2 de Junho, às 19h: “I Love Kuduro”

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 Real.: Mário Patrocínio

Intérpretes: Nagrelha, Príncipe Ouro Negro e Presidente Gasolina, Tchobari, Francis Boy, Cabo Snoop, Titica

Ang/Port. 2014, 96′, M/12

Os irmãos portugueses, Mário e Pedro Patrocínio, desmistificaram uma das favelas mais infames no Rio de Janeiro no seu ensaio documental de 2010, Complexo: Universo Paralelo, através de uma representação do seu respectivo quotidiano, sem receios nem mediatismos sociais. Passados três anos, a dupla embarca agora noutra aventura documental, desta vez em um país bem diferente, Angola.

Os irmãos decidem assim abordar as diversas questões sociais e algumas politicas do país em questão, mas a temática é por vias de “batuques“, como certa altura alguém afirma, tudo se resuma a uma questão de barulhos. Pois bem, eis um documentário sobre um dos estilos musicais mais proeminentes da Angola, e provavelmente a fazer digressão no resto do Mundo, o Kuduro, música para alguns, barulho para outros, a verdade é que por vias dessa mesma manifestação artística que os irmãos Patrocínio incutem em I Love Kuduro um olhar sempre atento aos conflitos inerentes de um país, devastado pela Guerra e acentuado pela gradual diferença entre classes.

No seio de uma colectânea de testemunhos de diversos artistas do estilo musical, apercebemos esse olhar clínico e critico dos envolvidos, a não consensualidade entre os depoimentos das ditas “celebridades“, onde o espectador irá, por exemplar, notar um certo choque entre o clássico e o moderno, reafirmados pelos dançarinos da Velha Guarda do Kuduro, que proclamam retratar um país em fase de reconstrução, ou a desmistificação do próprio mito em redor desta música angolana – é que afinal o Kuduro nasceu entre a burguesia e não no gueto como muitos crêem.

Visualmente requintado, I Love Kuduro manifesta os seus propósitos mais evidentes, ser um documentário exclusivo para adeptos e aficionados do ritmo, mesmo acabando por se tornar algo mais que isso. Contudo esse ponto é por vezes prejudicado pelo primeiro objectivo, realmente sentimos que existe mais para além da música em si, e temos a necessidade de fugir às extravagâncias dos artistas como também explorar a razão para o culminar de tais “batuques“.

Até certo ponto I Love Kuduro é restringido ao seu horizonte comercial? Os Patrocínios tentam contorna-lo incentivando o debate e “caçando fadas“, mas infelizmente os temas são tocados de forma leve e pouco provocante, bem que não perderiam se fossem devidamente explorados (como é o caso do Kuduro como hino de libertação dos homossexuais angolanos, segundo Titica, a primeira estrela nacional transexual). Para adeptos e não só!

Hugo Gomes, in Cinematograficamente Falando

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