10 de Março, 19h: “Ciúme”

la-jalousie-louis-garrel-e-anna-mouglalis-in-una-scena-familiare-282660_jpg_1400x0_crop_upscale_q85Realização: Philippe Garrel

Intérpretes:Louis Garrel, Anna Mouglalis, Rebecca Convenant

FRA, 77ʼ, 2013, M/12

Louis (Louis Garrel) vive com Claudia (Anna Mouglalis) num estúdio modesto e minúsculo. Foi por ela que deixou Clothilde (Rebecca Convenant), a mãe da sua filha, Charlotte. Tanto Louis como Claudia são actores em dificuldade. Ele ainda vai conseguindo alguns papéis; ela, outrora uma estrela em ascensão, nunca mais recebeu ofertas. Louis, que acredita no talento dela, tenta constantemente encontrar-lhe trabalhos, mas em vão. Claudia receia que ele a deixe, tal como fez com Clothilde. Mas, um dia, recebe uma proposta sedutora. Agora, é Louis quem tem medo de perder Claudia… No meio de toda esta trama de encontros, desencontros, paixão, medo e ciúme, a pequena Charlotte tenta dar sentido ao que a rodeia. Um drama familiar do premiado realizador francês Philippe Garrel (“Liberté, la Nuit”, “Os Amantes Regulares”, “Inocência Selvagem”). O argumento – que escreveu em parceria com Caroline Deruas (a companheira), Arlette Langmann e Marc Cholodenko – tem contornos autobiográficos, já que se inspira num caso extraconjugal do pai. O papel do pai é desempenhado pelo filho do cineasta, Louis Garrel. A filha, Esther Garrel, também integra o elenco. Filmado a preto e branco, com música de Jean-Louis Aubert, “Ciúme” foi apresentado em competição no 70.º Festival Internacional de Cinema de Veneza. PÚBLICO

 

 

Transparência e máscaras do amor Continua a ser um nome grande do cinema francês: Philippe Garrel regressa às salas portuguesas com “Ciúme”, filme admirável sobre as convulsões do amor e, no fundo, a sua possibilidade ou impossibilidade.

O menos que se pode dizer de Philippe Garrel — nome ligado ainda à Nova Vaga francesa, mas com um trajecto exterior a qualquer “movimento” — é que se trata de um cineasta que trabalha, obsessivamente, sobre modelos tão austeros quanto fascinantes. Se pensarmos, por exemplo, nos seus títulos mais recentes — como “Os Amantes Regulares” (2005) ou “A Fronteira do Amanhecer” (2008) —, observamos a paciente e delicada construção de histórias centradas nas feridas internas do amor.

“Ciúme” (2013), lançado por uma nova pequena distribudora que parece apostada numa singularíssima actividade (Legendmain), aí está para uma (re)descoberta de Garrel que, no limite, confirma a sua solidão no contexto da actual produção francesa: um filme construído a partir de uma teia de relações em que o amor — ou melhor, a possibilidade do amor — é, de uma só vez, o tema e o mistério.
O motor da história é muito simples, envolvendo, no essencial, quatro personagens: um casal que se separa + a filha de ambos + a mulher com quem o homem passa a viver. A partir de tal conjuntura afectiva, Garrel vai deambulando como um cientista que detecta a transparência e também as máscaras da vida amorosa, tudo como quem desenvolve uma “reportagem” que, afinal, coincide com uma metódica interrogação filosófica.
Como sempre, os actores são vitais nos resultados, sendo inevitável destacar Louis Garrel, filho do realizador, e Anna Mouglalis (que conhecemos, em 2009, através de “Coco Chanel & Igor Stravinsky”) — a sua exposição supera qualquer cliché “psicológico”, dando a ver o entrelaçado do desejo e da moral, da família e da sociedade. isto, claro, sem esquecer, as nuances das prodigiosas imagens a preto e branco, assinadas por esse notável director de fotografia belga que é Willy Kurant.
Crítica de João Lopes, in Cinemax (1 agosto ’14)

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