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26 de Janeiro, 19h: “Bando de Raparigas”

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Realização: Céline Sciamma

Intérpretes: Karidja TouréAssa SyllaLindsay Karamoh

FRA, 2014, 112′

Marieme é uma adolescente que vive num bairro problemático dos subúrbios de Paris (França). Sente-se oprimida pela família, por um contexto social dominado pelo sexo masculino e pela falta de perspectivas de futuro. Quando conhece um “gang” de raparigas que se norteiam apenas pelas próprias vontades e não dão satisfações a ninguém, vê ali a sua grande hipótese de libertação. Para ser aceite no grupo, adopta uma nova identidade, muda de nome e deixa a escola. Com aquelas raparigas, a agora conhecida como Vic irá desenvolver a sua autoconfiança e encontrar o sentimento de pertença por que tanto ansiava. Mas também há-de descobrir que a liberdade que alcançou está longe de ser sinónimo de plena felicidade…
Apresentado em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, um drama que parte das dores e descobertas inerentes à adolescência para questionar estereótipos de raça, género e classe social. A realização é de Céline Sciamma (“Naissance des Pieuvres”, “Tomboy”), que também assina o argumento. O filme recebeu quatro nomeações para os Césares, incluindo na categoria de Actriz Revelação, pela interpretação de Karidja Touré, no papel de Marieme/Vic.
PÚBLICO

Moldada há várias décadas – sobretudo após o fim dos processos descolonizadores e do desenlace da Guerra da Argélia – pelas tensões entre tolerância e preconceito étnico-religioso, a França é composta por gigantescos banlieues (bairros suburbanos) na cintura das suas metrópoles.

O primeiro filme contemporâneo com impacto internacional a espelhar os resultados – por vezes trágicos – dessas tensões foi O Ódio de Mathieu Kassovitz, faz agora duas décadas. Mas os pecadilhos estilísticos do seu autor (Kassovitz exagera sempre naquele falso docudrama a preto e branco) retiravam gravitas ao produto final.

Bando de Raparigas é um dos grandes filmes de 2015, e talvez o melhor trabalho dos últimos anos – na ficção, já que os esforços de Raymond Depardon permanecem inestimáveis – sobre o gueto gaulês. Marieme (a extraordinária estreante Karidja Touré) é uma das milhões de adolescentes francesas de segunda geração com problemas crónicos para ultrapassar a desintegração familiar (o pai não existe, a mãe delegou-lhe a vigilância da irmã mais nova e o irmão bate-lhe sempre que pode), a ausência de perspectivas de futuro e uma tripla barreira social: género, raça e classe – Marieme é mulher, negra e pobre.

Mas a sua força e a sua inteligência estilhaçam todos os obstáculos, e Céline Sciamma (que revelara talento superior para o estudo das fronteiras da identificação com o precedente Tomboy) transforma o Diamonds de Rihanna num hino emancipatório, enquanto completa o mais belo retrato colectivo feminino desde, pelo menos, o Three Women de Robert Altman. “Shine Bright”.

Crítica de Pedro Marta Santos

Nota: 5 estrelas

 

 

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