2 de Fevereiro, 19h: “A Uma Hora Incerta”

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Realização: Carlos Saboga

Intérpretes: Grégoire Leprince-Ringuet, Joana de Verona, Ana Padrão

POR/FRA, 2015, 75′  M/12

Ano de 1942. Apesar de viver sob o jugo de uma ditadura, Portugal é, para milhares de pessoas que tentam fugir da guerra que assola a Europa, uma espécie de paraíso. Boris e Laura são dois franceses que chegam a Lisboa para escapar à morte. O inspector Vargas, sentindo-se atraído por Laura, decide escondê-los no velho hotel onde vive com Marta, a mulher, e Ilda, a filha adolescente. Quando Ilda se dá conta da presença dos refugiados e da inclinação do seu pai pela jovem mulher, deixa-se levar pelo ciúme. Decidida a afastá-la do progenitor, está disposta a tudo para os expulsar das suas vidas…
Depois da estreia, em 2012, com “Photo”, esta é a segunda incursão à realização de Carlos Saboga, conhecido pelos argumentos de filmes como “O Lugar do Morto” (António-Pedro Vasconcelos), “Matar Saudades” (Fernando Lopes), “O Milagre segundo Salomé” e “Amor de Perdição” (Mário Barroso), “Os Mistérios de Lisboa” (Raul Rouiz) ou “As Linhas de Wellington” (Valéria Sarmento). O elenco conta com a participação de Paulo Pires, Joana Ribeiro, Pedro Lima, Grégoire Leprince-Ringuet, Joana de Verona e Ana Padrão. Em complemento à sessão é também exibida a curta-metragem “Coro dos Amantes”, de Tiago Guedes. PÚBLICO

Outras histórias da história de Portugal

Com “A uma Hora Incerta”, Carlos Saboga revisita os meandros de um tempo marcado pela acção da polícia política do Estado Novo — como complemento, é exibida a curta-metragem “Coro dos Amantes”, de Tiago Guedes.

Cinema histórico português?… Provavelmente não existe. Por razões quantitativas, entenda-se: a escassez da nossa produção dificulta a consolidação de um género (drama, comédia, etc.). Em todo o caso, há filmes mais ou menos solitários que contrariam tal estado de coisas — “A uma Hora Incerta”, escrito e realizado por Carlos Saboga, constitui um bom exemplo de tal atitude.

O projecto de Saboga envolve uma metódica vontade de escapar ao cliché, seja ele dramático ou político — e tanto mais quanto está em jogo um período tão complexo (e tão enigmático) quanto aquele que se viveu em Portugal, em plena Segunda Guerra Mundial, quando chegavam muitos refugiados que tentavam escapar aos combates, nomeadamente em França.
Em cena está a acção da polícia política do Estado Novo. A partir da acção de dois inspectores da PIDE (interpretados por Paulo Pires e Pedro Lima), visando em particular uma família francesa, “A uma Hora Incerta” organiza uma memória de um tempo de repressão e ocultação, escapando a qualquer facilidade “panfletária” ou “militante”.
Com um leque de personagens femininas particularmente rico e contrastado — interpretadas, por exemplo, por Joana Ribeiro, Joana de Verona e Ana Padrão —, o filme de Carlos Saboga consegue, além do mais, sugerir a respiração interior de um mundo dominado por valores masculinos, tendencialmente machistas. É, por tudo isso, uma revisitação de um período concreto da história do nosso país, agora repensado através de histórias menos óbvias e mais subtis.
* * * * *
 Como complemento de “A uma Hora Incerta”, podemos ver uma curta-metragem que marcou presença no IndieLisboa de 2014:
“Coro dos Amantes”, de Tiago Guedes, com Isabel Abreu e Gonçalo Waddington, é um caso exemplar de um filme genuinamente experimental (na composição das imagens) que não se deixa vencer pela tentação formalista, mantendo-se atento à vibração das suas personagens.
João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

 

 

 

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