19 de Janeiro, 19h – “O Homem Demasiado Amado”

 

FRENCH RIVIERA André TéchinéFidélité Films/Luc RouxRealizaçãoAndré Téchiné

IntérpretesGuillaume CanetCatherine DeneuveAdèle Haenel

FRA, 2014, 116 ‘  M/12

Nice, Riviera francesa, 1976. Renée Le Roux (Catherine Deneuve), dona do famoso casino Palais de la Méditerranée, é uma mulher carismática e cheia de personalidade que conseguiu aguentar o negócio do marido após a sua morte. Mas a sua ruína – financeira e, acima de tudo, pessoal – está a aproximar-se. Agnès (Adèle Haenel), a sua única filha, deixa-se envolver com Maurice Agnelet (Guillaume Canet), advogado e consultor de Renée. Quando o casino sofre um duro golpe de apostadores profissionais que quase o levam à falência, Renée vê-se nas mãos de Jean-Dominique Fratoni, seu rival no negócio, que oferece uma fortuna pelo estabelecimento. Maurice convence Agnès a votar contra a sua própria mãe, que perde o poder de decisão da empresa, o que leva ao encerramento do casino. O advogado termina a relação com Agnès, que fica ressentida com a traição e tenta acabar com a própria vida. Depois de uma aparente recuperação, desaparece sem deixar rasto, com apenas 29 anos. Renée convence-se que Maurice assassinou a filha mas, após uma curta investigação, o caso é encerrado por falta de provas. E assim fica durante décadas…
Seleccionado para integrar a Selecção Oficial do Festival de Cinema de Cannes, um filme dramático que conta com a assinatura de André Téchiné (“Os Juncos Silvestres”, “A Minha Estação Preferida”) e que tem por base a verdadeira história de Renée Le Roux, relatada no seu livro de memórias, “Une Femme Face à la Mafia”.
O “Caso Le Roux”, como ficou conhecido na altura, chocou a opinião pública e mereceu uma enorme cobertura da imprensa internacional. Apesar de o corpo de Agnès le Roux nunca ter sido encontrado, Renée sempre se recusou a desistir da investigação. Em 2014, com o testemunho de Guillaume Agnelet, filho de Maurice, a verdade veio finalmente a público e Maurice foi condenado a 20 anos de prisão pelo homicídio de Agnès. PÚBLICO

 

Nome grande do cinema francês, o realizador André Téchiné está de volta às salas portuguesas com um filme excepcional: “O Homem Demasiado Amado” recupera um “fait divers” dos anos 70 para elaborar um retrato íntimo das convulsões do amor.

Estranhamente, nos últimos anos, André Téchiné, um dos dois ou três nomes fulcrais na história do cinema francês pós-Nova Vaga, quase desapareceu do mercado português… “Les Témoins” (2007) e “La Fille du RER” (2009), dois retratos muito íntimos de convulsões da sociedade francesa (o primeiro sobre a eclosão da sida, o segundo inspirando-se num fait divers de grande impacto mediático), nem sequer estrearam.

Enfim, aí está “O Homem Demasiado Amado”, revelado há mais de um ano no Festival de Cannes de 2014 (extra-competição). O menos que se pode dizer é que há sempre qualquer coisa que tem a ver com a mais pura sideração — Téchiné distingue-se pela sua fidelidade a um cinema atento às razões irrazoáveis dos movimentos amorosos, nessa medida mantendo-se disponível para as singularidades dos seus actores e, em particular, actrizes.

Figura fetiche do universo de Téchiné — desde o sublime “Hôtel des Amériques/O Segredo do Amor” (1981) —, Catherine Deneuve regressa em “O Homem Demasiado Amado”, assumindo a figura de Renée le Roux, administradora de um casino da Côte d’Azur que, na segunda metade dos anos 70, surgiu envolvida num conflito que desembocou no desaparecimento da sua filha, Agnès, interpretada pela admirável Adèle Haenel. Renée e Agnès definem com Maurice Agnelet (Guillaume Canet) um triângulo insólito: ele é o “homem demasiado amado” que, na sua condição de conselheiro de Renée, acaba por ser o principal suspeito do desaparecimento (assassinato?…) de Agnès.

Téchiné baseia-se em factos verídicos (o “affaire Le Roux” marcou várias décadas da história social francesa) para elaborar um labirinto de factos e pulsões, máscaras e revelações em que, em última instância, se depara a singularidade irredutível e inconsolável do amor. Este é um cinema sem heróis nem super-heróis, apenas atento aos enigmas das relações humanas — esse apenas corresponde, afinal, ao melhor filme do Verão.

João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

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