19 de Maio, 19h: “Mr. Turner”

 

Mr. Turner blogRealização: Mike Leigh

Intérpretes: Timothy Spall, Paul Jesson, Dorothy Atkinson

GB, 150ʼ, 2014, M/12

Joseph Mallord William Turner nasceu em Londres (Inglaterra), em 1775, numa família modesta. Com um invulgar e surpreendente talento para o desenho e a pintura, viria a tornar-se um dos maiores vultos mundiais das artes plásticas. Mestre da pintura paisagística, tanto em óleo como em aguarela, foi responsável pela elevação do estatuto desta forma particular de arte. A sua produção era indissociável do fascínio pela cor e pela luz, traduzido em técnicas que seriam, anos mais tarde, retomadas pelos impressionistas. O mar e as tempestades eram temas de eleição de Turner, ao ponto de se ter amarrado ao mastro de um barco para pintar um temporal. Mas o artista distinguiu-se também pela personalidade forte, excêntrica e obstinada. As elites do seu tempo votavam-lhe um misto de desprezo e de inevitável reconhecimento do seu génio indisciplinado. Morreu em 1851, aos 76 anos, na capital inglesa, depois de proferir a lendária frase “O sol é Deus”. Não deixou mulher nem descendência, mas deixou um legado imenso – até o Prémio Turner, o conceituado galardão britânico de arte, lhe deve o nome.

Um “biopic” de Mike Leigh que reconstitui os últimos anos de vida de um dos mais importantes e influentes artistas britânicos, procurando “explorar o homem, o seu trabalho, as suas relações, o seu modo de vida”, nas palavras do realizador. Leigh regressa assim aos filmes de época, depois de “Vera Drake” (2004). Para o papel principal, escolheu Timothy Spall, com quem trabalhara em ocasiões anteriores (“A Vida é Doce”, “Segredos e Mentiras”, “Topsy Turvy”). A sua interpretação do pintor romântico valeu-lhe a distinção de melhor actor do Festival de Cannes e da Academia Europeia de Cinema. PÚBLICO

 

O cinema face a J. M. W. Turner

Há uma espécie de tradição formal que, ciclicamente, leva o cinema a interessar-se pela pintura — assim volta a acontecer em “Mr Turner”, um retrato do grande paisagista inglês assinado por Mike Leigh.

Quase se podia definir como um sub-género da história dos filmes: existe, de facto, um “cinema-sobre-a-pintura” que tem marcado os mais diversos períodos da produção de muitos países. Para nos ficarmos por alguns dos mais notáveis exemplos, lembremos os retratos íntimos que são ” A Vida Apaixonada de Van Gogh” (1956), de Vincente Minnelli, e “Van Gogh” (1991), de Maurice Pialat, ou ainda essa colisão formal de imagens que Jean-Luc Godard encena no genial “Paixão” (1982).

O projecto de “Mr. Turner”, de Mike Leigh, sobre os anos finais do grande paisagista inglês J. M. W. Turner (1775-1851), envolve duas componentes tradicionais da biografia artística: em primeiro lugar, uma abordagem psicológica das vivências da personagem central; depois, uma contaminação do próprio filme pelas características estéticas — em particular cromáticas — do universo do pintor.

Tal ajudará a explicar, como é óbvio, a importância de duas componentes de “Mr. Turner”: a composição, ao mesmo tempo vibrante e contida, de Timothy Spall na figura de Turner e o minucioso labor desenvolvido pelo director de fotografia Dick Pope — aliás, foram ambos distinguidos no palmarés do Festival de Cannes. (João Lopes, in CineMax)

 

 

 

 

 

 

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