24 de Novembro, 19h: “Montanha”

Montanha Realização: João Salaviza

Argumento: João Salaviza

IntérpretesCarloto Cotta, Maria João Pinho, Rodrigo Perdigão, David Mourato, Ema Tavares, Cheyenne Domingues

POR/FRA, 2015, 90 ‘ M/14

Um Verão quente em Lisboa. David, 14 anos, aguarda a morte iminente do avô, mas recusa-se a visitá-lo, temendo esta perda terrível. A mãe, Mónica, passa as noites no hospital. O vazio pela falta do avô obriga David a tornar-se o homem da casa. David não se sente pronto para assumir este novo papel, mas o fim da infância aproxima-se sem que ele se aperceba…
Estreado no Festival de Cinema de Veneza, um filme sobre as dores do crescimento que marca a estreia de João Salaviza na longa-metragem depois de “Arena” (2009, Palma de Ouro em Cannes), “Cerro Negro” (2011) e Rafa (2012, Urso de Ouro em Berlim).

João Salaviza estreia-se na longa-metragem com uma história em tudo e por tudo cúmplice dos seus títulos de menor duração — “Montanha” é o retrato magoado de uma adolescência a que falta uma relação sólida com os adultos.

Ao estrear-se na longa-metragem, Salaviza mantém-se fiel ao programa temático dos seus títulos anteriores: “Montanha” é o retrato íntimo de David (David Mourato), um rapaz de 14 anos que vive num vai-vém sem solução aparente: por um lado, a decomposição da relação dos pais há muito lhe conferiu o inusitado papel de “homem da casa”; por outro lado, o estado de saúde do avô, hospitalizado, fá-lo pressentir o fim iminente de um modo de existir ainda tocado pelas ilusões da infância…
Em boa verdade, este é um daqueles filmes em que a mera enumeração das “peripécias” da acção será sempre superficial e insuficiente. Aquilo que Salaviza procura não é tanto uma acumulação de eventos que, por assim dizer, se explicam uns aos outros, antes a definição de um clima afectivo e emocional em que a odisseia de David adquire uma dimensão potencialmente trágica. Que é como quem diz: como sair da infância, abraçar as agruras da adolescência e lidar com as imperfeições do mundo dos adultos?
Tal como nos títulos anteriores de Salaviza, “Montanha” envolve um misto de constatação e perplexidade face à tristeza urbana em que tudo isto acontece. A observação das paisagens menos centrais da grande cidade — e, em particular, a ambiência gélida de uma arquitectura desumanizada — constitui, aqui, um factor fundamental. Talvez possamos dizer que “Montanha” sublinha a importância de um certo realismo que, com maior ou menor felicidade criativa, nunca abandonou o cinema português.
João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

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