8 de Setembro, 19h: “Phoenix”

Phoenix blog Realização: Christian Petzold

Intérpretes: Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Nina Kunzendorf

ALE/POL, 2014, 98 ‘  M/12

Alemanha, Outono de 1945. Nelly Lenz é uma sobrevivente de um campo de concentração que ficou seriamente desfigurada. A sua amiga Lene Winter, que trabalha para uma agência judaica, leva-a para Berlim. Após uma cirurgia de reconstrução, Nelly inicia a procura do seu marido Johnny. Quando finalmente o encontra, este não a reconhece. Mas aborda-a com uma proposta: uma vez que ela se parece com a sua mulher, que ele acredita estar morta, pede-lhe que o ajude a reclamar a considerável fortuna que ela herdou. Nelly concorda, e torna-se a sua própria “doppelgänger” – ela precisa de saber se Johnny alguma vez a amou, ou se a traiu. Nelly quer a sua vida de volta. Quanto mais  semelhanças com a sua outra parte ela revela, mais desesperada e confusa a relação se torna. Será que Johnny irá confessar o seu amor? Ou a sua culpa?

A tragédia de um rosto

Confirma-se a vitalidade de uma tendência para reavaliar as heranças da Segunda Guerra Mundial: “Phoenix”, com essa extraordinária actriz que é Nina Hoss, centra-se no drama de uma sobrevivente de um campo de concentração.

Reencontramos em “Phoenix” uma aliança — entre o realizador Christian Petzold e a actriz Nina Hoss — que já tinha sido decisiva em “Barbara” (2012). Neste caso, encenavam um drama situado na Alemanha de leste, na década de 80, num ambiente de perversa repressão dos seres humanos. Agora, são ainda os fantasmas da história alemã que regressam, mas no contexto do fim da Segunda Guerra Mundial.

A tragédia íntima da personagem central, Nelly Lenz (Hoss), está literalmente inscrita no seu rosto: Nelly sobreviveu num campo de concentração, tendo ficado com o rosto desfigurado; a operação que faz dá-lhe novas feições, não sendo reconhecida pelos seus mais próximos, incluindo o marido Johannes (Ronald Zehrfeld). Mais do que isso: no clima de perseguição aos judeus, Johannes poderá ter sido aquele que a denunciou aos nazis…

Sustentado por uma exemplar direcção de actores, o trabalho de realização de Petzold envolve dois vectores complementares: por um lado, a odisseia de Nelly expõe-na à terrível tarefa de reencontrar um lugar (físico e emocional) para viver; por outro lado, o pano de fundo para tudo isso está longe de ser meramente decorativo, uma vez que surge marcado por uma teia de negações e traições inerente à reconstrução do próprio país.

Sem hesitar na afirmação de um realismo social e psicológico extremamente elaborado, “Phoenix” é, afinal, mais um título que ilustra a energia da vaga de obras sobre a Segunda Guerra Mundial (alemães e não só) que temos vindo a observar desde o lançamento de “Lore” (2013), de Cate Shortland. Muito para além das regras tradicionais do “filme-de-guerra”, trata-se, agora, de observar os labirintos dos mais inusitados destinos individuais.

João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

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