12 de Abril, 19h: “Marguerite”

Marguerite 2

RealizaçãoXavier Giannoli

IntérpretesCatherine FrotAndré MarconDenis Mpunga

FRA/BEL/Rep. Checa, 2015, 127′, M/12

França, 1920. Marguerite Dumont é rica, megalómana e apaixonada por ópera. Convencida de que tem uma belíssima voz, todos os anos ela reúne no seu castelo um grupo de amigos para quem actua em privado. Marguerite canta e o público que escolheu para a aplaudir reage como se ela fosse uma autêntica diva. Quando um jovem jornalista provocador decide escrever um artigo entusiástico sobre a sua última actuação, ela encontra aí a coragem necessária para seguir o sonho. E tudo ganha novas proporções quando, apesar da relutância do marido, Marguerite decide organizar o seu primeiro recital perante uma plateia de estranhos. Excêntrica, obsessiva mas muito segura de si, ela decide mostrar-se ao mundo…
Com argumento e realização do francês Xavier Giannoli (“Uma Aventura“, “Quand j’étais Chanteur“), um filme dramático que se inspira vagamente na história de Florence Foster Jenkins. O elenco conta com Catherine Frot, André Marcon e Michel Fau. PÚBLICO

 

A solidão da cantora de ópera

“Marguerite” é um filme que vale pela excepcionalidade da sua figura central: uma mulher que não sabe cantar, mas acredita que possui um talento invulgar — tudo passa, afinal, pelo trabalho de interpretação de Catherine Frot.

“Drama de época”? “Comédia de costumes”? As expressões caíram em desuso e são até, por vezes, olhadas com alguma suspeição… Talvez porque os valores que arrastam pareçam ter-se transferido, em grande parte, para o espaço televisivo. Daí o misto de sedução e desilusão que um filme como “Marguerite” pode envolver: é uma tentativa de recriar aqueles modelos cinematográficos e, ao mesmo tempo, apresenta-se marcado pelas convenções menos empolgantes de séries e telefilmes.

Seja como for, sublinhemos o essencial. A saber: uma personagem realmente invulgar, tão fascinante quanto irrisória. Trata-se, assim, de fazer o retrato de Marguerite Dumont, uma dama que circula nas altas esferas da sociedade de 1920, exibindo os seus dotes de cantora de ópera… Com um pequeno problema: as suas competências para tão delicada tarefa são nulas.

O filme é menos uma caricatura da dimensão inapelavelmente ridícula de Marguerite e mais um inventário da sua trágica solidão. Isto porque o realizador Xavier Giannoli tem o cuidado (e, de alguma maneira, também o pudor) de não escamotear a componente mais visceral da personagem de Marguerite. A saber: o modo como ela acredita, realmente, no seu imaginário talento, num processo de auto-deslumbramento que ninguém quer contrariar e que, por fim, a aproxima da loucura.

Daí que tudo passe por Catherine Frot, de facto uma actriz capaz de sustentar o essencial do filme. Figura discreta, mas prestigiada, da produção cinematográfica francesa (com uma sólida formação teatral), ela representa Marguerite num misto calculado de exposição e ocultação. Já ganhou um César de melhor actriz secundária com “Un Air de Famille” (1996), de Cédric Klapisch — e não será uma surpresa se, graças a “Marguerite”, conseguir, pelo menos, voltar a ser nomeada.

Crítica de João Lopes, publicado 19:35 – 29 outubro ’15

Nota: Catherine Frot não só foi nomeada para os Césars (Óscares franceses), como ganho o César de Melhor Interpretação Feminina/2015, em 26 de Fevereiro de 2016

 

 

 

 

 

 

 

 

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