6 de Outubro, 19h: “Timbuktu”

timbuktu-blog Realização: Abderrahmane Sissako

Intérpretes:Pino Desperado, Abel Jafri, Toulou Kiki

França/Mauritânia/Qatar, 2014, 96 ‘  M/12

Tombuctu (também chamada de Timbuktu), no Mali, é cidade Património Mundial da UNESCO desde 1988. De pequena povoação perdida no deserto do Sara, o lugar transformou-se, ao longo dos séculos, em capital intelectual e espiritual de África, um oásis no deserto que foi despertando a atenção do mundo. Em 2012, a cidade é ocupada por um grupo islâmico liderado por Iyad Ag Ghaly. O medo e a incerteza apoderam-se daquele lugar. Por ordem dos fundamentalistas religiosos, a música, o riso, os cigarros e o futebol são banidos. As mulheres são obrigadas a usar véu e a mostrar submissão total. A cada dia surgem novas leis para serem cumpridas e a vida de cada um dos habitantes vai sendo modificada tragicamente. Não muito longe dali vive Kidane com a mulher Satima, a filha Toya e Issan, um jovem pastor de 12 anos. A existência desta família, até agora tranquila, vai alterar-se abruptamente quando Kidane é acusado de um crime…
Realizado pelo mauritano Abderrahmane Sissako, um filme dramático, baseado num episódio real, que tenta denunciar a propagação do fundamentalismo. Depois da sua passagem pelo Festival de Cinema de Cannes, “Timbuktu” foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro e venceu sete prémios César: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original (Abderrahmane Sissako, Kessen Tall), Melhor Música Original (Amine Bouhafa), Melhor Som (Philippe Welsh, Roman Dymny, Thierry Delor), Melhor Fotografia (Sofian El Fani) e Melhor Montagem (Nadia Ben Rachid).
PÚBLICO

No actual contexto cinematográfico, em muitos aspectos condicionado por um imaginário “infantil”, promovido por um marketing de enorme poder global, deixámos de dar a devida atenção ao cinema que envolve um testemunho político actual e sobre a actualidade. “Timbuktu”, de Abderrahmane Sissako, é um filme que importa ter em conta, antes do mais, justamente, pela sua essencial dimensão política.

Ainda que sem ter ganho qualquer prémio da competição oficial, “Timbuktu” foi um acontecimento marcante do Festival de Cannes de 2014. Depois, o filme viria a ser nomeado para o Oscar de melhor filme estrangeiro, em representação da Mauritânia, obtendo a sua consagração nos Césares do cinema francês, onde arrebatou nada mais nada menos que sete prémios, incluindo melhor filme e melhor realização.

A virtude maior de “Timbuktu” provém do didactismo da sua construção. Tudo acontece, assim, numa pequena comunidade do Mali, em grande parte formada por pastores e respectivas famílias. As rotinas do seu quotidiano são subitamente postas em causa pela ocupação de um grupo de fundamentalistas islâmicos — desde as vestes das mulheres até à prática do futebol, tudo é posto em causa pelas regras ditatoriais dos ocupantes.

Com formação e experiência que não são estranhas ao domínio documental, Sissako elabora o seu filme a partir de uma fundamental dimensão realista. Estamos, afinal, perante um cinema que reage ao maniqueísmo de muitos estereótipos informativos, empenhando-se em dar conta das existências particulares de personagens concretas.

Nesta perspectiva, importa não esquecer que “Timbuktu” denuncia os crimes cometidos em nome da religião, mas é também um filme de exaltação de um Islão de abertura e tolerância — a dimensão política envolve essa agilidade do olhar e do pensamento. João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

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