5 de Janeiro, 19h – “Saint Laurent”

Saint Laurent blog RealizaçãoBertrand Bonello

Intérpretes: Gaspard Ulliel, Jérémie Renier, Louis Garrel, Léa Seydoux

FRA, 2014, 150 ‘  M/16

Yves Henri Donat Mathieu-Saint Laurent nasce em 1936, em Orão, numa altura em que a Argélia é ainda uma colónia francesa. Aos 17 anos, deixa a casa dos pais rumo a Paris, onde vem a trabalhar com o estilista Christian Dior. Após a morte do seu mentor, torna-se, para espanto de todos, o responsável pela direcção criativa da casa Dior. Depois do seu primeiro grande desfile, que se revela um êxito e salva a empresa da ruína, conhece o empresário Pierre Bergé num encontro que mudará a sua vida. Amantes e parceiros de negócios, os dois associam-se e, em 1961, criam a casa Yves Saint Laurent que, durante as décadas de 1960/70, viria a alterar alguns dos paradigmas do mundo da moda. Aliando o sentido prático ao requinte, é lançada a moda “prêt-à-porter”, caracterizada por criações de autor a preços mais acessíveis, o que faz da marca um dos mais importantes símbolos de bom gosto e sofisticação. Em Janeiro de 2002, após um desfile onde faz uma retrospectiva dos seus 40 anos de carreira, o estilista faz o anúncio inesperado de que chegou a hora de se retirar. Seis anos depois, aos 71 anos, Yves Saint Laurent morre devido a um cancro cerebral.
Incidindo sobre o momento áureo da carreira do estilista – entre os anos 1967 e 1976 –, “Saint Laurent” é um filme biográfico que conta com o francês Bertrand Bonello (“Tiresia”, “Apollonide – Memórias de Um Bordel”) na realização e com os actores Gaspard Ulliel, Jérémie Renier, Louis Garrel nos papéis principais. PÚBLICO

Na mente de Saint Laurent

O primeiro filme francês apresentado em competição no 67.º Festival de Cannes (2014), “”Saint Laurent””, de Bertrand Bonello, é uma odisseia sombria na cabeça de um artista torturado, criador genial, interpretado por Gaspard Ulliel. É a segunda vez, em apenas alguns meses, que a vida de Yves Saint Laurent, nascido em 1936 em Oran e falecido em Paris em 2008, é passada para o grande ecrã. O primeiro estreou em Janeiro e levou cerca de 1,6 milhões de espectadores às salas de cinema francesas. “”Yves Saint Laurent””, de Jalil Lespert, com Pierre Niney no papel principal, foi apoiado pelo companheiro e sócio histórico de Yves Saint Laurent, Pierre Bergé, que abriu os arquivos da casa de moda (croquis e vestidos), contrariamente ao projeto de Bonello. «Não tivemos acesso a nada, nem mesmo a uma camisa!», afirmou à imprensa Eric Altmayer, um dos produtores do filme, lembrando a oposição, expressa publicamente, de Pierre Bergé ao segundo projecto. «Por isso, tudo o que veem no filme foi recriado», explicou, ou «alugado a um colecionador, como os vestidos da coleção “Libération”». De igual forma, o filme reconstitui o apartamento da Rue de Babylone com uma precisão impressionante. «É verdade que refizemos tudo como um criador de moda», referiu Bertrand Bonello, que tinha estado presente em Cannes pela última vez com “”L’’Apollonide””, em 2011. «Montámos um atelier de costura para refazer os dois desfiles do filme. A dificuldade foi encontrar desenhos e sobretudo os tecidos, nomeadamente para a coleção russa que fomos investigar em Itália e no sul de França, para termos esta textura completamente conhecida e única», explicou Bonello. O realizador concentrou o cenário numa dezena de anos (1967-1976), «a década mais rica, a mais interessante em termos de moda e de vida. Saint Laurent é quase um homem jovem no início, enquanto depois, no fim, é já conhecido», referiu Bonello em declarações à imprensa. Pelo meio, a droga, o álcool, as noites a caçar nos locais frequentados por homossexuais tornaram-se companheiros de tormenta do criador que se afasta de Pierre Bergé (Jérémie Rénier) por causa de Jacques de Bascher (Louis Garrel), na época amante de Karl Lagerfeld. Bertrand Bonello constrói o filme em duas paletas: a da luz e a da cor, o lado da criação, dos desfiles e festas de uma época revolucionária, e depois a da obscuridade, o negrume da depressão e da dependência. «O filme é todo de contrastes: o dia/a noite, o alto/o baixo, a criatividade/a morbidade – é assim que o filme ganha forma. Todo o homem é múltiplo e este é ainda mais múltiplo», explicou o realizador sobre Saint Laurent. Gaspard Ulliel, metamorfoseado em Saint Laurent, fez uma profunda pesquisa sobre o criador para conhecer «o mais possível a sua vida, o seu trabalho, a época, as pessoas que o rodeavam». Depois foi preciso «esquecer tudo isso, distanciar o mais possível e encontrar uma verdadeira liberdade. A ideia não era tornar-me Yves Saint Laurent mas torná-lo verdadeiro e justo», acrescentou o actor. «O que me seduziu no filme é que é tudo menos uma biografia, mas mais uma odisseia na cabeça de um criador, um verdadeiro filme sobre o processo criativo», sublinha. As personagens femininas, amigas e musas do costureiro, como Betty Catroux (Aymeline Valade), Loulou de la Falaise (Léa Seydoux) e Anne-Marie Muñoz (Amira Casar) povoam a sua vida como borboletas amigas ou braços onde se refugia. Tal como a sua mãe (Dominique Sanda). Yves Saint Laurent (interpretado, mais velho, por Helmut Berger) escreveu ter realizado «um combate da elegância e da beleza que passa por muita angústia e infernos». «É de uma imensa fragilidade, que o torna louco», resume, no filme, Pierre Bergé (Jérémie Rénier), num filme em constante tensão.

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s