22 de Março, 19h: “A Assassina”

A Assassina blog RealizaçãoHou Hsiao-Hsien

Intérpretes: Shu Qi, Chang Chen

HK/Taiwan/China/FRA, 2015, 107 ‘ M/12

China, Século IX.
Nie Yinniang, a filha de 10 anos de um general, é raptada por uma freira, que a inicia nas artes marciais, transformando-a numa implacável assassina, responsável por matar cruéis e corruptos governadores locais. Um dia, após falhar uma missão, é enviada pela preceptora para a sua terra natal, com ordem para matar o homem a quem  tinha sido prometida – um primo que agora lidera uma grande região militar no Norte da China.
Depois de 13 anos de exílio, a jovem mulher terá de confrontar os pais, as suas memórias e os sentimentos que, durante tanto tempo, reprimiu.
Em competição no Festival de Cinema de Cannes 2016, onde recebeu o prémio de Melhor Realizador.

Cineasta chinês, ligado à produção de Taiwan, Hou Hsiao-Hsien está de volta aos ecrãs portugueses com uma saga centrada numa personagem feminina: “A Assassina” tem tanto de apoteose visual como de intensidade afectiva.

Desde os tempos heróicos de Bruce Lee, a tradição dos filmes de artes marciais contém de tudo um pouco — desde a produção em série, mais ou menos estereotipada (dos estúdios Shaw Brothers, por exemplo), até experiências mais ou menos exuberantes e formalistas como “O Tigre e o Dragão” (2000), de Ang Lee.

Até certo ponto, poderá dizer-se que “A Assassina”, de Hou Hsiao-Hsien, se filia nesse imenso território: esta é, afinal, a história de uma jovem, Nie Yinniang (Shu Qi), treinada, precisamente, nas subtilezas das artes marciais, cujas missões consistem em aniquilar os oficiais que podem por em causa o poder da Dinastia Tang — tudo se passa na China do século VIII.
Acontece que Hou Hsiao-Hsien não é um cineasta que se limite a aplicar clichés mais ou menos testados. Marcada pela missão de matar o seu primo, a quem a ligam laços afectivos muito fortes, Nie Yinniang vive uma saga em que as referências históricas se cruzam com um desejo de espectáculo que tem tanto de apoteose visual como de intensidade afectiva.
Historicamente ligado à produção de Taiwan,  autor de títulos emblemáticos como “Tempo para Viver e Tempo para Morrer” (1985) e “Flores de Xangai” (1998), Hou Hsiao-Hsien poderá definir-se como um criador que valoriza a dimensão mágica do cinema, muito para além de qualquer matriz naturalista. Daí o fascinante paradoxo de “A Assassina”: um filme em que as personagens parecem ser marionetas do poder e, ao mesmo tempo, uma exercício de estranha e sedutora intimidade.
Crítica de João Lopes, in CineMax

 

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