14 de Abril, 19h: “Locke”

Locke blog

Realização: Steven Knight

Argumento: Steven Knight

Intérpretes: Tom Hardy, Ruth Wilson, Andrew Scott, Olivia Colman, Tom Holland, Ben Daniels, Bill Milner, Alice Lowe, Danny Webb, Lee Ross, Silas Carson, Kirsty Dillon

GB/EUA, 85ʼ, 2013, M/12

Ivan Locke (Tom Hardy) trabalhou muito para conseguir uma boa vida. Numa só noite, tudo ficará em ruínas quando na véspera do maior desafio da sua carreira, recebe um telefonema.

Com a acção a decorrer em tempo real, ao longo de uma viagem de carro, “Locke” demonstra como uma decisão pode levar ao completo colapso de uma vida.

 

Uma invulgar história de solidão

Steven Knight, argumentista e realizador, encena o drama íntimo de um homem cuja existência laboral e emocional está violentamente ameaçada — “Locke” é um brilhante “thriller” psicológico centrado numa excelente interpretação de Tom Hardy.

Como filmar a solidão radical de um homem face às convulsões da sua existência profissional e familiar? A resposta que encontramos no filme “Locke” é, de uma só vez, fascinante e… indizível.

De facto, este é um daqueles casos em que — quanto mais não seja por questões de deontologia jornalística — importa ter alguma contenção na simples descrição das peripécias do filme, sob pena de tirarmos ao espectador o direito a descobrir, realmente, o que acontece.

Fiquemo-nos, então, por uma informação sucinta. “Locke” centra-se na história de Ivan Locke (excelente composição de Tom Hardy), responsável por uma gigantesca construção de uma arranha-céus; uma noite, ao deixar o trabalho, recebe um telefonema, toma uma decisão, e faz outros telefonemas: por um lado, a sua situação profissional está ameaçada; por outro lado, a sua mulher acusa-o de manter uma relação ilícita… Resta saber como é que ele pode agir face a esta súbita decomposição de todo o seu universo laboral e emocional.

O resultado é um notável tour de force: “Locke” é, afinal, um filme que dá razão a essa noção muito simples, mas essencial, segundo a qual o cinema se decide sempre nas formas de gestão do espaço/tempo.

Explorando uma obsessiva linearidade temporal — que, até certo ponto, faz lembrar “A Corda” (1948), de Alfred Hitchcock —, “Locke” consegue fazer coincidir o tempo da acção com o tempo de projecção do próprio filme. O “suspense” nasce também desta ansiedade do espaço que se fecha, do tempo que passa.

Estamos perante um verdadeiro ensaio sobre as possibilidades narrativas do modelo do “thriller” psicológico, certamente não por acaso com assinatura de um criador que, há muito, se distinguiu como um brilhante contador de histórias.

Assim, acumulando as tarefas de escrita de argumento e realização, Steven Knight (inglês, 55 anos) já era nosso conhecido através de argumentos como “Estranhos de Passagem” (Stephen Frears, 2002) ou “Promessas Perigosas” (David Cronenberg, 2008).

Através de “Locke”, ele sabe valorizar até às últimas consequências o drama tão peculiar de Ivan Locke. (João Lopes, in CineMax)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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