12 de Janeiro, 19h: “As Nuvens de Sils Maria”

Sils maria blog Realização: Olivier Assayas

Intérpretes: Juliette Binoche, Kristen Stewart, Chloë Grace Moretz

FRA/SUI/ALE, 2014, 124′  M/12

Na juventude, Maria Enders ficou famosa com o seu papel de Sigrid, uma jovem manipuladora que leva ao suicídio Helena, uma mulher madura com quem tem uma relação amorosa. Hoje, vinte anos passados, é convidada a entrar numa reposição da peça, desta vez no papel da personagem mais velha. Porém, quando percebe que Jo-Ann Ellis, uma jovem e caprichosa actriz de Hollywood, irá interpretar o papel que a tornou famosa, Maria fica insegura. E é então que, juntamente com Valentine, a sua assistente pessoal, segue viagem até aos Alpes suíços onde decorrerão os ensaios. Lá, ela vai ter de aprender a lidar com o desejo ao mesmo tempo que enfrenta alguns dos seus medos mais profundos…
Um filme dramático realizado por Olivier Assayas (“Paris Desperta”, “Destinos Sentimentais“, “Carlos”, “Depois de Maio”), que conta com Juliette Binoche, Kristen Stewart e Chloë Grace Moretz nos papéis principais. Vencedor do Prémio Louis-Delluc, deu a Kristen Stewart um César de Melhor Actriz Secundária. PÚBLICO

 

Olivier Assayas, discípulo de Renoir, gosta de explorar os elementos teatrais das relações humanas. Assim volta a acontecer no excelente “Sils Maria”, com Juliette Binoche, Kristen Stewart e Chloe Grace Moretz.

O mais surpreendente no novo filme do francês Olivier Assayas, “Sils Maria”, decorre dos calculados contrastes do seu trio feminino. Assim, Juliette Binoche (símbolo por excelência do cinema francês) interpreta uma actriz, de nome Maria, que enfrenta a possibilidade de revisitar o texto teatral que, há mais de vinte anos, lhe deu fama, agora noutra personagem; Kristen Stewart (vedeta da saga “Twilight”) é Valentine, a sua fiel assistente; enfim, Chloe Grace Moretz (“A Invenção de Hugo”, “Kick-Ass”) surge como outra actriz, Jo Ann, que poderá retomar o papel que já foi de Maria…

Em grande parte rodado nos esplendorosos cenários de Sils Maria, na Suíça, esta é uma viagem que tem menos a ver com a exploração dos bastidores do teatro e mais com um labirinto de oposições e complementaridades — somos levados a descobrir o modo como a teatralidade está presente em todos os momentos das relações humanas, podendo mesmo funcionar como inesperado revelador. Observe-se, em particular, o facto de Valentine ajudar Maria a ensaiar o texto, instalando uma ambígua e envolvente erotização.

Num certo sentido, Assayas vem mostrar que o teatro é algo que não se opõe à vida, antes a atravessa, contamina e reinventa. Um pouco como no célebre verso de Gertrud Stein — a rose is a rose is a rose —, poderemos dizer que as actrizes/personagens de Assayas são seres que, através da fragilidade da ficção, podem encontrar algumas verdades menos óbvias da sua própria existência, sem deixarem de pertencer ao mundo mágico do fingimento.

João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

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