31 de Março, 19h: “Debaixo da Pele”

Scarlett blog

Realização: Jonathan Glazer

Argumento: Jonathan Glazer, a partir da novela de Michel Faber

Intérpretes: Scarlett Johansson, Jeremy McWilliams, Lynsey Taylor Mackay

Música: Mica Levi

GB, 108ʼ, 2014, M/16

Debaixo da pele de Laura (Scarlett Johansson) está um alienígena. A sua missão é caçar seres humanos, pois a sua carne é um alimento para os da sua espécie. Com isso em mente, ela percorre a Escócia, seduzindo homens que leva para um estranho lugar onde são mantidos vivos para posterior consumo. Porém, ao longo do processo e contra todas as probabilidades, Laura descobre uma inesperada humanidade em si mesma que em nada lhe facilitará a tarefa.
Um filme de ficção científica realizado por Jonathan Glazer (“Sexy Beast”, “Birth – O Mistério”) que segue um argumento seu em parceria com Walter Campbell e que adapta o romance de estreia do novelista Michel Faber. PÚBLICO

Deste mundo e dos outros

Scarlett Johansson protagoniza aquele que é, desde já, um dos grandes acontecimentos cinematográficos de 2014:

“Debaixo da Pele”, de Jonathan Glazer, convoca-nos para uma experiência invulgar, algures na fronteira entre realismo e fantástico.

Será que podemos definir “Debaixo da Pele” (título original: “Under the Skin”) como um filme de ficção científica? Sim — afinal de contas, esta é a história de uma alien, interpretada por Scarlett Johansson, que desce à Terra, apoderando-se do corpo de uma jovem, e viajando pelas paisagens da Escócia atraindo homens para um fim angustiante…

E será que podemos também classificar “Debaixo da Pele” como um filme tocado por toda uma herança realista ligada ao realismo britânico? Podemos dizer que sim, desde logo porque os ambientes são registados de forma muito directa, quase documental, sem esquecer que o realizador Jonathan Glazer é inglês (nascido em Londres, em 1965), tendo, por certo, a sua formação ligada a mestres como John Grierson (curiosamente, de origem escocesa). Tudo isso nos pode ajudar a definir as singularidades de “Debaixo da Pele” e, ao mesmo tempo, tudo isso se revela insuficiente para darmos conta da estranha beleza e do bizarro fascínio de um filme que, goste-se muito ou goste-se pouco, tocará qualquer espectador pelo carácter único da sua experiência.

Porque é disso mesmo que se trata — de uma experiência que, em primeiríssimo lugar, valoriza o cinema, não exactamente como um instrumento de ilustração de histórias com “princípio-meio-e-fim”, mas sim como uma ambiência audiovisual capaz de nos convocar para um desafio sistemático e subtil das formas correntes de percepção & pensamento. Glazer, vale a pena recordar, já nos tinha envolvido numa aventura igualmente intensa com o belíssimo “Birth – O Mistério” (2004), em que Nicole Kidman interpretava uma jovem viúva, um dia visitada por um rapaz de 10 anos que lhe diz ser o seu marido reencarnado… Aliás, também no seu trabalho na área dos telediscos, Glazer assinou trabalhos notáveis que desafiam as lógicas correntes das imagens e das suas “mensagens” — vale a pena recordar o caso admirável de  “Street Spirit (Fade Out)” (1996), dos Radiohead. (João Lopes, in CineMax)

 

 

 

 

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