12 de Maio, 19h: “Pride – Orgulho”

Pride.blog 2Realização: Matthew Warchus

Intérpretes: Bill Nighy, Imelda Staunton, Dominic West

GB, 120ʼ, 2014, M/12

Estamos no verão de 1984 – Margaret Thatcher está no poder e a União Nacional de Mineiros (NUM) está em greve. Durante a marcha do Orgulho Gay, em Londres, um grupo de activistas gay e lésbicas decide angariar dinheiro para apoiar as famílias dos mineiros em greve. Mas há um problema. O Sindicato parece não querer aceitar este apoio, o que não desencoraja os activistas, que decidem ir directamente aos mineiros. Escolhem uma aldeia mineira profunda no País de Gales e partem num mini autocarro para entregar a doação pessoalmente. E assim começa a extraordinária história de duas comunidades aparentemente opostas, que formam uma parceria surpreendente e, finalmente, triunfante.

Uma genuína comédia social

Gays e lésbicas unidos a mineiros em greve — eis um facto histórico, do tempo de Margaret Thatcher no poder, que Matthew Warchus retrata em “Orgulho”, trabalhando um realismo transfigurado pelos valores da comédia.

Muitas vezes aqui o referimos, mas vale a pena repeti-lo: a tradição realista do cinema britânico possui uma lógica e uma energia que lhe vão conferindo uma renovada actualidade. Por vezes, a pretexto dos factos mais insólitos ou inesperados.

É isso mesmo que acontece em “Orgulho”, o filme de Matthew Warchus que evoca uma conjuntura muito especial. A saber: a luta pelo direito à diferença de uma associação de gays e lésbicas, em pleno consulado de Margaret Thatcher, e a sua aliança com os mineiros que, em 1984/45, tentavam contrariar a política que estava a conduzir ao fecho de muitas minas.

O efeito realista da evocação é tanto mais contagiante quanto estamos perante uma genuína comédia social, explorando com subtil distanciação as atribulações de tão improvável aliança. Trata-se, afinal, de colocar em cena um duplo processo político: por um lado, gays e lésbicas procuram uma visibilidade social que contrarie a “marginalidade” do seu discurso; por outro lado, mesmo com algumas resistências (que o filme não ilude), os mineiros queriam também alargar a sua base de apoio e conseguir a maior ressonância social.

O irresistível humor das situações passa, como sempre neste tipo de produções britânicas, por um leque de talentosos actores — vale a pena citar, por exemplo, os veteranos Bill Nighy e Imelda Staunton, a par de Paddy Considine, Dominic West e Andrew Scott. Este é, afinal, um cinema fascinado pela pluralidade humana, nessa medida afirmando também a mais visceral crença humanista. (João Lopes, in CineMax)

 

 

 

 

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