29 de Março, 19h: “Regresso a Casa”

 

Regresso a casaRealização: Zhang Yimou

Intérpretes: Li Gong, Daoming Chen, Zhang Huiwen

China, 2014, 109′, M/12

China, início da década de 1970. Lu Yanshi (Chen Daoming), considerado um opositor ao regime, é feito prisioneiro político e enviado para um campo de trabalhos forçados, onde carrega o peso de ter sido denunciado pela própria filha, a ambiciosa e mimada Dandan (Huiwen Zhang). Quando finalmente consegue voltar a casa, está ansioso por reencontrar a mulher, Feng Wanyu (Gong Li). Mas não obtém a reacção esperada: ela manda-o embora. Feng sofre de amnésia. Embora ainda ame o marido e tenha esperado longos anos pelo seu regresso, é incapaz de o reconhecer. Lu não tem alternativa senão aproximar-se dela de forma subtil e paciente, procurando avivar a sua memória e, assim, despertar aquele grande amor adormecido. Mas as recordações encerram também fantasmas, segredos e feridas por curar…
Estreado em Cannes, fora de competição, um drama romântico sobre reconciliação e redenção, tendo como pano de fundo as convulsões sociais provocadas pela Revolução Cultural Chinesa. Com realização do multipremiado Zhang Yimou (“O Segredo dos Punhais Voadores”, “Herói”, “A Maldição da Flor Dourada”), “Regresso a Casa” inspira-se no romance “The Criminal Lu Yanshi”, de Geling Yan, cuja obra já tinha sido adaptada pelo cineasta chinês no filme anterior, “As Flores da Guerra”, baseado em “The 13 Women of Nanjing”.
PÚBLICO

O cinema histórico de Zhang Yimou

Zhang Yimou, uma das figuras essenciais da chamada Quinta Geração do cinema chinês (a par de Chen Kaige), continua a desenvolver um trabalho interessantíssimo. Há nele uma vertente espectacular que gerou, por exemplo, o insólito e fascinante Uma Mulher, uma Arma e uma Loja de Massas (2009), lançado de forma ultra-discreta no mercado português, a par de uma dimensão histórica que o leva a abordar alguns momentos críticos da evolução da sociedade chinesa. Regresso a Casa pertence a esta segunda vertente, encenando a dramática odisseia de um casal – interpretado pelos magníficos Chen Daoming e Gong Li -, separado pelas convulsões da Revolução Cultural. Sem nunca ceder a simbolismos fáceis, muito menos panfletários, Zhang Yimou consegue conciliar a dimensão de fresco histórico com um intimismo que não é estranho a uma desencantada pulsão romântica. Vale a pena referir que, neste momento, o realizador trabalha em The Great Wall, projecto coproduzido com os EUA, que vai reunir uma grande vedeta americana, Matt Damon, com outra de Hong Kong, Andy Lau.

João Lopes, in DN

 

 

 

 

 

 

 

 

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