isso que sentimos ao voltar a escutar as canções de Amy Winehouse. João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

 

 

 

 

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