22 de Setembro, 19h: “A Quietude da Água”

Futatsume-no-mado-2014-de-Naomi-Kawase RealizaçãoNaomi Kawase

IntérpretesNijirô MurakamiJun YoshinagaMiyuki Matsuda

ESP/JAP/FRA, 2014, 121 ‘  M/12

O adolescente Kaito vive na ilha de Amami Oshima, no Japão, onde ainda se acredita na importância da harmonia com todos os seres da natureza. Numa noite de lua cheia, ao passear junto à praia, o jovem encontra um cadáver a boiar nas águas. Aquele estranho evento deixa marcas profundas em Kaito, que se vê obcecado por perceber as razões do sucedido. Para isso, pede ajuda a Kyôko, a sua grande amiga. Juntos, lançam-se na missão de desvendar o enigma. Enquanto perseguem esse objectivo, Kaito e Kyôko vão descobrir outros mistérios ainda mais desconcertantes: os que se referem à vida, à morte ou ao amor…

 

Apresentado no Festival de Cannes de 2014, “A Quietude da Água” é um belo exemplo da mais recente produção japonesa — um filme que começa como um inquérito policial, transfigurando-se num retrato das relações entre seres humanos e natureza.

Um cadáver é descoberto por um rapaz numa praia da ilha subtropical de Amami… Assim se inicia um enigma inevitavelmente policial. O que aconteceu? Como explicar a ocorrência? Se há culpas, a quem as atribuir?

O rapaz partilha a descoberta com a namorada. E aquilo que parecia desenrolar-se como um típico processo de inquérito, vai adquirindo dimensões inusitadas. Dir-se-ia que o facto abala todas as estruturas da ilha, desde os espaços familiares até ao equilíbrio entre humanos e elementos naturais.
Em boa verdade, “A Quietude da Água”, escrito e realizado pela japonesa Naomi Kawase, é mesmo um filme sobre a emergência de desequilíbrios que se exprimem, precisamente, através da natureza e respectivos contrastes. Tudo se passa no interior de uma comunidade com um muito particular entendimento do sagrado — uma árvore existe, afinal, habitada por alguma entidade
Apresentado no Festival de Cannes de 2014, “A Quietude da Água” é um daqueles objectos que desafia qualquer descrição convencional, quanto mais não seja porque pressentimos que a sua universalidade começa, paradoxalmente, num universo cultural que, para nós, está muito distante (e não apenas na geografia).
As cenas filmadas na (quietude da) água são exemplares dessa tão particular pulsação dramática da narrativa de Kawase. Tudo se passa como se a natureza existisse, não num regime de transparência simbólica, antes como máscara em permanente transfiguração — e, com ela, a própria identidade de cada ser humano.

João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s