19 de Abril, 19h: In memoriam Ettore Scola “O Baile”

O Baile 3

RealizaçãoEttore Scola

IntérpretesChristophe AllwrightAziz ArbiaMarc BermanRégis Bouquet

ITA/FRA/Algéria, 1983, 112′, M/12

A dança do tempo no tempo da dança. Por um salão de baile, enquanto os pares dançam, desfilam 50 anos da história da França: desde a década de 30 do século passado, da euforia da Frente Popular, até aos anos 80, passando pela Ocupação, Resistência e Maio de 68. Acompanhando a evolução musical, chega-se ao rock e ao disco.

Texto: Cinemateca Portuguesa

 O BAILE (1983) — Porventura o mais ousado trabalho de Scola, revisitando uma parte do século XX italiano através de uma série de cenas num mesmo salão de baile — é um filme literalmente dançado em que as convulsões sociais e as mudanças de comportamentos se expõem através do impulso da música.
João Lopes, in CineMax

GERSON STEVES DIZ:

Em 1981, o ator e diretor francês Jean-Claude Penchenat criava, coletivamente com os atores do seu Theâtre Du Campagnol, uma obra teatral que coadunava com ideias nascidas nos movimentos de Teatro Dança dos anos 70 e aprofundadas nos anos 80. Essa criação coletiva chamou-se Le Bal, O Baile.

Foi tamanho o sucesso e a repercussão do espetáculo que o cineasta italiano Ettore Scola (na época, passando dos 50 anos de idade) decidiu transpor a obra para a grande tela, com o mesmo elenco. Àquela altura, Scola já havia dirigido alguns de seus maiores sucessos que se tornaram jóias da cinematografia italiana: Feios, Sujos e MalvadosUm Dia Muito Especial, Nós Que Nos Amávamos Tanto e Casanova e a Revolução.

Scola é um diretor de atores, preocupado com as relações humanas e de como as pessoas interagem com o meio. E mais: como o indivíduo reage à realidade política que o cerca. Por isso, a ideia do Thêatre Du Campagnol caiu como uma luva para a estética do diretor.
O Baile é uma experiência cinematográfica instigante, artisticamente estimulante e irretocável do ponto-de-vista estético. O filme passa em revista 50 anos de uma vida, não a vida de uma pessoa, mas de um salão de baile que poderia estar em qualquer canto da França. Sem palavras, apenas por meio de gestos e olhares, vidas se entrelaçam na busca de um pouco de companhia. A profunda solidão das personagens se desenha década a década, indicando que mudam as músicas, os figurinos e as pessoas, mas os sonhos e desejos do homem continuam sempre sendo os mesmos.

A cada novo bloco, desde os anos 30 até os anos 80, o salão se transforma: pequena orquestra dá lugar a uma jukebox, os ideais de liberdade e igualdade são afrontados pelo nazismo ou pela xenofobia contra a imigração argelina, as ingênuas meninas de família saem de cena para a chegada das pin-ups com influência do rock’n’roll.
Felizmente, Scola abandona uma linguagem realista ou naturalista em favor de uma interpretação maneirista, feita de composições ora sutis, ora quase caricatas. Para os quase 25 atores que se revezam década a década, teatralidade é a palavra de ordem – um prato cheio, por exemplo, para fãs de Pina Bausch. É um desfilar de rituais de sedução, jogos de poder machistas, tipos masculinos e femininos dos mais variados.
Bem ao gosto das produções de teatro-dança dos anos 80, a trilha sonora é um apanhado delicioso de músicas de todos os tempos e lugares: mambos, rumbas, jazz, cha-cha-chá, rock, fox e até um samba de Carvalhinho e Olavo Drummond (Madureira Chorou – com uma tradução em francês deliciosa: Si tu vas à Rio N’oublie pas de monter là-haut. Dans un petit village. Caché sous les fleurs sauvages. Sur le versant d’un côteau.”)

CLÁUDIO CURI ACRESCENTA:
Ettore Scola é considerado pela crítica o maior diretor do cinema italiano dos anos 70 e 80, numa geração posterior a Monicelli, Fellini, Dino Risi, Visconti, Vittorio de Sica,  Comencini e tantos outros grandes nomes de seus conterrâneos.
Filiado ao Partido Comunista italiano, começou, com louvor, como roteirista, apresentando sempre em seus filmes, temáticas sociais e políticas.

À maneira do americano Robert Altman, nunca fazendo concessões comerciais, tornou-se, também, um mestre nos chamados filmes de grupo. Com histórias que se misturam ou situando ações num único ambiente, como Cerimônia de Casamento (Altman, 1978) ou O Jantar (Scola, 1999), este último com um de seus atores preferidos (Vittorio Gassman).

Scola estreou na direção em 1964 com Fala-se de Mulheres, sendo O Baileconsiderado por muitos sua obra-prima. Durante a rodagem do mesmo, sofreu um infarto que quase pôs fim à sua carreira, recuperando-se e voltando a filmar no ano seguinte (Maccheroni, 1985, com Mastroianni e Jack Lemmon). Outros consideram sua obra-prima o filme Um Dia Muito Especial, de 1977, com outro de seus atores favoritos (Mastroianni) e Sophia Loren.

Mas o meu preferido é uma deliciosa comédia dramática chamada Ciúme à Italiana (Dramma della Gelosia, 1970). Assisti a este filme no antigo cine Astor, em São Paulo, no Conjunto Nacional, onde hoje funciona a Livraria Cultura, quando me deleitei com as magníficas interpretações de Mastroianni, Monica Vitti e Giancarlo Giannini.

O Baile
 foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 1983, perdendo para Fanny & Alexander, de Ingmar Bergman. Foi indicado, também, ao Urso de Ouro (Berlim, 1984) e premiando Scola com o Urso de Prata. Na França (Cesar, 1984), levou os prêmios de direção, melhor filme francês e música. Na Itália faturou o David di Donatello de 1984 como melhor filme (junto com E La Nave Va), melhor diretor, edição e música.

em http://tododiaumfilme.blog.com/2011/09/14/o-baile/

 

 

 

 

 

 

 

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