15 de Setembro, 19h: “Alemanha, Ano Zero”

alemania-ano-cero_83072 RealizaçãoRoberto Rossellini

Intérprete: Edmund MoeschkeFranz-Otto KrügerIngetraud Hinze

ALE/ITA, 1948, 75 ‘  M/12

O mais pungente e desesperado filme sobre o pós-guerra. A crise económica e moral na Alemanha, através do drama de uma criança sobrevivendo de pequenos tráficos e expedientes, sustentando um pai doente, e que acabará por envenenar por influência de um seu professor nazi. Texto: Cinemateca Portuguesa

 

Rossellini para além do neo-realismo

De todos os filmes incluídos no ciclo Rossellini (que decorreu em Lisboa e Porto em Março e Abril), este será aquele que, de forma mais eloquente, mostra a ousadia prática e conceptual do cineasta. Produzido em 1948, nele se narra a história trágica de um rapaz (interpretado pelo admirável Edmund Moeschke) que, no labirinto dantesco das ruínas de Berlim no pós-guerra, tenta encontrar uma via humana de sobrevivência. Por um lado, Rossellini parte de um sólido trabalho de argumento (Carlo Lizzani e Sergio Amidei foram seus colaboradores nessa tarefa); por outro lado, o impressionante cenário berlinense é integrado como um elemento genuinamente documental. Nesta perspetiva, para além do seu lugar marcante na história do neo-realismo, este é também um filme que nos pode ajudar na reflexão sempre presente sobre o que significa olhar à nossa volta.

JOÃO LOPES (Classificação 5/5)

 

“O filme – que articula do modo orgânico a ficção e o documentário – marcou, em definitivo, a entrada do cinema na idade adulta, convidando-o a fazer-se testemunha ativa da história da qual faz parte, num gesto que ainda hoje ressoa nas obras de cineastas tão distintos como Godard ou Zhang Ke. Mas, além de tudo isto, ‘Alemanha…’ é, também, um poema elegíaco sobre a morte prematura de um dos filhos de Rossellini: Romano, cuja memória parece assombrar os passos do protagonista, e a quem o filme é dedicado. E, nesse cruzamento entre o histórico e o pessoal, o subjectivo e o objectivo, reside – quanto a nós – o secreto motor (e a secreta força) de um filme que está certamente entre os mais importantes da história do cinema.”

Vasco Baptista Marques, Expresso ★★★★★

 

 

 

 

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